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PLANEJAMENTO DAS CIDADES: O DESAFIO DE REVERTER O CAOS URBANO

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O crescimento das cidades, especialmente nos países em desenvolvimento como o Brasil, tem ocorrido de forma desordenada e acelerada. Esse fenômeno, muitas vezes ignorado por gestores e pela própria população, gera consequências que afetam diretamente a qualidade de vida urbana.

O avanço das áreas urbanas sem planejamento encarece a manutenção das cidades, amplia vazios territoriais e multiplica conjuntos habitacionais afastados dos centros, sem infraestrutura adequada. Essa expansão descontrolada recai principalmente sobre a população de menor renda, que gasta boa parte do orçamento com transporte e passa horas em deslocamentos. Hospitais, escolas, trabalho e lazer ficam distantes — o que corrói o tempo de convivência familiar e o bem-estar social.

Para mudar essa realidade, é essencial investir em Planos Diretores bem elaborados, que orientem o crescimento e delimitem o perímetro urbano de forma sustentável. Contudo, a eficácia desses planos depende da aplicação rigorosa da legislação de uso e ocupação do solo e do sistema viário — instrumentos muitas vezes negligenciados ou ignorados por interesses políticos e econômicos. Quando essas normas deixam de ser cumpridas, o Plano Diretor perde sua função essencial: promover o desenvolvimento ordenado e humano das cidades.

A transformação desse modelo requer mais que políticas públicas — exige uma mudança cultural profunda. É necessário educar gestores e cidadãos sobre o papel coletivo na construção de cidades mais equilibradas, integradas e humanas.

Enquanto essa consciência não se consolidar, continuaremos a assistir ao crescimento urbano avançando sobre a qualidade de vida das pessoas, sem distinção de classe social. Planejar a cidade, afinal, é planejar o futuro de quem nela vive.

 

Hélio Mendes – Palestrante, consultor empresarial e político. Autor do livro Planejamento Estratégico Reverso e Gestão Reversa. Conselheiro formado pelo IBGC e ex-secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Uberlândia/MG.
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QUANDO A PRODUTIVIDADE VIRA CEGUEIRA

SECRETÁRIO DA JUVENTUDE DO DF LANÇA O PROGRAMA JOVEM CANDANGO 2025

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Com jovens do Programa Jovem Candanngo. Crédito imagem: agênciabrasília

Secretário da Juventude lança o Programa Jovem Candango 2025.

 

Em seu primeiro dia como Secretário da Juventude do Distrito Federal, André Kubitschek marcou o início de sua gestão com uma importante ação: o lançamento do Programa Jovem Candango – versão 2025, por meio da publicação do Edital de Chamamento Público nº 12/2025, que abre processo seletivo simplificado para jovens interessados em ingressar no mercado de trabalho.

O programa, reconhecido por promover a formação técnico-profissional e abrir as portas para o primeiro emprego, oferece 180 vagas para esta edição. A lista de aprovados será divulgada em 5 de dezembro, e os selecionados terão direito a salário compatível com jornada de 20 horas semanais, além de vale-transporte, vale-alimentação, férias, décimo terceiro salário, uniforme e crachá.

Com esse lançamento logo no início de sua gestão, André Kubitschek imprime um novo ritmo à Secretaria da Juventude, pautado na eficiência e na gestão por resultados, adotando métricas inspiradas no setor privado para aprimorar a execução das políticas públicas voltadas à juventude do Distrito Federal.

O Jovem Candango é mais do que um programa de inserção profissional. É uma porta de entrada para o futuro, para o desenvolvimento pessoal e para o protagonismo da nossa juventude”, destacou o Secretário André Kubitschek.

