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SÃO PAULO E RIO DE JANEIRO – DUAS REALIDADES, DOIS DEBATES

O calendário eleitoral traz uma virtude ao obrigar cada candidato ao governo estadual a sair do discurso nacional, das grandes palavras de ordem e das disputas ideológicas para encarar os problemas concretos de cada estado.

Foi exatamente isso que os debates promovidos pela Band revelaram. E a comparação entre São Paulo e Rio de Janeiro, as duas maiores economias do país, é particularmente significativa. Não apenas porque são estados vizinhos e economicamente relevantes, mas porque atravessam momentos muito diferentes de sua trajetória administrativa e de desenvolvimento.

Em São Paulo, o debate eleitoral colocou o conteúdo no centro da discussão. A qualidade técnica do atual governador permitiu que temas complexos fossem tratados com maior profundidade, ainda que, em diversos momentos, seu adversário tenha procurado transformar conhecimento técnico em motivo de ironia ou ridicularização. O que importa, entretanto, é que o eleitor paulista teve diante de si uma discussão sobre o Estado que pretende escolher para os próximos quatro anos.

Investimentos, saúde, educação, segurança, mobilidade urbana, produtividade, agroindústria, produção, infraestrutura, tecnologia e desenvolvimento econômico apareceram como componentes de uma agenda que ultrapassa a disputa pessoal entre candidatos. O debate permitiu confrontar diagnóstico, realizações e propostas.

No Rio de Janeiro, infelizmente, a realidade é outra.

A situação atual do Estado impõe à segurança pública uma centralidade que não é fruto de estratégia de campanha. É consequência de uma danosa realidade. Não é possível falar seriamente sobre desenvolvimento quando parcelas relevantes do território estão sob controle de organizações criminosas. Não é possível discutir investimentos, produtividade, mobilidade, turismo ou qualidade de vida quando o cidadão é submetido à insegurança em sua rotina.

No Rio de Janeiro, portanto, a segurança pública não é política setorial, mas sim pré-condição para que todas as demais políticas públicas possam funcionar.

Essa é a tragédia fluminense.

Enquanto São Paulo pode discutir segurança como parte de uma estratégia de desenvolvimento, o Rio de Janeiro precisa, antes de tudo, recuperar as condições mínimas para que o desenvolvimento seja possível.

E isso não significa que os demais problemas tenham desaparecido.

Ao contrário. A educação fluminense continua apresentando resultados insuficientes, a economia estadual perdeu densidade industrial, o Estado não construiu uma agroindústria relevante compatível com seu potencial e a prestação de serviços públicos, inclusive na saúde, está longe de produzir o que a população necessita. Nenhum desses temas consegue competir com a urgência da violência.

E permanece uma incômoda questão. Por que, depois de décadas de diagnósticos, sucessivos governos ainda não conseguiram resolver o problema que todos sabem existir?

A incapacidade de transformar diagnóstico em política pública permanente se tornou característica institucional do estado do Rio de Janeiro.

O problema é que o debate fluminense acabou, em grande medida, prisioneiro da própria pobreza da política estadual, protagonizado por ataques e acusações pessoais, lembranças de realizações passadas, sinalizações para o inchaço da máquina pública e promessas que pouco avançaram na direção de um projeto estruturante.

O contraste com São Paulo é, portanto, enorme e revelador.

Em São Paulo, o debate eleitoral permitiu perguntar como fazer um Estado desenvolvido avançar ainda mais. No Rio de Janeiro, a pergunta fundamental continua sendo como reconstruir as condições para voltar a avançar. Não é uma simples diferença.


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