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PERDULÁRIOS PODERES

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O Brasil se contradiz ao exigir cada vez mais do contribuinte, sem que sua respectiva entrega ganhe em eficiência e qualidade. Seus três Poderes operam sob uma lógica estruturalmente perdulária, e o fazem com recursos que não lhes pertencem, mas à sociedade que os financia.

O caso do Poder Judiciário é claro. Matéria publicada no Estadão mostra que suas despesas giram em torno de 1,5% do PIB, o quíntuplo da média internacional de aproximadamente 0,3%, levando o Brasil a figurar entre os países que mais gastam com justiça no mundo. Seus gastos se aproximam de R$ 150 bilhões por ano, dos quais cerca de 83% se destinam a despesas com pessoal: salários, penduricalhos, benefícios e previdência. E mesmo assim, a morosidade processual, o congestionamento de ações, a leniência com a criminalidade e a insegurança jurídica continuam sendo marcas registradas desse sistema cuja estrutura de custo é significativamente desproporcional ao desempenho.

No Estado do Rio de Janeiro, segundo a mesma matéria, o orçamento do Judiciário estadual supera áreas estratégicas do Executivo estadual, como agricultura, transporte, ciência, tecnologia e saneamento. Mais grave: cresce a um ritmo muito superior ao de áreas do Executivo, muitas das quais alicerçam desenvolvimento, produtividade e qualidade de vida. É nítida a distorção nas prioridades orçamentárias.

A anomalia se generaliza e alcança o Legislativo brasileiro, que por sua vez também figura entre os mais caros do planeta, entregando performance incompatível com os recursos que o sustentam. E o Executivo, pressionado por crescentes despesas obrigatórias, opera com um orçamento da ordem de R$ 6,5 trilhões que, ainda assim, se mostra insuficiente diante da contínua escalada das despesas. A única resposta conhecida pelo Executivo tem sido ampliação ou criação de tributos.

Dessa forma, o Brasil disputa posições de liderança internacional em alguns rankings pouco honrosos: gastos com Judiciário, gastos com Legislativo e carga tributária, não esquecendo da desigualdade social. E isso ocorre sem o retorno proporcional em serviços públicos de qualidade, segurança jurídica, infraestrutura ou crescimento sustentável.

Nesse desconfortável ambiente fiscal, causa perplexidade a pretensão do Executivo de implantar redução da jornada de trabalho, quando o próprio Estado consome expressiva parcela da riqueza nacional.

Sem responsabilidade fiscal, sem revisão estrutural de despesas, especialmente aquelas concentradas nos próprios Poderes, e sem foco obsessivo em produtividade e eficiência, os direitos perdem sustentabilidade. E a conta encontra dificuldade em fechar.

O modelo caminha para o esgotamento, o que sugere inversão da lógica, recorrendo à racionalização de despesas, à reforma do Estado com revisão de privilégios e à compatibilização do consumo de recursos com os desempenhos dos Poderes.

 

SUGESTÃO DE LEITURA: A JORNADA DE TRABALHO E O CENÁRIO BRASILEIRO  https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/a-jornada-de-trabalho-e-o-cenario-brasileiro/

A JORNADA DE TRABALHO E O CENÁRIO BRASILEIRO

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A aprovação, pela Comissão de Constituição e Justiça – CCJ do Senado Federal, da PEC que reduz a jornada semanal para 40 horas distribuídas em até cinco dias, com dois dias de descanso, inaugura um debate que precisa ser enfrentado com frieza e responsabilidade. Não se trata de negar avanços trabalhistas, mas de questionar a oportunidade e a coerência da medida diante da realidade estrutural brasileira.

O Brasil ocupa a 94ª posição entre 184 países avaliados pela Organização Internacional do Trabalho – OIT em produtividade, estando estagnado desde 2024. O brasileiro produz, em média, apenas um quarto do que um trabalhador norte-americano produz por hora. Essa diferença brutal não é fruto de exploração da jornada, mas sobretudo de baixa escolaridade, deficiência tecnológica, precária infraestrutura e disfuncional ambiente de negócios. Reduzir horas sem elevar produtividade equivale, na prática, a encarecer o custo unitário do trabalho. Certamente haverá pressão nos preços, nas margens e na competitividade.

