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QUEM FICARÁ COM O VALOR DO CAFÉ? A BATALHA QUE AMEAÇA AS COOPERATIVAS

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Uma leitura estratégica dos pontos reais de inflexão do setor cafeeiro revela um momento paradoxal para as cooperativas. Resultados consistentes e preços elevados ampliam a atratividade econômica do negócio, mas, ao mesmo tempo, intensificam pressões competitivas em toda a cadeia. O acesso a grandes mercados sustenta oportunidades relevantes, porém expõe fragilidades estruturais que exigem respostas estratégicas imediatas.

Setores de alta rentabilidade tendem naturalmente à concentração. No café, observa-se um movimento crescente de profissionalização dos conselhos de administração e das lideranças executivas, elevando o nível de exigência por performance. Esse avanço, embora necessário, tensiona valores históricos do cooperativismo e pressiona modelos de governança que não acompanharam a complexidade atual do mercado.

Outro vetor de pressão é o fortalecimento do varejo. Grandes redes ampliam escala, poder de barganha e capacidade de impor condições comerciais, transferindo custos e riscos ao elo anterior da cadeia. Trata-se de uma dinâmica já observada em outros setores agroindustriais, como leite e carne, nos quais a captura de valor migrou progressivamente para a ponta final.

O poder dos fornecedores também se intensificou. Insumos, máquinas e tecnologias embarcadas tornaram-se mais caros, com custos crescentes de aquisição, atualização e manutenção. Isso eleva a dependência tecnológica e reduz a margem de manobra financeira de cooperativas e produtores, comprimindo sua capacidade de investimento estratégico.

Ao mesmo tempo, novos entrantes avançam. Incentivos governamentais e oportunidades de mercado estimulam a entrada de players nacionais e internacionais. Modelos de negócio bem-sucedidos são rapidamente replicados, ampliando a rivalidade competitiva e acelerando a disputa pela captura de valor ao longo da cadeia.

Por fim, os produtos substitutos ganham espaço. Preços elevados do café reduzem consumo em determinadas faixas de renda e abrem oportunidades para chás, bebidas funcionais e outras alternativas. A trajetória do couro frente aos materiais sintéticos é um alerta histórico: quando o preço se distancia do valor percebido, o consumidor muda de hábito.

As cooperativas de café carregam legado, capital social, liderança comprometida e relevância econômica e social. No entanto, mudanças estruturais em curso podem comprometer sua sustentabilidade se não houver evolução do modelo de gestão, da governança e da estratégia de posicionamento na cadeia de valor. Há oportunidades claras de reposicionamento estratégico do setor cafeeiro, mas elas exigem ação agora, enquanto a posição competitiva ainda é favorável. O mesmo raciocínio se aplica, com intensidade semelhante, aos setores do leite e da pecuária de corte.

Hélio Mendes – Palestrante, consultor empresarial e político. Autor de “Planejamento Estratégico Reverso” e “Gestão Reversa”. Curso de conselheiro pelo IBGC e ex-secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Uberlândia (MG).

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