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POR TRÁS DE BRAVATAS E ESCÂNDALOS, A ECONOMIA AFUNDA

As investigações envolvendo a atuação do Banco Master, e em menor escala os imorais desvios do INSS, com seus desdobramentos políticos eleitorais passaram a dominar o noticiário brasileiro. Manchetes, debates televisivos e redes sociais concentram praticamente toda a atenção em casos que, sem dúvida, merecem rigorosa apuração. O problema não está na investigação da corrupção, mas em transforma-la no único tema relevante para o eleitor brasileiro.

Essa seletividade na informação produz um efeito perverso ao induzir o cidadão a acreditar que o futuro do país depende exclusivamente da punição de determinados agentes políticos, enquanto a deterioração da economia avança a passos largos e silenciosamente.

Não há qualquer dúvida de que a corrupção se tornou uma das especialidades brasileiras. Porém, esconder do eleitor a verdadeira dimensão da crise fiscal e econômica significa privá-lo das informações necessárias para exercer conscientemente o voto.

Os números são mais do que eloquentes.

A dívida bruta do governo geral brasileira atingiu, em junho de 2026, o recorde histórico de R$ 10,8 trilhões, equivalente a aproximadamente 82% do Produto Interno Bruto. Em apenas três anos e meio, o endividamento cresceu cerca de 10%, impulsionado por uma descontrolada trajetória de expansão dos gastos públicos, muito superior à capacidade de geração de receitas.

As consequências são conhecidas pela teoria econômica e confirmadas pela experiência internacional. Quanto maior o desequilíbrio fiscal, maior a necessidade de financiamento do Estado. Quanto maior o risco fiscal, maiores tendem a ser os juros exigidos pelos investidores para financiar essa dívida. Portanto, a elevada taxa básica de juros não é a principal causa do crescimento da dívida. É, na realidade, consequência dela pela perda de confiança provocada por uma contínua expansão do endividamento público.

O resultado desse círculo vicioso chega rapidamente à economia real, produzindo recordes indesejáveis.

82% das famílias brasileiras atingiram marca histórica de endividamento, enquanto aproximadamente 82 milhões de pessoas (metade da população adulta) enfrentam restrições de crédito decorrentes da inadimplência. No setor produtivo, quase seis mil empresas encontram-se em recuperação judicial, alcançando segmentos estratégicos da economia, como a indústria, a soja, a pecuária de corte e a cadeia sucroenergética. Empresas deixam de investir, o consumo é reduzido, empregos deixam de ser criados e o crescimento econômico perde intensidade.

Com isso, o crescimento do país tem previsão de atingir 2%, em 2026, abaixo do crescimento global, com cenário ainda mais restritivo para 2027 e expansão na faixa de 1,7% (previsão otimista). Consequentemente, o Brasil consegue, entre 70 países, superar apenas cinco nações no ranking de competitividade, construindo um frágil ambiente de negócios que tem fomentado transferências de um grande contingente de empresas para países vizinhos, na busca por responsabilidade fiscal, segurança jurídica e previsibilidade.

O custo dessa realidade não aparece apenas nos balanços do Tesouro Nacional. Ele se manifesta na renda das famílias, no fechamento e na anormal fuga de empresas, na dificuldade de obtenção de crédito e na perda de oportunidades para milhões de brasileiros, revelando o efeito dominó em um ambiente se tornando insustentável.

Entretanto, essa realidade econômica ocupa espaço secundário na cobertura jornalística. A mídia tradicional dedica incontáveis horas às bravatas eleitoreiras e aos escândalos políticos, mas frequentemente trata a crise fiscal como uma questão técnica, distante da vida cotidiana da população.

Não se trata de escolher entre combater a corrupção ou discutir economia. Qualquer país deve ser capaz de enfrentar simultaneamente ambos os problemas. Porém, a completa monopolização da atenção pública com os imorais desvios de recursos do contribuinte cria uma perigosa ilusão de prioridade e o eleitor passa a acreditar que resolver um escândalo político será suficiente para devolver prosperidade ao país, o que não é verdade.

Quando o debate público privilegia, voluntariamente ou não, bravatas, escândalos e negligencia os fundamentos econômicos, o eleitor perde a capacidade de avaliação. Eleitor mal informado dificilmente fará boas escolhas.


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