 

EDITAL COMPLETO NO LINK: https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/w/edital-do-processo-seletivo-jovem-candango-e-divulgado

Fonte: https://www.instagram.com/secjuventudedf/

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A CIDADE VENDIDA

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A cidade está ferida, sim. Mas não é um ferimento superficial que se cura com pomada e band-aid; é uma infecção sistêmica, uma gangrena moral que cheira a dinheiro velho e cinismo barato. Moramos, como dizem, em uma cidade vendida, e o pior é que o preço foi irrisório. Fomos trocados por migalhas, promessas vazias e a ilusão de que “agora vai”.​

O que realmente define a paisagem não são os prédios, mas o silêncio. O silêncio é o verdadeiro cimento dessa farsa. Ele não é neutro; é comparsa, é cúmplice de cada manobra, de cada porta fechada onde se decide o futuro de todos. É o silêncio da maioria que, cansada ou anestesiada, prefere a paz podre à perturbação da verdade.​

E nesse cenário, o palco principal é a Câmara de Vereadores, transformada em um teatro de fantoches. Lá, a fiscalização é uma piada interna. Os aplausos são mais altos que as indagações. Onde deveria haver o crivo da lei, há apenas uma reverência subserviente. Vereadores submissos e presos na sua própria covardia. Estão ajoelhados, não perante a Constituição, mas perante a conveniência e, pior, perante os interesses particulares que os mantêm no poder ou lhes garantem a próxima benesse.​

Temos um prefeito condenado que ainda manda. Pense na audácia dessa frase. É a prova de que a moralidade pública aqui é tão frágil quanto papel molhado. A lei existe para os pequenos; para os grandes, ela se dobra, se arrasta, ou, convenientemente, fica cega. O poder aqui não reside na legitimidade do voto honesto, mas na força bruta da impunidade e na certeza de que a indignação popular é fogo de palha.​

E o povo? Ah, o povo. Levanta-se todos os dias enganado, consumindo a narrativa que lhe é vendida, aceitando o mínimo como se fosse o máximo. A esperança é trocada por migalhas de benfeitorias, e a memória é curta, resetada a cada ciclo eleitoral.​

Enquanto isso, a imprensa, que deveria ser o quarto poder e a voz estridente da denúncia, se cala. Não é falta de notícia; é falta de peito e, talvez, de independência financeira. Quem cala, nesse contexto, não apenas consente: quem cala ratifica a venda, carimba a nota fiscal da imoralidade.​

Portanto, a cidade vendida não é um mito. É uma realidade mantida não por um único corrupto, mas pelo coral do silêncio que permite que a podridão continue a prosperar. A cura só virá quando o silêncio for rompido pela fúria justa e a resignação for trocada pela exigência irredutível de moralidade. Até lá, continuaremos respirando o ar pesado da cumplicidade.

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AS RAÍZES PROFUNDAS DA GUERRA NA UCRÂNIA

 

DESAFIOS PARA POLÍTICAS PÚBLICAS DE MANGARATIBA

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Mangaratiba

Dados divulgados nessa semana pelo IBGE revelam um retrato que pode estimular o planejamento de políticas públicas no município de Mangaratiba, especialmente nas áreas de educação, habitação, mobilidade e emprego. O levantamento mostra que 3% da população do município ainda é analfabeta, índice que, embora não seja dos mais elevados, evidencia a necessidade de programas permanentes de alfabetização de jovens e adultos e de reforço à educação básica para evitar a reprodução do problema nas próximas gerações.

Outro dado que chama a atenção é o fato de 15% dos moradores de Mangaratiba viverem em favelas, o dobro do percentual da vizinha Itaguaí, onde 8% da população reside nessas áreas. Essa diferença aponta para um desafio urbano relevante: a precariedade das moradias. Políticas de regularização fundiária, urbanização de assentamentos e ampliação do acesso a serviços públicos básicos — como saneamento e transporte — podem ganhar prioridade da gestão municipal.

Na economia local, 20% da população economicamente ativa de Mangaratiba trabalha no serviço público, o dobro da proporção de Itaguaí, que registra 10%. Há, indiscutivelmente, uma dependência significativa do setor público como fonte de emprego, a indicar fragilidade na diversificação econômica. Fomento ao setor privado, ao turismo sustentável e ao empreendedorismo local é capaz de reduzir essa dependência e dinamizar a economia municipal.