Em economias desenvolvidas, a redução da jornada decorreu de ganhos consistentes de eficiência, automação e capital humano. No Brasil, a necessidade eleitoral tenta inverter a lógica: reduzir o tempo de trabalho antes de resolver os gargalos que impedem o trabalhador de produzir mais em menos tempo. O resultado é previsível: perda de competitividade industrial, menor capacidade de exportação e retração do investimento produtivo.

Uma simples comparação com a Argentina revela o contraste conceitual. Enquanto aqui se discute a redução da jornada em um ambiente de produtividade deprimida, lá o debate caminha para ampliar o tempo formal de trabalho para 48 horas semanais, com jornada de 8 horas diárias e reformas estruturais (extinção progressiva da justiça do trabalho, por exemplo) que buscam flexibilizar o mercado. Pode-se discordar do modelo argentino, mas há coerência: primeiro se tenta recompor competitividade, para depois distribuir ganhos.

O cenário brasileiro não é propício. Cerca de um quarto dos municípios não gera riqueza suficiente para custear sua própria estrutura administrativa. Significa que dependem de transferências produzidas por regiões mais dinâmicas. Quando Norte e Nordeste, possuindo 35% da população brasileira, concentram 60% dos beneficiários do Programa Bolsa Família, a questão se reduz à aritmética: é preciso ampliar a base produtiva para sustentar a política distributiva. No ritmo brasileiro, o sistema tende a se tornar insustentável no médio prazo.

Por outro lado, produção de riqueza exige trabalho qualificado, investimento e eficiência. Exige educação básica robusta, formação técnica, digitalização, infraestrutura e simplificação tributária. A redução da jornada, nesse contexto, soa como medida populista direcionada a demandas eleitorais, mas desconectada do desafio central: elevar a produtividade nacional.

O debate político está mal colocado: deveria se deslocar do “trabalhar menos ou mais” para “produzir melhor”. Sem isso, reduzir horas significará apenas repartir uma riqueza que, pela quantidade de necessitados, já é insuficiente, ampliando déficits, pressionando empresas e limitando o crescimento.

A solução da equação de produtividade é a prioridade. Só então haverá espaço para discutir, com responsabilidade, a distribuição dos ganhos do desenvolvimento.

SUGESTÃO DE LEITURA: EMENDA PARLAMENTAR NÃO É FAVOR PESSOAL https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/emenda-parlamentar-nao-e-favor-pessoal/

EMPRESÁRIOS, CONSULTORES E POLÍTICA: A NEUTRALIDADE QUE CUSTA CARO

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Imagem gerada por IA

É recorrente ouvir empresários declararem – inclusive em fóruns estratégicos – que “não gostam de política”. Na prática, porém, nem sempre escolhemos apenas o que nos agrada; escolhemos o que é necessário.

A política integra o macroambiente que molda o destino de nações e organizações. Decisões políticas afetam desde o nível municipal até o equilíbrio de poder entre países. Na nova geopolítica, seu peso estratégico tornou-se exponencial: passou a influenciar diretamente custos, acesso a mercados, crédito, regulação e tecnologia. Ignorar esse vetor é abrir mão de uma variável crítica de competitividade.

Torna-se, portanto, obrigatório que empresários e lideranças dominem esse campo de análise. Consultorias estratégicas precisam incorporá-lo de forma estruturada em seus diagnósticos. Não se trata de “gostar” de política, mas de compreendê-la como fonte simultânea de risco e oportunidade.

É recorrente o erro de delegar decisões políticas como um “cheque em branco” aos eleitos. No sistema atual, emendas e arranjos institucionais deslocaram o centro de poder. Executivos públicos ampliaram sua autonomia relativa frente ao empresariado e ao eleitor. Esse contexto exige leitura refinada do ambiente institucional e capacidade de influência legítima.

O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, já alertava que delegar é instrumento estratégico, não um fim em si mesmo. Delegação sem governança produz assimetrias de poder e riscos sistêmicos. Responsabilidade estratégica não se terceiriza.

