A eleição de 2026 no Brasil se desenha, de fato, como um cenário complexo e com potencial para ser um dos mais polarizados de nossa história recente.
Não se trata apenas de uma disputa entre partidos, mas de uma batalha de narrativas, valores e identidades. A análise realista e concreta do pleito passa por entender a profundidade dessas forças em jogo.
Uma Eleição Ideológica por Natureza.
A polarização ideológica que vimos em 2018 e 2022 não é um fenômeno passageiro, mas uma tendência que se aprofundou. A eleição de 2026 será, sim, essencialmente ideológica. A disputa não se dará apenas em torno de propostas econômicas ou sociais, mas de visões de mundo.
De um lado, teremos um polo que defende a intervenção estatal, políticas de inclusão e uma agenda progressista de costumes. Do outro, um campo que valoriza o liberalismo econômico, o conservadorismo social e a defesa de pautas identitárias ligadas à família e à religião.
O centro político, que tradicionalmente buscava um caminho alternativo, está fragmentado e sem uma liderança forte para disputar o eleitorado mais ideologizado. O debate, portanto, será menos sobre “o que fazer” e mais sobre “quem somos”.
A identidade do eleitor, seu pertencimento a um grupo social ou ideológico, será o principal motor de engajamento e de voto.
O Efeito Trump e a Influência do Populismo.
O chamado “Efeito Trump” não é uma novidade, mas uma força consolidada na política brasileira. Ele se manifesta em quatro pilares principais:
Comunicação Direta: O uso massivo de redes sociais para falar diretamente com a base, sem a mediação da imprensa tradicional. Isso constrói um sentimento de pertencimento e lealdade.
Ataque ao “Sistema”: Uma retórica constante de combate às instituições (mídia, Judiciário, academia) vistas como inimigas do povo e da liberdade.
Guerra Cultural: A elevação de temas de costumes (gênero, liberdade de expressão, pautas religiosas) ao centro do debate político, mobilizando eleitores por meio de valores e emoções, não apenas de razão.
Nacionalismo Populista: Um discurso que coloca o país e seu povo contra “inimigos” internos e externos, prometendo restaurar a “glória” nacional.
Esse estilo de fazer política já é a norma para a direita brasileira e será o principal motor de sua campanha. O efeito não se limita a um único candidato, mas molda o comportamento e a estratégia de todos os atores políticos.
Os Cenários em Jogo
A grande questão de 2026, que definirá a dinâmica da eleição, é a presença ou não de Jair Bolsonaro no pleito.
Cenário 1: Bolsonaro Candidato
Caso o ex-presidente consiga reverter as decisões que o tornaram inelegível, a eleição será uma repetição, em altíssima voltagem, do que se viu em 2022.
Polarização Extrema: O debate se dará em torno da gestão atual de Lula e do legado de Bolsonaro. A máquina do governo defenderá seus resultados, enquanto a oposição martelará nas crises e promessas não cumpridas.
Voto Consolidado: Lula e Bolsonaro, com suas bases de apoio fidelíssimas, entrariam na disputa com um patamar de votos já definido, tornando a conquista do eleitor “indeciso” ou de centro o principal objetivo.
Crescimento do Terceiro Voto: Candidatos de centro teriam pouquíssimo espaço, mas poderiam atrair eleitores cansados da polarização, com a possibilidade real de um primeiro turno com mais de dois candidatos competitivos. No segundo turno, no entanto, a tendência de uma nova eleição “Lula x Bolsonaro” seria a mais provável.
Cenário 2: Bolsonaro Fora da Disputa
Este é o cenário mais imprevisível e que pode dar um novo rumo à política brasileira.
Disputa na Direita: O eleitorado bolsonarista, que é grande e fiel, se tornaria o “prêmio” da eleição. A corrida para herdar esse capital político já começou, com nomes como Tarcísio de Freitas (governador de São Paulo), Romeu Zema (Minas Gerais) e Ronaldo Caiado (Goiás) buscando viabilizar suas candidaturas. Há também a possibilidade de Michelle Bolsonaro se candidatar, dividindo as forças do campo.
Fragmentação ou Unidade: A grande incógnita é se um desses nomes conseguirá unir o eleitorado da direita em torno de si. Se a fragmentação prevalecer, o campo da esquerda teria uma vantagem estratégica. Se, por outro lado, uma figura se consolidar como o principal herdeiro do “bolsonarismo” (especialmente com o apoio de Bolsonaro), o cenário pode se assemelhar ao da polarização, mas com um novo rosto.
Oportunidade para a Terceira Via: Sem a figura de Bolsonaro, um candidato de centro teria mais espaço para se apresentar como uma alternativa à polarização. No entanto, ele teria o desafio de conquistar tanto a direita moderada quanto o centro-esquerda, um feito que se mostrou impossível nas últimas eleições.
Em suma, as eleições de 2026, independentemente de quem estiver no páreo, serão um retrato fiel da nossa sociedade. Uma disputa que reflete não apenas a escolha por um líder, mas por um futuro.
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