A mobilidade urbana também apresenta contrastes importantes. Em Mangaratiba, 19% dos trabalhadores utilizam ônibus para se deslocar até o trabalho, enquanto em Itaguaí esse número chega a 32%. Em contrapartida, 33% dos trabalhadores de Mangaratiba vão a pé para o trabalho, quase o dobro dos 17% de Itaguaí. Esse dado pode ser interpretado de duas formas: por um lado, indica que há proximidade entre moradia e trabalho; por outro, sugere limitações no acesso a transporte público eficiente e acessível.

Essas informações, quando analisadas em conjunto, mostram um município com forte presença do setor público na economia, desigualdades urbanas marcantes e desafios de infraestrutura e mobilidade. Servem, portanto, como base para a formulação de políticas públicas que visem reduzir desigualdades, melhorar a qualidade de vida e promover o desenvolvimento econômico sustentável.

Mangaratiba tem potencial para crescer de forma bem mais equilibrada, desde que os dados disponíveis sejam utilizados não apenas como diagnóstico, mas como instrumento de planejamento estratégico e tomada de decisão. O uso inteligente das estatísticas do IBGE pode ser o primeiro passo para transformar números em resultados concretos para a população de Mangaratiba.

Luiz Bittencourt
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CENSO DEMOGRÁFICO DO IBGE E BARRA DO PIRAÍ

CENSO DEMOGRÁFICO DO IBGE E BARRA DO PIRAÍ

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Os dados divulgados essa semana pelo IBGE oferecem uma base sólida para que municípios brasileiros revisem seus diagnósticos socioeconômicos e repensem estratégias de desenvolvimento.

No caso de Barra do Piraí, as informações revelam tendências e desafios que, se bem compreendidos, podem orientar políticas públicas voltadas ao crescimento econômico e à melhoria da qualidade de vida da população.

Entre 2010 e 2022, a população de Barra do Piraí apresentou redução de 2%, movimento que exige análise aprofundada de suas causas. Esse decréscimo pode refletir migração em busca de oportunidades, baixa geração de empregos qualificados ou fragilidade em setores estratégicos, como indústria e serviços. Entender o que motiva essa retração é essencial para reverter o quadro e criar políticas de retenção e atração populacional, especialmente de jovens e profissionais qualificados.

O perfil demográfico do município mostra predominância feminina (53%), o que reforça a importância de políticas de empregabilidade, empreendedorismo e apoio social voltadas às mulheres, cuja participação é certamente decisiva na economia local.

Na mobilidade urbana, há um ponto de destaque quando se compara com Volta Redonda, por exemplo: aproximadamente 37% da população utiliza ônibus para se deslocar ao trabalho em ambos os municípios. Entretanto, o uso de automóveis é significativamente maior em Volta Redonda (34%) do que em Barra do Piraí (23%), consequência das diferenças na renda média, estrutura urbana e oferta de transporte público. Políticas voltadas à melhoria da mobilidade, infraestrutura viária e transporte coletivo são, portanto, urgentes para alavancar a produtividade e a integração econômica da cidade.

No campo educacional e produtivo, as discrepâncias na comparação com Volta Redonda são ainda mais reveladoras. Enquanto 21% da população de Volta Redonda possui nível superior completo, em Barra do Piraí esse percentual é de apenas 14%. Essa diferença impacta diretamente a atração de investimentos, a inovação e a competitividade local. Políticas voltadas à educação técnica, superior e à qualificação profissional são fundamentais para elevar o capital humano e estimular o desenvolvimento econômico sustentável.

Por fim, o setor público barrense emprega 11% da população economicamente ativa do município, o que pode representar tanto vulnerabilidade quanto oportunidade, a depender da capacidade do município em criar ambiente favorável ao empreendedorismo, à industrialização e aos serviços de maior valor agregado.