A indiferença política de parte do empresariado cobra preço elevado. O país convive com juros altos, insegurança jurídica e erosão da confiança institucional — fatores que encarecem o capital, travam investimentos e reduzem competitividade. Empresas que ignoram a política operam com um mapa incompleto do ambiente competitivo.

Estratégia exige leitura integrada de mercado, tecnologia e poder. No novo tabuleiro global, neutralidade deixou de ser virtude; tornou-se uma decisão de alto risco estratégico.

HÉLIO MENDES

Hélio Mendes é palestrante e consultor empresarial e político, autor de Planejamento Estratégico Reverso e Gestão Reversa. Curso De conselheiro pelo IBGC e ex-Secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Uberlândia (MG).

SUGESTÃO DE LEITURA: TATIANA SAMPAIO ALGÚEM FORA DA CURVA BRASILEIRA  https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/tatiana-sampaio-alguem-fora-da-curva-brasileira/

EMENDA PARLAMENTAR NÃO É FAVOR PESSOAL

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Emenda parlamentar no Distrito Federal: dever institucional, não favor político

Tornou-se comum ver parlamentares anunciarem a destinação de emendas parlamentares como se estivessem realizando um favor à população.

Expressões como “enviei recursos”, “trouxe verba”, “garanti dinheiro” ajudam a construir uma narrativa conveniente, mas imprecisa. Emenda parlamentar não é presente. É dever institucional.

Os recursos destinados por meio de emendas já estão previstos no Orçamento público. São verbas arrecadadas do contribuinte e colocadas à disposição dos parlamentares como instrumento legal do mandato. Cabe a eles indicar a destinação, dentro de limites estabelecidos em lei. O dinheiro não pertence ao parlamentar, nem surge por mérito individual.

No Distrito Federal, que reúne atribuições de estado e município, essa distinção é ainda mais importante. A correta aplicação das emendas deve seguir critérios técnicos, planejamento e prioridades reais, especialmente em áreas sensíveis como saúde, educação, juventude, inclusão e assistência social. Transformar esse instrumento em capital político pessoal enfraquece o debate público e confunde o eleitor.

É preciso lembrar que o parlamentar não executa obras, não contrata serviços e não administra recursos. Essa responsabilidade é do Governo do Distrito Federal e de seus órgãos, sob fiscalização dos tribunais de contas e demais instâncias de controle. A função do eleito é indicar, fiscalizar e prestar contas.

O debate que interessa à sociedade não é quem “mandou mais dinheiro”, mas quais resultados foram entregues. Transparência, impacto social e boa gestão devem ser os critérios de avaliação. Em uma democracia madura, o eleitor não agradece favores: exige responsabilidade.

Emendas parlamentares são ferramentas legítimas e necessárias. Quando usadas com seriedade, fortalecem políticas públicas e atendem demandas locais. Quando tratadas como benesse pessoal, distorcem o papel do mandato.

No Distrito Federal, é hora de reafirmar o óbvio: dinheiro público não é favor político. É compromisso com a sociedade.

 

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SUGESTÃO DE LEITURA: QUE DEMOCRACIA É ESSA? https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/que-democracia-e-essa/

TATIANA SAMPAIO, ALGUÉM FORA DA CURVA BRASILEIRA

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O feito da pesquisadora Tatiana Sampaio é extraordinário não apenas pelo conteúdo científico da descoberta, mas sobretudo pelo contexto em que ela foi realizada. Descobrir uma proteína com impacto direto na regeneração neuronal, como a polilaminina, capaz de favorecer a reconexão de neurônios e devolver movimentos a paraplégicos vítimas de lesões medulares, já seria notável em qualquer centro de excelência do mundo. Realizá-lo no Brasil, porém, transforma a conquista em algo ainda mais sublime.

O país que, reiteradamente, escolhe investir pouco em Pesquisa & Desenvolvimento não construiu, ao longo das últimas décadas, um ambiente consistente de estímulo à produção científica de ponta. As universidades federais enfrentam restrições orçamentárias, descontinuidade de políticas públicas, evasão de talentos e precarização estrutural. A produção científica brasileira tem apresentado retração, especialmente nas áreas médicas e biomédicas, justamente aquelas que exigem maior infraestrutura laboratorial, financiamento contínuo e acesso a tecnologias avançadas.

