Início Site Página 8

A NOVA FASE DE IBICUÍ

0

A recente e desconfortável situação de Ibicuí ilustra, de forma muito clara, como a omissão e a ação do poder público produzem realidades completamente distintas para uma mesma comunidade. Não faz muito tempo, a praia de Ibicuí se encontrava praticamente abandonada pelo município de Mangaratiba. A ocupação irregular da faixa de areia e o loteamento de espaços que deveriam ser de uso comum, somados ao descontrolado ingresso de veículos, transformavam o cotidiano dos moradores em um cenário de superlotação, desconforto, desorganização, acúmulo de lixo e perda do direito básico à sua própria cidade. O maior penalizado era justamente o habitante de Ibicuí, aquele que sustenta a economia local e elege as autoridades responsáveis por zelar pelo interesse coletivo.

A mudança de postura do poder público, contudo, mostrou que a degradação não era inevitável. Uma vez alertada para a gravidade do problema, a administração municipal reagiu e adotou medidas concretas: passou a organizar o acesso de veículos, ordenou o uso do espaço público e liberou a faixa de areia, devolvendo-a ao lazer da população. O resultado foi imediato e perceptível. O ambiente melhorou consideravelmente, houve redução dos impactos ambientais decorrentes da ocupação irregular e, sobretudo, resgatou-se o respeito ao morador da localidade, que deixou de ser tratado como intruso em seu próprio território.

Esse processo demonstra que sensibilidade política e capacidade de gestão fazem diferença. Quando o poder público de Mangaratiba se mostra ativo, atento às demandas reais e disposto a enfrentar interesses estabelecidos, o benefício não é abstrato: ele aparece na qualidade de vida, na organização urbana e na preservação do patrimônio natural. Ibicuí torna-se, assim, um exemplo positivo de como a atuação responsável do município pode transformar problemas crônicos em soluções eficazes.

Mais do que um caso pontual, trata-se de um sinal de que a administração local compreendeu seu papel de guardiã do espaço público e dos direitos da coletividade. Mantendo-se e multiplicando-se essa postura, Mangaratiba tende a se consolidar como referência para outros municípios que aceitam passivamente o inaceitável: a privatização de áreas comuns e o descaso com seus moradores. A lição é simples, mas poderosa: quando o poder público reage, organiza e fiscaliza, quem ganha é o cidadão,e, consequentemente, a própria cidade.

SUGESTÃO DE LEITURA: https://revistadiaria.com.br/saude/anvisa-aprova-novo-medicamento-contra-o-alzheimer/

ANVISA APROVA NOVO MEDICAMENTO CONTRA O ALZHEIMER

MARCHESE VINHOS E VINHEDOS. CERRADO DE ALTITUDE TRADUZIDO EM CADA GARRAFA

0

Cerrado de Altitude: quando a vitivinicultura nasce da ciência, do bioma e da experiência no campo

Durante muito tempo, o Cerrado brasileiro foi considerado um território improvável para a produção de vinhos finos. Solo, clima e latitude pareciam desfavoráveis quando comparados às regiões vitivinícolas tradicionais do mundo. No entanto, uma leitura mais aprofundada técnica, agronômica e científica, revelou um cenário completamente diferente.

O Cerrado de Altitude apresenta condições singulares para a vitivinicultura moderna: dias secos e ensolarados, noites frias, grande amplitude térmica e a possibilidade de condução da videira por meio da dupla poda, técnica que permite a colheita no inverno, período de menor incidência de chuvas. Somam-se a isso a diversidade de tipos de solo e a capacidade de manejo preciso do regime hídrico, fatores determinantes para a obtenção de uvas com frescor, equilíbrio e identidade.