Em síntese, o retrato traçado pelo IBGE pode servir como ponto de partida para a definição de estratégias para o município. Conhecer detalhadamente a realidade local é a ferramenta mais poderosa para transformar dados em desenvolvimento. Quando analisadas, entendidas e incorporadas à gestão pública, essas informações são capazes de redefinir o ritmo de crescimento econômico e abrir caminho para um futuro mais próspero e equilibrado para Barra do Piraí.

 

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HÉLIO MENDES: PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO REVERSO E GESTÃO REVERSA

O BODE E A FUGA: CRÔNICA DE UM JURISTA CANSADO

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A cena é digna de um epílogo amargo, desses em que o herói, ao invés de morrer em glória, opta por uma aposentadoria discreta, talvez com cheiro de naftalina e o barulho distante de um castelo em ruínas.​

O país amanheceu com a notícia, mas a verdadeira bomba não estava no ato burocrático, e sim na Carta Pública que lhe seguiu: um murro no estômago, assinado pelo Instituto Lexum. Uma organização respeitada, de juristas e acadêmicos, que decidiu trocar o latinório pelo vernáculo afiado, o telegrama protocolar pelo libelo moral.​

“Fique, Barroso. Tenha a coragem de assistir ao fim do que você começou.”

​A frase, que serve como epitáfio para o ativismo judicial, resume a crônica de uma era. O texto do Lexum não é apenas uma crítica; é uma acusação de paternidade intelectual abandonada. Eles acusam o Ministro – outrora o luminar da UERJ, o entusiasta da living constitution – de ter trazido para o trópico um belo “romance em construção”, que, nas mãos tupiniquins e sob o calor da trincheira política, degenerou em “panfleto” e na doutrina do “perdeu, Mané, não amola”.​

O neoconstitucionalismo messiânico, aquele que prometia a “recivilização” do país pelas mãos de “intérpretes iluminados”, parece ter entregue uma versão mais rústica e autoritária. O juiz que se fez legislador, a moral pessoal travestida de princípio constitucional, a toga pesando mais que o texto… são as “rachaduras no prestígio da Suprema Corte” que, segundo a carta, carregam a digital do Ministro.​

Eis a tragédia grega do homem público: a idealização da obra se choca com a feiura do resultado.​

A crônica se centra na analogia do “engenheiro de ruínas” que tenta a “fuga disfarçada de cansaço”. O Lexum não aceita o gesto de quem “abandona o navio ao ouvir o estalo da madeira”. A crítica é cirúrgica na covardia: não é o cansaço que o move, mas o desejo de escapar do “veredito histórico”.​

A referência a Roberto Campos, que assumiu a “paternidade do monstro” ao confessar ter criado um carneiro que virou um bode (a correção monetária), é a cartada de mestre. Campos olhou para o desvio de sua ideia e assumiu o bode. Barroso, sugere o Lexum, cogita a aposentadoria precoce sem sequer reconhecer o “bode constitucional” que nos coube, com seus “traços exatos do seu neoconstitucionalismo messiânico.”​ A aposentadoria, nesse contexto, deixa de ser um direito e se torna um ato simbólico.​

“Sua saída não será apenas uma aposentadoria precoce. Será uma confissão”

A frase final, lapidar, é um golpe de misericórdia. O Lexum força a mão: a fuga do campo de batalha, neste momento de erosão da legitimidade e da crítica ao Supremo como “palanque ou púlpito”, não será lida como descanso merecido, mas como o silêncio de quem foge da responsabilidade.​

Resta a lição amarga na memória da nação. Um homem que moldou a maneira como a Constituição é lida, que insistiu na construção de um castelo jurídico com tijolos de moralidade e ativismo, agora se vê questionado sobre a solidez de sua arquitetura. O bode está solto no quintal da República. E o engenheiro, ao que tudo indica, prepara a mala, mas não consegue calar a voz que grita: “Fique para ver a extensão da obra. Fique para explicar a erosão da legitimidade.”​

A crônica do jurista cansado termina não com um suspiro de alívio, mas com um grito de cobrança.