Enquanto China, Estados Unidos e Índia lideram os rankings globais de produção científica, ampliando investimentos estratégicos em inovação, e até mesmo a Ucrânia consegue expandir sua produção em meio a um conflito armado, o Brasil opera contingenciamentos. Ainda que a métrica do número de publicações seja questionável, pois quantidade não equivale necessariamente a inovação disruptiva, ela continua sendo um indicador relevante da vitalidade de um sistema científico. E nesse indicador o Brasil tem retrocedido.

Internamente, a produção científica concentra-se majoritariamente nas regiões Sudeste e Sul, em um conjunto restrito de universidades. Além da desigualdade regional, enfrentamos também fragilidade estrutural: dependemos de poucos polos de excelência para produzir conhecimento.

É nesse cenário adverso que o trabalho da pesquisadora Tatiana Sampaio ganha histórica dimensão. Sua pesquisa na UFRJ não é fruto de um sistema robusto e generoso; é resultado de competência técnica, persistência intelectual e determinação pessoal. Descobertas dessa natureza não surgem por acaso. Elas exigem formação sólida, capacidade de formular perguntas originais e coragem para enfrentar incertezas, especialmente quando os recursos são escassos e o reconhecimento institucional é limitado.

O êxito da pesquisadora demonstra duas verdades simultâneas: o Brasil pode produzir talentos científicos de alto nível, mas, paradoxalmente, não oferece condições estruturais compatíveis com esse potencial. Seu feito é raro porque o ambiente é hostil; é excepcional porque o sistema não favorece o extraordinário.

Celebrar com orgulho Tatiana Sampaio não é somente celebrar a ciência brasileira, mas também reconhecer que ainda dependemos apenas de heroísmos individuais.

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SUGESTÃO DE LEITURA: CIENTISTAS ESPANHÓIS ELIMINARAM TUMORES DE PÂNCREAS EM RATOS https://revistadiaria.com.br/saude/cientistas-espanhois-eliminaram-tumores-de-pancreas-em-ratos/

MÉDICA REVELA O QUE ACONTECE AO DORMIR COM A PORTA DO QUARTO FECHADO

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Imagem criada com auxilio de Inteligência Artificial

Dormir com níveis de CO₂ acima do recomendado em quartos sem ventilação causa despertares noturnos e cansaço excessivo ao amanhecer.

Manter a porta do quarto totalmente fechada durante a noite pode parecer uma escolha natural por privacidade ou silêncio, mas o hábito esconde um inimigo invisível: o acúmulo de dióxido de carbono (CO₂). Estudos científicos recentes, publicados entre 2018 e 2025, revelam que a falta de renovação do ar em ambientes confinados eleva a concentração do gás expirado, impactando diretamente a arquitetura do sono e o desempenho cognitivo no dia seguinte.
    • Acúmulo de CO₂: em quartos fechados com duas ou mais pessoas, os níveis de dióxido de carbono podem ultrapassar 1.300 ppm (partes por milhão), o que degrada a qualidade do ar.
    • Fragmentação do sono: o excesso de gás carbônico no sangue estimula o sistema nervoso, aumentando os despertares e reduzindo o tempo de sono profundo.
    • Impacto biológico: a má ventilação está ligada ao aumento do cortisol (hormônio do estresse) ao acordar e à sensação de cansaço crônico.
    • Solução simples: deixar a porta entreaberta ou uma fresta na janela é suficiente para promover a troca gasosa e garantir um descanso reparador.

O perigo do ar viciado

A ciência tem olhado com lupa para o que acontece dentro de quatro paredes enquanto dormimos. Uma pesquisa da Universidade de Tecnologia de Eindhoven monitorou voluntários e constatou que, em quartos totalmente fechados, a concentração de CO₂ saltou de 717 ppm para 1.150 ppm em média. Esse “ar viciado” impede que o corpo entre nas fases mais restauradoras do descanso.

Segundo a médica Gabriela Passos Arantes, especialista em Clínica Médica, o mecanismo é fisiológico. “Quando a renovação do ar é limitada, o CO₂ que eliminamos na respiração se acumula. Isso afeta o sistema nervoso autônomo e respiratório, muitas vezes sem que a pessoa perceba conscientemente que o ar foi o culpado pelos despertares frequentes”, explica.