Nesse contexto, a vitivinicultura deixa de ser resultado do acaso e passa a ser fruto de decisões técnicas, planejamento e pesquisa contínua. É exatamente essa lógica que orienta o trabalho da Marchese Vinhos e Vinhedos, localizada no Cerrado de Altitude do Distrito Federal. A trajetória da vinícola está profundamente ligada à experiência acumulada ao longo de anos no cultivo de grãos, atividade que ensinou a compreender o comportamento do solo, a dinâmica da água, a fisiologia das plantas e a resposta das culturas às condições climáticas da região.

Esse conhecimento prévio do bioma foi decisivo para a implantação do vinhedo e para a construção de uma vitivinicultura baseada em dados, observação de campo e parcerias com instituições de pesquisa. Hoje, o vinhedo da Marchese também se consolida como um espaço de estudo e experimentação, com pesquisas desenvolvidas em colaboração com o Instituto Federal de Brasília e a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal, aprofundando o entendimento sobre o potencial vitícola do Cerrado.

O resultado desse trabalho aparece de forma clara na taça. Os vinhos apresentam frescor marcante, acidez equilibrada, precisão aromática e uma identidade que reflete o território onde foram produzidos. Não por acaso, os rótulos da Marchese vêm conquistando reconhecimento e premiações, consolidando o Cerrado de Altitude como uma nova fronteira vitivinícola brasileira.

Mais do que produzir vinhos, a Marchese traduz um conceito: o de que antes da taça existe um bioma, e que é a partir do respeito a esse bioma aliado à técnica, à pesquisa e ao tempo — que nascem vinhos com personalidade e autenticidade.

Marchese Vinhos e Vinhedos. Cerrado de Altitude traduzido em cada garrafa.

REVISTA DIÁRIA | www.revistadiaria.com.br | contatorevistadiaria@gmail.com

SUGESTÃO DE LEITURA: https://revistadiaria.com.br/saude/vegetais-que-ajudam-a-proteger-as-arterias/

VEGETAIS QUE AJUDAM A PROTEGER AS ARTÉRIAS

A EXPLOSÃO DAS EMENDAS PARLAMENTARES E O REARRANJO DO PODER

0

Nos últimos três anos, de 2023 a 2025, o país assistiu a uma escalada sem precedentes no pagamento de emendas parlamentares pelo Governo Federal, que somaram R$ 119 bilhões, segundo levantamento do Estadão. Somente em 2025, foram desembolsados R$ 45 bilhões, ou 38% de todo o valor pago no período, um recorde simbólico, por representar a consolidação de um novo padrão de relação entre Executivo e Legislativo.

A trajetória desse modelo revela seu caráter exponencial. Em 2015, as emendas parlamentares totalizavam R$ 2 bilhões. Em 2020, já eram R$ 23 bilhões, um crescimento de dez vezes. Em 2025, o montante dobrou novamente e chegou a R$ 45 bilhões. Não se trata, portanto, de um ajuste marginal no sistema orçamentário, mas de uma profunda reconfiguração da forma como o poder e os recursos públicos são distribuídos.

O resultado mais visível é a transferência gradual do poder decisório sobre o orçamento público do Executivo para o Legislativo, sem, contudo, a correspondente transferência da responsabilidade fiscal. O Legislativo avança sobre o bônus político do gasto, a visibilidade de obras e repasses locais, mas rejeita o ônus do equilíbrio das contas públicas e da previsibilidade fiscal. Esse descolamento entre poder de gasto e responsabilidade fiscal cria um arranjo institucional assimétrico e potencialmente nocivo à gestão macroeconômica.

Para os municípios, as emendas representam a chegada de recursos adicionais, complementando o orçamento local. Ainda que sejam carimbadas, com finalidade definida pelo autor da emenda, o Executivo municipal mantém a responsabilidade pela execução das obras, ou serviços, e pela respectiva prestação de contas. Em muitos casos, esses repasses viabilizam investimentos que, de outra forma, seriam inalcançáveis. Entretanto, não há como negar que beneficiam, de maneira desproporcional, municípios com maior capacidade de articulação política, aprofundando assimetrias regionais e tensionando o equilíbrio federativo.