 

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O IMPACTO DO TARIFAÇO NAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS PARA OS EUA

AS RAÍZES PROFUNDAS DA GUERRA NA UCRÂNIA

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A invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022 não foi um ato isolado de agressão, mas o clímax de décadas de tensões geopolíticas, ambições imperiais russas e profundos choques de identidade entre Moscou e Kiev. Os reais motivos da invasão são uma intrincada tapeçaria de fatores históricos, geopolíticos e ideológicos.​

 

1. O Trauma Histórico e a Ambição Imperial Russa​

A fundação do problema reside na visão russa de que a Ucrânia não é uma nação soberana legítima, mas uma extensão histórica e cultural da própria Rússia.

​A Ideia de Russkiy Mir (Mundo Russo): O Presidente Vladimir Putin e seu círculo ideológico operam sob a crença de que russos e ucranianos são, na verdade, um único povo. Essa visão ignora séculos de cultura ucraniana distinta e o Holodomor (a Grande Fome orquestrada por Stálin nos anos 1930), que forjou uma profunda identidade nacional ucraniana baseada na resistência à dominação russa.​

O Colapso da URSS: Para Putin, o fim da União Soviética em 1991 foi a “maior catástrofe geopolítica do século XX”. A independência da Ucrânia, com seu vasto território e acesso ao Mar Negro, é vista como o desmembramento de um império que a Rússia tem o direito e o dever histórico de reconstituir, pelo menos em sua esfera de influência.​

2. O Choque Geopolítico

O Alargamento da OTAN​O segundo motivo central é a expansão da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para o leste. A Rússia vê o avanço da aliança militar ocidental como uma ameaça existencial direta:​

A “Linha Vermelha”: Desde 1999, quando a OTAN começou a incorporar ex-membros do Pacto de Varsóvia, a Rússia tem alertado que a entrada da Ucrânia e da Geórgia na aliança é uma “linha vermelha” inegociável. A Ucrânia compartilha uma fronteira de mais de 2.000 km com a Rússia e é crucial para a profundidade estratégica russa.​

A Ameaça Percebida: Moscou argumenta que se a Ucrânia se tornasse membro da OTAN, mísseis ocidentais poderiam ser posicionados a poucos minutos de voo de Moscou. A invasão, na visão russa, foi uma “guerra preventiva” para evitar esse cenário.​

3. O Fator Político Ucraniano: Democracia e Distanciamento​

O momento da invasão foi precipitado por eventos na própria Ucrânia, onde o povo repetidamente rejeitou a influência russa:​

As Revoluções de Cor: A Revolução Laranja (2004) e, principalmente, a Revolução de Maidan ou da Dignidade (2014) derrubaram líderes pró-Rússia. Maidan foi o ponto de inflexão: milhões de ucranianos foram às ruas para derrubar o presidente Viktor Yanukovych, que rejeitou um acordo de associação com a União Europeia sob pressão de Moscou.​

A Resposta de Moscou (2014): A Rússia viu Maidan como um golpe de estado orquestrado pelo Ocidente. A resposta imediata de Putin foi a anexação da Crimeia e o apoio militar às repúblicas separatistas de Donetsk e Luhansk no Donbass. A guerra de 2022 foi, portanto, uma expansão da guerra iniciada em 2014.​

A Democracia: A Ucrânia estava aprofundando suas reformas democráticas e seu alinhamento com a Europa. A Rússia percebeu que o tempo estava jogando contra seus interesses: a cada eleição e a cada reforma, a Ucrânia se afastava de forma irrevogável de sua esfera de influência.​

Conclusão: Uma Guerra de Três Dimensões​ A invasão de 2022 foi uma tentativa da Rússia de resolver, pela força, esse triplo dilema:​

      • Impedir a perda cultural e histórica da Ucrânia para o Ocidente.
      • ​Impedir o avanço geopolítico da OTAN até suas fronteiras.​
      • Destruir a democracia ucraniana e instalar um regime fantoche que garantisse sua subserviência.​

A guerra não é apenas sobre território, mas sobre a soberania da Ucrânia e a segurança da Europa. A Rússia, sob Putin, demonstrou que está disposta a pagar o preço de uma guerra brutal para reafirmar seu antigo status de grande potência e reverter o veredicto da história que selou o fim do seu império.

