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TATIANA SAMPAIO, ALGUÉM FORA DA CURVA BRASILEIRA

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O feito da pesquisadora Tatiana Sampaio é extraordinário não apenas pelo conteúdo científico da descoberta, mas sobretudo pelo contexto em que ela foi realizada. Descobrir uma proteína com impacto direto na regeneração neuronal, como a polilaminina, capaz de favorecer a reconexão de neurônios e devolver movimentos a paraplégicos vítimas de lesões medulares, já seria notável em qualquer centro de excelência do mundo. Realizá-lo no Brasil, porém, transforma a conquista em algo ainda mais sublime.

O país que, reiteradamente, escolhe investir pouco em Pesquisa & Desenvolvimento não construiu, ao longo das últimas décadas, um ambiente consistente de estímulo à produção científica de ponta. As universidades federais enfrentam restrições orçamentárias, descontinuidade de políticas públicas, evasão de talentos e precarização estrutural. A produção científica brasileira tem apresentado retração, especialmente nas áreas médicas e biomédicas, justamente aquelas que exigem maior infraestrutura laboratorial, financiamento contínuo e acesso a tecnologias avançadas.

Enquanto China, Estados Unidos e Índia lideram os rankings globais de produção científica, ampliando investimentos estratégicos em inovação, e até mesmo a Ucrânia consegue expandir sua produção em meio a um conflito armado, o Brasil opera contingenciamentos. Ainda que a métrica do número de publicações seja questionável, pois quantidade não equivale necessariamente a inovação disruptiva, ela continua sendo um indicador relevante da vitalidade de um sistema científico. E nesse indicador o Brasil tem retrocedido.

Internamente, a produção científica concentra-se majoritariamente nas regiões Sudeste e Sul, em um conjunto restrito de universidades. Além da desigualdade regional, enfrentamos também fragilidade estrutural: dependemos de poucos polos de excelência para produzir conhecimento.

É nesse cenário adverso que o trabalho da pesquisadora Tatiana Sampaio ganha histórica dimensão. Sua pesquisa na UFRJ não é fruto de um sistema robusto e generoso; é resultado de competência técnica, persistência intelectual e determinação pessoal. Descobertas dessa natureza não surgem por acaso. Elas exigem formação sólida, capacidade de formular perguntas originais e coragem para enfrentar incertezas, especialmente quando os recursos são escassos e o reconhecimento institucional é limitado.

O êxito da pesquisadora demonstra duas verdades simultâneas: o Brasil pode produzir talentos científicos de alto nível, mas, paradoxalmente, não oferece condições estruturais compatíveis com esse potencial. Seu feito é raro porque o ambiente é hostil; é excepcional porque o sistema não favorece o extraordinário.

Celebrar com orgulho Tatiana Sampaio não é somente celebrar a ciência brasileira, mas também reconhecer que ainda dependemos apenas de heroísmos individuais.

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SUGESTÃO DE LEITURA: CIENTISTAS ESPANHÓIS ELIMINARAM TUMORES DE PÂNCREAS EM RATOS https://revistadiaria.com.br/saude/cientistas-espanhois-eliminaram-tumores-de-pancreas-em-ratos/

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