Grupos de risco e desempenho

Embora o impacto seja sentido por todos, alguns grupos sofrem mais. “Idosos e pessoas que convivem com insônia, ansiedade ou problemas respiratórios são mais vulneráveis”, alerta Gabriela. Mesmo jovens saudáveis que dormem o número de horas adequado podem apresentar pior desempenho cognitivo e irritabilidade se o ambiente não estiver ventilado.

O médico especialista em medicina do sono, William Lu, reforça que níveis elevados de CO₂ na corrente sanguínea forçam o organismo a permanecer em estágios de sono leve. O resultado é uma noite “trabalhosa” para o corpo, em vez de relaxante.

Reprodução/PexelsPessoa dormindo na cama
Níveis elevados de dióxido de carbono no ar durante a noite podem elevar a concentração do gás na corrente sanguínea, e a resposta do organismo a essa alteração tende a ser um sono menos profundo

Ventilação vs. conforto

Muitas pessoas optam por fechar a porta por questões de segurança, ruído ou temperatura. No entanto, o “equilíbrio ideal” é mais fácil de alcançar do que parece. Não é necessário dormir com a casa inteira aberta.

“O simples gesto de deixar a porta ligeiramente entreaberta já promove uma circulação suficiente para reduzir significativamente o acúmulo de CO₂”, orienta a médica.

Caso o isolamento acústico seja indispensável, a recomendação é buscar alternativas como sistemas de ventilação mecânica ou deixar uma pequena fresta na janela para garantir a troca de oxigênio.

Karen Moskowitz/ Getty ImagesMulher branca e com os cabelos pretos dormindo em uma cama com lençóis brancos - Metrópoles
Dormir bem é necessário para manter a saúde mental. Alguns estudos sugerem que pessoas com insônia são até dez vezes mais propensas a ter depresão

Higiene do sono vai além do ar

A ventilação é uma peça fundamental de um quebra-cabeça maior chamado higiene do sono. Para que o cérebro desligue de forma eficiente, outros fatores ambientais devem ser controlados.

    1. Ventilação adequada (baixa concentração de CO₂);
    2. Escuridão total (para produção de melatonina);
    3. Silêncio;
    4. Temperatura agradável.

Ao ajustar a circulação de ar do quarto, o indivíduo adota uma intervenção gratuita e acessível que pode ser o diferencial entre acordar exausto ou verdadeiramente renovado.

Fonte: https://www.metropoles.com/vida-e-estilo/medica-revela-o-que-acontece-ao-dormir-com-a-porta-do-quarto-fechada | Camila Santos

SUGESTÃO DE LEITURA: DA INVISIBILIDADE À VOZ ATIVA https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/da-invisibilidade-a-voz-ativa/

 

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TRATAMENTOS CONVENIENTEMENTE DESIGUAIS PARA RISCOS SEMELHANTES

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O Brasil convive naturalmente com desequilíbrios estruturais que, em qualquer país minimamente atento à própria sustentabilidade, seriam tratados como emergência institucional. Oscilamos entre a escolha deliberada, o desconhecimento confortável e a negligência crônica, e, nesse ambiente, as distorções se acumulam.

O rumoroso caso envolvendo Banco Master e Banco Pleno expõe uma dessas fraturas. Instituições cuja carteira de crédito representa menos de 1% do total nacional não poderiam, sob qualquer circunstância, comprometer quase a metade da capacidade do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Quando um episódio dessa natureza ameaça consumir 43% do fundo criado para proteger depositantes, não estamos diante de um “acidente de mercado”, mas de uma sistêmica falha de supervisão. A reação foi imediata: imprensa mobilizada, especialistas convocados, indignação generalizada. Não é para menos: o sistema financeiro é pilar de estabilidade econômica e não pode ser ameaçado por aventuras.