 

Persio Isaac
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ANGOLA: GIGANTE COM PÉS DE BARRO

HÉLIO MENDES: PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO REVERSO E GESTÃO REVERSA

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 ENTREVISTA 

Revista Diária entrevistou Hélio Mendes, professor e consultor nas áreas empresarial e política.

 

Professor Hélio Mendes

Com passagem por multinacionais e grandes consultorias, Hélio Mendes lançou o livro Planejamento Estratégico Reverso e Gestão Reversa, duas metodologias que permitem às organizações se reinventarem. A obra é utilizada como texto-base em seus cursos e no reposicionamento estratégico de empresas.

 

Revista Diária Em nossa pesquisa nas redes sociais, identificamos que o senhor é o criador das duas metodologias que, embora aplicadas em outras áreas, ainda eram inexploradas na administração. Em quais premissas elas se baseiam?

Professor Hélio Mendes: As premissas partem da constatação de que, após os anos 1970, não surgiram novas escolas de administração como teoria — apenas enfoques. As empresas passaram a ser geridas com base em estilos diversos, muitas vezes conflitantes, e influenciadas fortemente pela área de tecnologia. Há uma carência de metodologias com visão sistêmica e alinhadas ao cenário globalizado e incerto. Foi nesse contexto que as metodologias foram criadas.

Revista Diária Há, de fato, um vácuo na gestão após o surgimento do ChatGPT. Suas metodologias podem preencher esse espaço?

Professor Hélio Mendes: Sim. Quando atuei na Souza Cruz (BAT), utilizávamos a Administração por Objetivos (APO), criada por Peter Drucker — que tive o privilégio de conhecer em um seminário da HSM em São Paulo —, e me inspirei em Chan Kim, criador da Estratégia do Oceano Azul (INSEAD). Após o surgimento do ChatGPT, percebi a oportunidade de unir essas referências e criar uma abordagem exponencial: o Planejamento Estratégico Reverso e a Gestão Reversa. Essas metodologias reintegram o planejamento à execução — algo que jamais deveria ter sido separado.

Revista Diária A quem se destina esse livro?

Professor Hélio Mendes: É destinado a empresários, conselheiros, CEOs, alta gestão e gestores públicos, o livro apresenta duas metodologias autorais, desenvolvidas no universo da IA e com ênfase na nova geopolítica, com o propósito de apoiar a repaginação das organizações diante de modelos que já não respondem às exigências do presente.

Revista Diária Como foi o lançamento do livro? Onde ele pode ser adquirido e quando os cursos serão oferecidos?

Professor Hélio Mendes: O lançamento ocorreu no canal do Jornalista Orlei Moreira em Uberlândia, apresentado no Castro Café em um evento da HUB e no programa do Jornalista Severino Izael na rádio Vitoriosa. O livro impresso na livraria PLURAL, em Uberlândia, e site da Amazon. Os cursos — que utilizam o livro como texto-base — já estão sendo oferecidos em in company, com o objetivo de iniciar um processo de mudança cultural nas organizações.

 

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BARRA DO PIRAÍ E A CRISE NA SAÚDE DE VOLTA REDONDA

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A atual crise financeira enfrentada pelo setor de saúde de Volta Redonda, que chegou ao ponto extremo de reconhecimento de calamidade financeira e discutir a redução dos salários dos profissionais da área, deve servir como um forte alerta ao município de Barra do Piraí. O episódio, além de preocupar pela gravidade, revela o quanto cidades, ainda que com maior dinamismo econômico, podem ser vulneráveis e alcançadas por crises financeiras.