Por outro lado, somam-se a isso os riscos evidentes de corrupção e opacidade. O volume bilionário, pulverizado em milhares de indicações e intermediários, cria terreno fértil para distorções, superfaturamentos e direcionamentos pouco republicanos. Não por acaso, o tema chegou de forma recorrente ao Supremo Tribunal Federal, que passou a acompanhar e, em certas ocasiões, a decidir sobre os modelos de distribuição de emendas, sinal inequívoco de que a própria institucionalidade brasileira percebe o potencial disruptivo desse mecanismo.

Em síntese, o crescimento explosivo das emendas parlamentares não é apenas uma questão contábil, mas um rearranjo de poder. Ele afeta o equilíbrio federativo e ameaça a responsabilidade fiscal. A desvinculação entre o poder de alocar recursos e a responsabilidade por suas consequências termina por premiar o gasto fácil e punir o planejamento, equação sabidamente avessa ao desenvolvimento sustentável.

 

REVISTA DIÁRIA | www.revistadiaria.com.br | contatorevistadiaria@gmail.com

SUGESTÃO DE LEITURA: https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/2026-e-o-engajamento-do-eleitor/

2026 E O ENGAJAMENTO DO ELEITOR

ANVISA APROVA NOVO MEDICAMENTO CONTRA O ALZHEIMER

0
Imgem Freepik

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo tratamento para a doença de Alzheimer no país. O medicamento Leqembi é capaz de desacelerar a destruição do cérebro causada pela doença e representa um passo importante no tratamento do Alzheimer.

A doença de Alzheimer (DA) é a principal causa de demência neurodegenerativa no mundo. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, mais de um milhão de pessoas convivem com a doença.

Até hoje, não havia tratamento direcionado à doença em si, apenas às suas consequências. A liberação aconteceu no dia 22 de dezembro de 2025.

 Leqembi — Foto: Reuters

Leqembi – Foto: Reuters

Produzido com o anticorpo lecanemabe, o Leqembi é indicado para pessoas que já apresentam demência leve causada pelo Alzheimer.

Esse anticorpo — semelhante aos que o próprio corpo produz para atacar vírus ou bactérias – foi projetado para acionar o sistema imunológico e promover a limpeza da amiloide no cérebro.

Na prática, ele atua contra a substância pegajosa que se acumula no cérebro de pessoas com Alzheimer, chamada beta-amiloide. O acúmulo dessas placas é uma das características definidoras da doença.

O medicamento é administrado por infusão e é recomendado para pacientes nos estágios iniciais do Alzheimer.

O estudo

A eficácia do medicamento foi demonstrada em um estudo publicado em 2022 na New England Journal of Medicine, uma das revistas científicas mais importantes do mundo.

O estudo em larga escala envolveu 1.795 voluntários com Alzheimer em estágio inicial. As infusões de lecanemabe foram administradas a cada duas semanas.

Após 18 meses de tratamento, o lecanemabe reduziu o declínio cognitivo-funcional dos pacientes, indicando uma progressão mais lenta da doença.

Desde 2023, o medicamento já é aprovado pela agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA, e comercializado no país. Agora, passa a estar disponível também no Brasil.

Nos últimos anos, surgiram poucas opções terapêuticas realmente novas capazes de interferir no desenvolvimento e na progressão da Doença de Alzheimer.

Até a década de 1970, sabia-se basicamente que o envelhecimento e a doença estavam associados à atrofia cerebral e ao acúmulo de duas proteínas anormais: a tau, que se deposita dentro dos neurônios, e a β-amiloide, que se acumula fora deles. O tratamento, naquela época, era essencialmente de suporte, incluindo mudanças de hábitos, vitaminas, vasodilatadores e estimulantes da memória, sem eficácia comprovada.

