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TABAGISMO E SUAS CONSEQUÊNCIAS SILENCIOSAS

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Reflexão e experiência da prática clínica

Por: Eva Costa

Na rotina da enfermagem, muitas barreiras aparecem de forma silenciosa. Recentemente, durante uma consulta para preparo de um procedimento cardiovascular, um paciente hesitou em responder se era tabagista. No fim, pediu desculpas e confessou a dificuldade em abandonar o cigarro. Orientei sobre os riscos, os cuidados necessários e apresentei o programa de apoio do Ministério da Saúde.

Três meses depois, esse mesmo paciente retornou para outro exame. Procurou-me para compartilhar sua decisão de buscar ajuda e os desafios enfrentados no processo de cessação. Esse episódio reforça a importância do acolhimento, da escuta qualificada e do papel educativo da enfermagem.

Do ponto de vista epidemiológico, o tabagismo continua sendo um dos principais problemas de saúde pública no Brasil. Após quase duas décadas de queda, a prevalência de fumantes voltou a crescer: de 9,3% em 2023 para 11,6% em 2024, segundo dados oficiais recentes. Esse aumento ocorreu em ambos os sexos. Paralelamente, os dispositivos eletrônicos para fumar (“vapes”) ganham espaço, especialmente entre jovens de 18 a 24 anos, faixa etária em que a prevalência chegou a 6,1%.

O impacto econômico também é alarmante. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil gasta anualmente R$ 153 bilhões com doenças relacionadas ao consumo de tabaco, considerando custos diretos (como hospitalizações e tratamentos) e indiretos (como perda de produtividade e aposentadorias precoces).

Esses dados evidenciam que o combate ao tabagismo não deve se limitar à conscientização sobre seus malefícios, mas precisa estar ancorado em estratégias integradas de prevenção, acesso a tratamentos, apoio psicossocial e políticas públicas firmes. A luta contra o cigarro é, ao mesmo tempo, uma ação de saúde, de justiça social e de economia sustentável.

Portanto, no cenário de 2025, reafirma-se a urgência de fortalecer programas de cessação, ampliar campanhas educativas e garantir a implementação efetiva das políticas nacionais de controle do tabaco. Proteger as futuras gerações do tabagismo é um compromisso coletivo que deve permanecer no centro da agenda de saúde pública.

As consequências do tabagismo permanecem devastadoras. Estima-se que 174 mil mortes por ano sejam atribuídas ao cigarro no Brasil, além de um impacto econômico de R$ 153,5 bilhões anuais, somando custos diretos e indiretos.

De acordo com o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Cardiologia, fumar:

    • multiplica em até 3 vezes o risco de infarto agudo do miocárdio;

    • favorece o desenvolvimento de aterosclerose, hipertensão arterial e arritmias;

    • aumenta significativamente a incidência de DPOC, bronquite crônica e câncer de pulmão;

    • reduz a expectativa de vida em até 10 anos.

? Deixar de fumar é um dos maiores investimentos em saúde que uma pessoa pode fazer. No entanto, essa jornada exige informação, acompanhamento multiprofissional e apoio contínuo.

? Aos profissionais de saúde cabe:

    • acolher o tabagista sem julgamentos;

    • explicar com clareza os riscos e benefícios do abandono do hábito de fumar;

    • encaminhar para programas estruturados, como os oferecidos pelo Ministério da Saúde.

    • reforçar estratégias de autocuidado, manejo da ansiedade e prevenção de recaídas.

✨ Cada gesto de escuta pode ser o início de uma grande transformação. E, diante do tabagismo, vale a reflexão: quantos anos de vida estamos dispostos a trocar por um hábito que só nos rouba saúde?

 

Referências:

  • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis. Vigitel Brasil 2023: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico: dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal em 2023. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. 131 p. ISBN 978-65-5993-476-8. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigitel_brasil_2023.pdf.

BRASIL. Instituto Nacional de Câncer – INCA. Brasil gasta R$ 153 bilhões todos os anos com doenças relacionadas ao tabaco. Brasília: INCA, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/noticias/2025/brasil-gasta-r-153-bilhoes-todos-os-anos-com-doenca-relacionadas-ao-tabaco

Eva Costa. Enfermeira Intervencionista I Intensivista I Transição do Cuidado I Mentora de Carreira e Cuidados | @enfevacosta

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SUGESTÃO DE LEITURA: ARRITMIA CARDÍACA | ABLAÇÃO  https://revistadiaria.com.br/saude/arritmia-cardiaca-ablacao/

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