O caso de Volta Redonda impressiona ainda mais quando se observa seu peso econômico na região Sul Fluminense. O município possui um PIB sete vezes superior ao de Barra do Piraí e cinco vezes mais empregos formais, além de um índice de sustentabilidade fiscal significativamente mais alto. Em termos de atividade econômica, os números também são expressivos: apenas entre janeiro e agosto deste ano, Volta Redonda registrou a abertura de quatro vezes mais empresas do que Barra do Piraí. Ainda assim, mesmo com um ambiente de negócios mais robusto e uma arrecadação proporcionalmente mais sólida, o município se vê às voltas com uma crise capaz de comprometer um dos serviços públicos mais essenciais — a saúde.

Essa triste realidade sugere a Barra do Piraí cautela redobrada e rigor fiscal absoluto. Se um município,com a estrutura econômica de Volta Redonda,enfrenta dificuldades para manter o equilíbrio das contas públicas na saúde, o impacto de uma crise semelhante em Barra do Piraí seria potencialmente devastador. O município, com base econômica mais limitada e menor capacidade de geração de receitas, teria margem de manobra muito menor para corrigir eventuais desequilíbrios.

Planejar é a resposta, com priorização da gestão orçamentária, o controle rigoroso dos gastos públicos e a busca por novas fontes sustentáveis de receita, evitando comprometer serviços essenciais e o equilíbrio das contas. O alerta que vem de Volta Redonda é claro: a dificuldade financeira independe do poder econômico.

Para municípios de mais limitada economia, o risco é exponencialmente maior. O exemplo do município vizinho sugere a Barra do Piraí uma postura preventiva, técnica e responsável — sob pena de enfrentar, em proporções provavelmente mais graves, uma crise que consuma não apenas as finanças públicas, mas especialmente o bem-estar da população.

Em tempos de incerteza, a prudência é a melhor política.

 

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QUANDO A PRODUTIVIDADE VIRA CEGUEIRA

ANGOLA: GIGANTE COM PÉS DE BARRO

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​A história de Angola é um épico forjado no fogo da resistência. Do brilho dos reinos bantu, como o do Congo e do Ndongo, à tragédia da escravidão, a terra nunca se dobrou. Por quatro décadas, a rainha Njinga Mbande desafiou a colonização portuguesa com diplomacia e guerra de guerrilha, cravando na memória a chama da soberania.​

Séculos depois, a luta pela independência, liderada pelo MPLA, FNLA e UNITA, culminaria em 1975, mas a liberdade trocou o domínio colonial pela devastação da Guerra Civil. Durante 27 longos anos, o conflito, alimentado pela Guerra Fria, dilacerou a nação. A paz de 2002 veio, finalmente, para que Angola iniciasse sua reconstrução.

​É neste ponto que a crônica ganha seu contraste mais agudo: a alcunha de “Gigante com Pés de Barro”. Angola é uma terra de imensa riqueza, sustentada pelo petróleo, que financiou a reconstrução de Luanda e atraiu gigantes como a China, principal credora e parceira do país. A base econômica, porém, é frágil, pois a dependência quase total do petróleo torna a nação vulnerável a cada queda de preço no mercado global.​

Apesar da riqueza no subsolo, a desigualdade social é gritante. A prosperidade do petróleo concentra-se em uma elite, enquanto a maioria da população — jovem e resiliente — luta por acesso a serviços básicos. O combate à corrupção tornou-se a bandeira do governo pós-2017, numa tentativa de reformar o Estado e buscar a diversificação econômica através da agricultura, mineração e pescas.​

Culturalmente, Angola é indomável. O Português, adotado como língua de união, ressoa com as nuances do Semba e a energia do Kuduro, enquanto escritores como Pepetela usam a palavra para narrar a alma de um povo que soube transformar a língua do colonizador em ferramenta de autoafirmação.

​O futuro de Angola reside exatamente na superação do seu paradoxo. Não basta ter o ouro negro; é preciso que o desenvolvimento seja sustentável, investindo em infraestrutura verde, educação de qualidade e num capital humano que já provou sua capacidad a fragilidade dos seus “pés de barro”.

 

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