Ao longo dos anos, pesquisadores foram descobrindo a causa raiz da doença e, com isso, conseguindo trazer respostas àqueles que pesquisavam soluções para a doença, abrindo portas para tratamentos, como esse.

“Isso representa uma nova linha de pesquisa e uma porta que se abre de oportunidade para intervir na evolução da doença”, explica Helder Picarelli, neurocirurgião do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Apesar de considerar promissor, o médico explica que ainda é preciso alguns passos antes de considerar esse um sucesso definitivo para a doença.

“Esse tipo de terapia é usando um anticorpo específico, ele tem modificado o tratamento, mas ainda é ainda é novo. Acho que a gente precisa aguardar um pouquinho mais para a gente ter uma conclusão definitiva. Eu não sei se o custo que é elevado e o risco compensa o benefício obtido pelo uso desse tipo de medicação”, explica.

https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/01/08/leqembi-como-funciona-o-novo-medicamento-contra-o-alzheimer-aprovado-no-brasil.ghtml

SUGESTÃO DE LEITURA: https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/inteligencia-artificial-burra-ou-inteligente-e-nos-estamos-evoluindo-com-ela/

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: BURRA OU INTELIGENTE? E NÓS ESTAMOS EVOLUINDO COM ELA?

ENFIM A POSSIBILIDADE DE UM ACORDO MERCOSUL E UE

0

O acordo Mercosul–União Europeia, negociado ao longo de 25 anos, chega a sua fase decisiva precisamente quando o ambiente internacional se tornou incerto.

A aprovação pela maioria dos países europeus, com resistências relevantes de França, Hungria, Polônia, Irlanda e Áustria, deixa claro que o caminho no Parlamento Europeu será turbulento. O cerne das objeções, o temor de impactos sobre o setor agrícola, revela que o debate não é apenas técnico, mas profundamente político, envolvendo identidades regionais, subsídios e a própria noção de competitividade no espaço europeu.

Do ponto de vista brasileiro, há um componente ambíguo difícil de ignorar. A abertura comercial na escala inicialmente prevista coloca a indústria nacional diante de concorrentes mais eficientes, com maior densidade tecnológica e cadeias logísticas consolidadas. Isso imporá uma inadiável agenda de modernização: inovação, digitalização, eficiência logística, melhores práticas de gestão e governança deixam de ser opções e passam a ser condição de sobrevivência. Nesse sentido, o acordo pode atuar como catalisador para um salto qualitativo, pressionando empresas e o próprio Estado a reduzir custos sistêmicos e aumentar produtividade.

Porém, a euforia precisa ser temperada. As cotas e salvaguardas introduzidas pela União Europeia na reta final, aceitas pelo Mercosul, mitigam os potenciais benefícios. Ao limitar acesso e ritmar a abertura, reduzem a amplitude dos ganhos comerciais prometidos nas negociações. O resultado mais provável é um acordo com efeitos positivos, porém, permeado de exceções, menos transformadores do que sugeria o discurso inicial.

Tudo isso ocorre em um imprevisível cenário global. O comércio internacional está sendo redesenhado: cadeias de valor se regionalizam, o multilateralismo perde vigor, a globalização se desconfigura e o protecionismo ganha protagonismo. Nesse contexto, um grande acordo de “livre-comércio” (não será tão livre quanto desejado) surge quase como um “estranho no ninho”, concebido em um mundo e implementado em outro. A defasagem temporal, um quarto de século de negociações, fragiliza previsões e aumenta o risco de frustrações quanto à implementação e aos resultados concretos.

Para a Europa, o movimento tem uma dimensão existencial. Diante da perda relativa de influência geopolítica, da competição tecnológica e financeira entre Estados Unidos e China e das tensões internas, o acordo aparece como tentativa de recompor relevância, ampliar mercados e sinalizar protagonismo. É menos comércio e mais um gesto estratégico: não ser mantida à margem das grandes decisões globais.