Entretanto, na área política há um desequilíbrio ainda mais profundo, e estrutural, que não recebe tratamento proporcional: a desproporcionalidade da representação política. As regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste concentram cerca de 81% do PIB nacional, mas detêm apenas 58% das cadeiras na Câmara dos Deputados. Já Norte e Nordeste, com 19% do PIB, ocupam 42% das cadeiras. A Constituição estabelece um mínimo e um máximo de deputados por estado, o que produz essa danosa distorção federativa. Entende-se que o objetivo histórico foi proteger estados menos populosos, mas o resultado prático promove relevantes decisões econômicas moldadas por, e para regiões que não carregam, na mesma proporção, o peso da geração de riqueza. A distorção é flagrante.

Não se trata de antagonizar regiões, o Brasil é uno, mas de reconhecer que representação política e responsabilidade fiscal podem, e devem, dialogar de maneira equilibrada. Quando, adicionalmente, 60% dos beneficiários do Programa Bolsa Família se concentram nas regiões Norte e Nordeste, que juntas representam 35% da população brasileira, cria-se um cenário bastante delicado: parte expressiva das transferências públicas flui para regiões cuja influência política supera sua participação econômica. A distorção é flagrante.

Há, porém, perfeito entendimento de que programas de transferência de renda cumprem relevante papel na redução da extrema pobreza e na preservação da dignidade humana. Contudo, o problema se instala quando a assistência não carrega uma estratégia de emancipação econômica. Até porque, transferência não substitui desenvolvimento e proteção social não é modelo de organização econômica.

Em qualquer setor, assimetrias estruturais geram instabilidade e merecem urgente revisão. No sistema financeiro, exige-se rigorosa governança. Na política, nem tanto e naturalmente se aceita distorção histórica como fatalidade. Porém, se é inaceitável que 1% do crédito ameace 43% do fundo garantidor, também é inaceitável que a arquitetura institucional produza desequilíbrios crônicos na relação entre produção de riqueza e poder decisório.

Enquanto as distorções são mantidas, o país continua administrando crises pontuais ao mesmo tempo em que ignora as engrenagens que as produzem. Reage, portanto, aos sintomas, mas preserva a doença. E o risco não é apenas econômico. É institucional. É moral.

Luiz Bittencourt

DA INVISIBILIDADE À VOZ ATIVA

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Giza Soares - Arquivo pessoal

A trajetória de Giza Soares e a construção de espaços de escuta para juventude, mulheres e pessoas PCDs.

A história de Giza Soares começa nas ruas, em uma infância marcada pela ausência de proteção, pela experiência de pedir esmola nas ruas de Brasília e pela passagem por um orfanato. Desde cedo, aprendeu a se adaptar para sobreviver, a observar mais do que reagir e a silenciar para seguir adiante. A violência esteve presente desde a infância, atravessou a adolescência e alcançou também a vida adulta.

Já na fase adulta, casada, os abusos reapareceram em um ambiente que deveria ser seguro. Foi nesse contexto que Giza passou a se questionar não apenas sobre a violência em si, mas sobre as próprias respostas diante dela. Por que reagia de forma diferente do que o mundo esperava? Por que, muitas vezes, demorava a perceber que limites estavam sendo ultrapassados?

O diagnóstico como chave, não como rótulo

A busca por respostas levou a um diagnóstico tardio de Transtorno do Espectro Autista (TEA). O diagnóstico não justificou a violência sofrida, mas trouxe compreensão. Explicou padrões de comportamento, formas de sentir e de processar conflitos que, até então, eram frequentemente interpretadas como fragilidade.

O diagnóstico não me definiu, ele me explicou. Mudou meu mundo”, afirma Giza. “Ele me ajudou a entender que muitas das minhas reações eram mecanismos de sobrevivência, não falta de força.

A partir desse entendimento, aliado ao início de terapias especializadas, Giza encontrou condições reais para se fortalecer emocionalmente e tomar uma decisão definitiva: sair de um ambiente onde não se sentia segura. A separação não foi impulsiva, mas consciente um movimento que muitas mulheres desejam fazer, mas nem sempre conseguem realizar por falta de apoio, acolhimento e estrutura.

Nós não somos responsáveis pelas atitudes das pessoas conosco. As escolhas são delas. O que nos cabe é decidir o que fazemos com isso. A reação é nossa, mas a violência nunca é culpa da vítima”, afirma.

