Os setores nacionais de atacado e varejo enfrentam um momento decisivo. Para se manterem competitivos e sustentáveis nos próximos anos, será necessário um processo profundo de reinvenção. Caso contrário, essas empresas correm o risco real de se tornarem obsoletas, operando com estruturas ultrapassadas e custos operacionais significativamente superiores aos de seus concorrentes internacionais.
Grandes players globais como Mercado Livre, Amazon, Shopee, Temu, Shein e Ali Express já estão consolidados no Brasil, com centros de distribuição estrategicamente posicionados. Essas empresas operam com altíssimo investimento em tecnologia, acesso facilitado ao consumidor e, em muitos casos, sem a necessidade de lojas físicas ou equipes de vendas tradicionais — o que representa uma vantagem competitiva imensa frente ao modelo convencional adotado pela maioria das empresas nacionais.
Um dos principais diferenciais dessas plataformas é a agilidade no atendimento e um modelo logístico inovador e eficiente. Utilizam soluções como frota terceirizada por região, incluindo desde vans escolares até motoristas de aplicativos como Uber, eliminando os altos custos fixos de manutenção de frota própria — algo que, até pouco tempo atrás, era impensável.
Enquanto isso, muitas empresas brasileiras ainda operam com frotas próprias, enfrentam elevados custos operacionais, desafios trabalhistas e uma das mais altas cargas tributárias do mundo. Diante desse cenário, ajustes pontuais não serão suficientes. É necessário um redesenho completo da operação, da estratégia e da estrutura empresarial.
O desafio se agrava diante do fato de que essas multinacionais atuam em diversos países, podendo operar por anos com margens reduzidas — ou até mesmo negativas — em mercados estratégicos, sustentadas por parcerias com cadeias globais de fornecimento e uma capacidade robusta de capital.