Para o Brasil, entretanto, o ganho com maior potencial pode ir além do econômico imediato. Há clara aposta em dividendos políticos: a imagem de um país capaz de participar de um grande acordo e se reposicionar no tabuleiro internacional. No entanto, transformar esse capital político em desenvolvimento concreto exigirá reformas estruturais, segurança jurídica, melhoria do ambiente de negócios e políticas industriais não protecionistas voltadas para produtividade.

Em suma, o acordo Mercosul–União Europeia é uma aposta de longo prazo em um mundo avesso a apostas de longo prazo. Ele traz oportunidades reais, mas circunscritas; impõe desafios severos à indústria brasileira, mas também pode ser o choque competitivo de que ela precisa; dá à Europa um fio de protagonismo e ao Brasil a pretensão de um ganho eleitoral imediato.

O risco maior é tratar o Acordo como solução mágica.

SUGESTÃO DE LEITURA: https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/os-3-grandes-desafios-de-conselheiros-e-ceos-na-nova-era-estrategica/

OS 3 GRANDES DESAFIOS DE CONSELHEIROS E CEOs NA NOVA ERA ESTRATÉGICA

ENTREVISTA COM O CONSULTOR HÉLIO MENDES

0

Revista Diária abre 2026 com uma entrevista exclusiva com o consultor empresarial e político Hélio Mendes, que analisa o ambiente corporativo diante da Inteligência Artificial e das novas tecnologias, além dos rumos de sua atuação em consultoria.

2026 E O ENGAJAMENTO DO ELEITOR

0

As eleições de 2026 terão impacto direto e profundo sobre os destinos dos municípios brasileiros, razão pela qual exigem atenção redobrada e engajamento efetivo dos munícipes. Não se trata apenas de escolher representantes, mas de compreender como o arranjo político-eleitoral influencia, de forma estrutural, a capacidade de cada cidade planejar seu futuro, acessar recursos e afirmar sua autonomia.

Há muito se observa um processo de “loteamento” dos municípios pelo Poder Legislativo, fenômeno que, embora não seja exclusividade do sistema político nacional, assume no Brasil contornos particularmente sensíveis. Assim como no cenário internacional contemporâneo, em que sob a nova ordem mundial regiões do mundo passam a orbitar sob a influência de grandes potências, EUA, China e Rússia, internamente os municípios acabam inseridos em zonas de domínio político, delimitadas pela força eleitoral e financeira de parlamentares com maior densidade de poder.

Esse modelo distorce a lógica da representação democrática. Parlamentares, frequentemente, relegam a segundo plano suas atribuições legislativas e fiscalizatórias para concentrar esforços na gestão seletiva de emendas parlamentares, transformadas em principal instrumento de influência local. O resultado é uma concorrência eleitoral desigual, para não dizer desleal: quem controla o fluxo de recursos públicos passa a deterintransponível vantagem competitiva, dificultando o surgimento de novas lideranças e reduzindo o espaço para propostas inovadoras e projetos de longo prazo.

O problema se agrava quando se observam as assimetrias regionais. Muitos municípios convivem com vizinhos cujas lideranças acumulam capital político ao longo de décadas, sustentado por laços familiares enraizados, pela permanência prolongada no poder ou pela projeção estadual e nacional de seus dirigentes. Esse capital se converte em maior capacidade de articulação, influência sobre decisões estratégicas e prioridade na atração de investimentos, particularmente os públicos. Trata-se de um ciclo que se retroalimenta: municípios fortestornam-se ainda mais fortes, enquanto municípios frágeis veem sua fragilidade aprofundada, com poucas condições de disputar oportunidades ou alçar voos mais altos.

Nesse contexto, as eleições de 2026 não podem ser tratadas com indiferença ou voto automático. Exigem criteriosa análise de cada eleitor, capaz de enxergar além da obra pontual ou do recurso ocasional viabilizado por emendas, priorizando compromissos com o fortalecimento institucional dos municípios, com a equidade regional e com uma atuação legislativa que vá além da lógica imediatista da distribuição de verbas. O que não o impede de escolher quem viabiliza a obra pontual.