Transformar dor em direção A reconstrução veio com trabalho, escuta e propósito. A palavra ocupou o lugar do medo. A comunicação tornou-se ferramenta. O jornalismo passou a ser um espaço de reorganização do mundo. Hoje, Giza Soares é fundadora de um jornal independente com viés inclusivo, atua em projetos de comunicação e lidera iniciativas na área de inteligência artificial com foco social, especialmente voltadas à escuta ativa de mulheres, juventudes e pessoas PCDs, rompendo com a lógica histórica de invisibilidade e silenciamento.

Meu projeto de vida vai além do discurso. É criar iniciativas que usem a tecnologia para construir inclusão, com ferramentas concretas e funcionais”, afirma, com brilho no olhar.

Sua trajetória dialoga diretamente com o que viveu. Ao falar de si, Giza fala com mulheres que se culpam por não reagirem “como deveriam”, com mães que recebem o diagnóstico de TEA de seus filhos e, num primeiro momento, acreditam que isso reduz possibilidades, e com pessoas neurodivergentes que cresceram ouvindo que não seriam capazes de liderar ou decidir. Fala também com a juventude, mostrando que o lugar de onde se vem não define o futuro.

Giza não romantiza a superação, mas também não a esconde. Sua história não é uma exceção heroica. É a prova de que diagnóstico não é sentença, origem não define destino e que compreensão, apoio e terapia podem ser pontos de virada para trajetórias que pareciam aprisionadas.

Hoje, com a história compreendida e as feridas transformadas em aprendizado, Giza Soares afirma que sua principal motivação é transformar a própria trajetória em ferramenta de acolhimento e escuta coletiva. “O que me feriu não me define, mas as feridas curadas podem servir para curar outras pessoas. Quero ajudar jovens, mulheres e pessoas PCDs a entenderem que são capazes de muito mais do que imaginam. Quando a gente ganha voz, a gente puxa outros para fora do silêncio”, finaliza.


Quem é Giza Soares?

Mãe, avó, jornalista, designer gráfica e publicitária. Empresária na área de comunicação e tecnologia, PCD, com atuação voltada à escuta ativa e à inclusão social. http://@gizasoares | http://jornalcapitalfederal.com.br 


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SUGESTÃO DE LEITURA: OS TEMPOS ERAM OUTROS E OS VALORES TAMBÉM https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/os-tempos-eram-outros-e-os-valores-tambem/

IBICUÍ COMEÇA PRESERVAR SUA INDENTIDADE

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O Carnaval que ora se encerra deixa, para a população de Ibicuí, um saldo inédito: pela primeira vez em muitos anos, a apreensão foi menor que a esperança. A localidade, historicamente invadida por automóveis e visitantes durante o feriado, experimentou um novo padrão de organização. A tranquilidade e a beleza natural, antes sufocadas pelo descontrole, deram lugar a um ambiente mais ordeiro.

A iniciativa do poder público de instituir controle de acesso à praia representou mais do que uma medida operacional, simbolizou a introdução de um novo conceito de gestão. Ao organizar a entrada de veículos, a administração demonstrou que é possível compatibilizar turismo com respeito à população local. A circulação tornou-se fluida, não houve registros relevantes de desordem, e o lazer passou a ser administrado, não improvisado. Isso é civilidade. Isso é planejamento.

Contudo, como em todo processo de mudança, surgiram brechas. Ao concentrar o controle apenas sobre os veículos, o sistema foi parcialmente contornado por visitantes que estacionaram ao longo da estrada de acesso a Mangaratiba e utilizaram as escadas para alcançar a praia. O resultado foi a lotação semelhante à dos anos anteriores, ainda que com menor caos viário. A “esperteza” individual, típica de quem busca vantagens à margem da regra, acabou por enfraquecer o espírito da medida.

Essa distorção pode ser enfrentada com serenidade e firmeza. Se o objetivo é proteger Ibicuí e garantir qualidade de vida aos seus moradores, o controle deve abranger também o acesso por pedestres nas escadas. Não se trata de restringir o direito de ir e vir, mas de organizar o uso de um espaço ambientalmente sensível e estruturalmente limitado.