Entretanto, o engajamento consciente da população é, sem dúvida, o único contraponto capaz de romper o desequilíbrio e a ineficiência que a incomodam.

REVISTA DIÁRIA | www.revistadiaria.com.br | contatorevistadiaria@gmail.com

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: BURRA OU INTELIGENTE? E NÓS ESTAMOS EVOLUINDO COM ELA?

0

Dizem que a Inteligência Artificial é burra. Outros acham que ela é inteligente.

A verdade? “Inteligente ou Burra” ela faz parte do nosso dia a dia: está no celular, no Pix, nos apps, nas redes sociais.

A IA ajuda, corrige textos, organiza ideias. Mas também falha, principalmente quando precisamos de dados precisos. Por isso, não dá para depender só dela.

A IA aprende todo dia. E a gente?

Não precisa virar programador, mas precisa perder o medo de aprender, testar e evoluir.

A IA é rápida, mas não tem coração. Nós temos. Não é sobre competir com máquinas, é sobre não ficar para trás. Em vez de ter medo, vire o jogo.

Em tempos de IA… seja IA. E, acima de tudo, seja humano.

(Obs: a foto do artigo, foi criada por IA)

REVISTA DIÁRIA | www.revistadiaria.com.br | contatorevistadiaria@gmail.com

O NOVO SALÁRIO MÍNIMO

0

O início de 2026 é marcado pelo anúncio oficial do reajuste no salário mínimo, elevado a R$ 1.621,00, sob a bandeira da valorização do trabalho, da dignidade e do respeito a quem vive do próprio esforço. Contudo, quando se observa a realidade concreta, o contraste entre o discurso e os fatos torna-se evidente.

Considerando a jornada 6 x 1, com cerca de 22 dias trabalhados por mês, e um dólar médio a R$ 5,80, o salário mínimo brasileiro equivale a aproximadamente US$ 279,00 mensais, ou US$ 12,70 por dia, o que resulta em apenas US$ 1,59 por hora trabalhada. Esses números, por si sós, já revelam a fragilidade da renda básica no país. No contexto sul-americano, o Brasil supera apenas a Venezuela, cujo salário mínimo mensal gira em torno de US$ 86,00, posicionando-se muito distante de padrões minimamente compatíveis com economias mais organizadas e produtivas.

A comparação internacional é constrangedora. Enquanto no Brasil a hora de trabalho vale US$ 1,59, no Reino Unido, no Canadá e nos Estados Unidos ela gira em torno de US$ 16,00, consequência de um abismo de produtividade, competitividade econômica e, sobretudo, de capacidade de garantir condições dignas de vida ao trabalhador.

Historicamente, o salário mínimo brasileiro tem perdido relevância. Desde 2014, quando equivalia a cerca de US$ 308,00, houve uma redução de, aproximadamente, 10% em seu poder de compra quando medido em moeda forte. Esse dado mostra que o reajuste nominal, ainda que superior à inflação em determinados períodos, não tem sido suficiente para proteger o trabalhador da alta do custo de vida e do aumento estrutural das despesas essenciais.

Viver com um salário mínimo no Brasil é, essencialmente, um exercício diário de sobrevivência. Seu valor não cobre de forma plena alimentação, moradia, transporte, saúde, educação e lazer para uma família. Essa insuficiência estrutural empurra milhões de brasileiros para o crônico endividamento, impede qualquer tentativa de poupança, amplia a desigualdade social, deteriora a qualidade de vida de toda uma população e obriga o trabalhador a buscar múltiplas fontes de renda, frequentemente na informalidade.

A realidade revela uma contínua perda de poder de compra da população, especialmente dos mais vulneráveis, evidenciando um silencioso processo de empobrecimento do país, agravado pela ausência de políticas consistentes e estruturantes capazes de reverter esse quadro. Sem crescimento econômico sustentável, aumento de produtividade, controle efetivo dos gastos públicos e estabilidade macroeconômica, reajustes pontuais no salário mínimo tendem a ser meramente simbólicos.

Dessa forma, o valor do salário mínimo brasileiro não corresponde aos discursos oficiais de valorização do trabalho e dignidade. A celebração deavanços é duramente confrontada com a exposição dos severos limites dos números. Valorizar o trabalho exige muito mais do que reajustes nominais.

Há uma enorme distância a ser percorrida para que aquele brasileiro que contribui com seu esforço para sustentar o país passe a acessar perspectivas de futuro.

REVISTA DIÁRIA | www.revistadiaria.com.br | contatorevistadiaria@gmail.com

LEIA TAMBÉM: https://wp.me/peiZ9S-aIg

https://wp.me/peiZ9S-aIg

 

 

 

2026: A ESPERANÇA CONTINUA

0


Chegamos a 2026 sob
a égide das promessas e das emoções, combinação recorrente em anos eleitorais, mas que agora se apresenta potencializada por uma sucessão de fatos de elevada gravidade institucional.

Episódios como a liquidação do Banco Master e o desvio bilionário de recursos do INSS, envolvendo instituições que deveriam representar solidez, previsibilidade e confiança, expõem profundas fragilidades do Estado brasileiro. Não se trata apenas do lesivo impacto financeiro, mas do efeito corrosivo sobre a credibilidade do sistema e sobre o envolvimento de autoridades (até agora protegidas por sigilo imposto pelo STF), capaz de gerar legítima e desesperadora insônia nos três Poderes da República.

Nesse cenário já conturbado, o país avança para um ano pródigo em feriados: 16 nacionais, além dos estaduais e municipais, ampliados pela Copa do Mundo de Futebol, que tradicionalmente multiplica pontos facultativos e paralisações informais. A conta fica para o empreendedor.

O problema, contudo, não está no calendário em si. Em vez de se priorizar a geração de emprego, a qualidade do ensino, o aumento da produtividade e o fortalecimento do setor produtivo, consolida-se a narrativa de que a solução para desigualdades estruturais reside na expansão contínua da remuneração do não trabalho, como se a riqueza pudesse ser distribuída indefinidamente antes de ser criada.

As eleições gerais completam esse quadro de incertezas. Longe de se apresentarem como oportunidade de um debate sobre desenvolvimento econômico, responsabilidade fiscal e eficiência do Estado, tendem a se concentrar na preservação do poder e na sobrevivência política. O resultado previsível é a intensificação dos desvios de função da máquina pública, o uso eleitoral de programas sociais cada vez mais caros e insustentáveis, e a exaustiva repetição de genéricos discursos em defesa da democracia.

Enquanto isso, realidades duras se impõem ao cotidiano do brasileiro: aceleração da dívida pública, crônico desequilíbrio fiscal, persistente e crescente corrupção, e a inaceitável leniência com o crime, seja ele organizado ou não. Esse conjunto de fatores forma um caldo perigoso, capaz de transformar 2026 em mais um ano perdido, no qual o setor produtivocorre o risco de se limitar a administrar a estagnação, como forma de se defender de um ambiente imprevisível, além de hostil.

Ainda assim, por mais paradoxal que possa parecer, há espaço para esperança. Ela não nasce de soluções mágicas, mas da crescente consciência de parcelas da sociedade sobre os limites e as fragilidades do modelo atual. A pressão por responsabilidade fiscal, transparência, efetivo combate à corrupção e valorização de quem produz começa a ganhar densidade. Se essa consciência se converter em cobrança permanente, participação cívica e escolhas racionais, 2026 poderá, apesar de tudo, representar não apenas um ano de tensões e promessas, mas o início de uma inflexão necessária para que o país volte a considerar trabalho, educação, produtividade e desenvolvimento como pilares de um futuro sustentável.