Nesse contexto, a eventual instituição de uma taxa de manutenção por visitante não deve ser encarada como obstáculo, mas como instrumento de sustentabilidade. Diversos destinos turísticos adotam mecanismos semelhantes para equilibrar preservação ambiental, infraestrutura e fluxo de pessoas. Quando bem estruturada, transparente e vinculada à melhoria dos serviços, limpeza, segurança, ordenamento urbano, a cobrança se converte em investimento direto na própria experiência do visitante e na qualidade de vida do morador.

Mangaratiba demonstra que possui capacidade de avançar. O que se viu neste Carnaval é prova de que a gestão pública não ficou refém do improviso ou do populismo. Há uma solução em construção, com excelente potencial ainda pouco explorado: transformar organização em ativo econômico. Um turismo disciplinado, sustentável e financeiramente responsável pode gerar receita, preservar o patrimônio natural e fortalecer o sentimento de pertencimento da comunidade.

Ibicuí não precisa escolher entre receber visitantes e preservar sua identidade. Pode, e deve, fazer ambos, desde que o planejamento seja completo, coerente e aplicado com equidade. O Carnaval de 2026 mostrou que é possível. Agora, cabe aperfeiçoar o modelo, fechar as brechas e consolidar uma política pública que respeite quem vive ali o ano inteiro e, ao mesmo tempo, valorize quem chega para desfrutar de suas belezas.

SUGESTÃO DE LEITURA: ESTRATÉGIA EM TEMPO REAL: A NOVA DINÂMICA DA LIDERANÇA EMPRESARIAL: https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/estrategia-em-tempo-real-a-nova-dinamica-da-lideranca-empresarial/

ESTRATÉGIA EM TEMPO REAL: A NOVA DINÂMICA DA LIDERANÇA EMPRESARIAL

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O maior risco estratégico do nosso tempo não é errar o plano, mas insistir em planejar com modelos concebidos para um mundo que já não existe. A aceleração geopolítica, tecnológica e regulatória rompeu a lógica linear que sustentou a gestão empresarial ao longo do século XX e expôs os limites das estruturas tradicionais de decisão.

Nesse novo cenário, a separação rígida entre quem decide e quem executa tornou-se um gargalo estrutural. Estratégia e operação precisam atuar de forma integrada, em ciclos contínuos de leitura do ambiente, tomada de decisão e ajuste tático. Organizações que mantêm estruturas estanques tendem a reagir tarde demais aos pontos de inflexão do mercado.

A geopolítica deixou de ser pano de fundo e passou a interferir diretamente nas cadeias produtivas, nos custos operacionais, no acesso a mercados e na soberania tecnológica das empresas. Estratégias eficazes passam a nascer da leitura dos movimentos globais, e não apenas da análise interna ou setorial.

Outro deslocamento relevante ocorre no papel do ecossistema organizacional. Colaboradores, parceiros e stakeholders deixam de ser meros executores para se tornarem cocriadores do posicionamento estratégico. Sem alinhamento do ecossistema, a estratégia perde tração, legitimidade e sustentabilidade no médio e longo prazo.

Decisões de alto impacto exigem, portanto, um diagnóstico preciso do ambiente organizacional e geopolítico. Planejar sem essa leitura amplia riscos invisíveis, compromete a capacidade de adaptação e fragiliza a governança em cenários de instabilidade sistêmica.

É nesse contexto que se consolida a metodologia desenvolvida pelo Instituto Latino, baseada no Planejamento Estratégico Reverso e na Gestão Reversa. A abordagem inverte a lógica tradicional ao modelar a organização a partir do futuro desejado, preparando sua estrutura, cultura e processos para operar em ambientes de alta complexidade e na era da Inteligência Artificial.

Ao substituir modelos estáticos do século XX por arquiteturas de decisão em tempo real, a metodologia viabiliza ajustes estratégicos contínuos, com maior velocidade, coerência e alinhamento entre liderança, operação e ecossistema. O resultado é uma organização mais resiliente, adaptativa e estrategicamente conectada ao novo ciclo econômico global.

Hélio Mendes | Palestrante, consultor empresarial e político. Autor de Planejamento Estratégico Reverso e Gestão Reversa. Curso de Conselheiro pelo IBGC e ex-Secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Uberlândia (MG).

SUGESTÃO DE LEITURA: QUE DEMOCRACIA É ESSA? https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/que-democracia-e-essa/