No último suspiro de 2025, aprendemos que o tempo não para e que a vida segue, firme, o seu curso, independentemente das circunstâncias.
Houve vitórias e quedas, alegrias e dores. Tudo passa. Nada é permanente no plano material. O que permanece é o aprendizado, a fé e a forma como escolhemos caminhar diante de cada desafio.
Depois da tempestade, vem a calmaria. Após a escuridão, surge a luz.
A vida nos ensina que todo período difícil carrega em si a promessa da renovação. Diante dos outros, que sejamos reflexo da Luz.
Aos raivosos, ofereçamos a nossa serenidade; aos que desejam o mal, um coração voltado ao bem; aos invejosos, a nossa paz e o silêncio de quem confia em Deus. Aos pecadores, ofereçamos o perdão, pois nada do que é físico é eterno – esta é a Lei Divina que rege a existência.
O corpo se desfaz, a arrogância se perde, mas o sonho sustentado pela fé permanece. Quando escolhemos a humildade, o amor e a confiança, o espírito se engrandece.
E assim, tudo se transforma em sorte, resiliência, esperança e fé.
A governança corporativa vive um dos períodos mais complexos da história recente. Conselheiros e CEOs precisam atuar em um ambiente marcado por rupturas simultâneas e profundos desequilíbrios estruturais. Três grandes forças — a nova geopolítica, os modelos organizacionais exponenciais e as tecnologias transformadoras estão redefinindo, de forma decisiva, a competitividade e a própria sobrevivência das organizações.
A nova geopolítica
O cenário internacional deixou de ser estável ou previsível. Novos atores globais, alianças mutáveis e agendas econômicas assimétricas transformaram o ambiente de negócios em um tabuleiro volátil. Os impactos atingem cadeias produtivas, fluxos financeiros, inovação, logística e segurança estratégica. Para governar com responsabilidade, líderes precisam desenvolver visão global, capacidade de interpretar sinais fracos e inteligência estratégica para antecipar rupturas antes que elas imponham custos irreversíveis às organizações.
Organizações exponenciais
A lógica linear perdeu espaço. Metas anuais rígidas, processos sequenciais e culturas resistentes à mudança já não respondem à velocidade atual. A era exponencial exige correções em tempo real, equipes autônomas, experimentação constante e estruturas fluidas. Modelos tradicionais de liderança, antes vistos como estáveis, tornaram-se verdadeiros gargalos. Hoje, a fluidez organizacional não é vantagem competitiva é requisito para sobreviver.
Tecnologias transformadoras
A explosão de inteligências artificiais e a maturidade industrial da robótica estão reconfigurando setores inteiros. Empresas, governos e universidades sentem o “xeque-mate” imposto por essa nova lógica tecnológica. Competências, modelos de negócio e estruturas organizacionais passam por reinvenções diárias. O futuro deixou de ser projeção; é um acontecimento permanente no presente.
A responsabilidade da governança
Ignorar esses desafios é comprometer a continuidade institucional. Em um ciclo de transformações cada vez mais profundas, cabe aos conselhos e CEOs compreender a magnitude das mudanças e liderar com coragem estratégica. Navegar essa nova era não é escolha — é uma obrigação histórica.
Hélio Mendes – Palestrante, consultor empresarial e político, autor de Planejamento Estratégico Reverso e Gestão Reversa. Curso de Conselheiro pelo IBGC e ex-Secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Uberlândia/MG.
No apagar das luzes de 2025, o Poder Legislativo aprovou um corte linear de 10% nos benefícios fiscais federais, alcançando tributos estratégicos como PIS/Cofins, IPI, IRPJ, CSLL e Imposto de Importação, além de ampliar a tributação sobre apostas e fintechs. O discurso oficial argumenta“justiça fiscal”, mas a realidade é bem menos nobre: trata-se de um inadiável movimento para elevar a arrecadação e sustentar a incontrolável expansão dos gastos públicos. Tudo isso em um país que já ostenta uma das maiores cargas tributárias do planeta.
A decisão é reveladora. Quando o tema é ampliar o poder do Estado, o sistema político se mostra uníssono e indivisível. Divergências ideológicas desaparecem diante da conveniência fiscal. O resultado é uma orientação clara: preservar e expandir despesas oficiais, entre elas políticas de emendas e de transferência de renda, por meio da taxação crescente da produção e do consumo.
A lógica utilizada pelo Estado é seletivamente aplicada. Ao taxar o cigarro, afirma-se que o objetivo é reduzir o consumo. Ao tributar bebidas alcoólicas, busca-se conter excessos. Ao multar o excesso de velocidade, pretende-se reduzir acidentes. Em todos esses casos, o tributo tem caráter inibidor. No entanto, quando se taxa a produção, espera-se, provavelmente por alguma inexistente alquimia econômica, que o efeito seja neutro ou até positivo. Não é. A lógica não se inverte.Tributar a produção reduz a atividade produtiva, desestimula investimentos e encarece o crescimento.
Do lado do consumidor, a situação é ainda mais perversa. Além dos impostos incidentes sobre a renda, recompensa pelo esforço produtivo, o cidadão é onerado com IPTU, IPVA, educação privada (após já ter financiado a educação pública), plano de saúde (após já ter financiado o SUS), entre inúmeros outros custos que decorrem da incapacidade do Estado de entregar serviços compatíveis com o que arrecada. Estamos diante de um modelo que,crescente e sistematicamente,desvia renda de quem produz para quem não produz. Nesse contexto, reduzir os ganhos da fonte que financia as transferências é não apenas contraditório, mas economicamente de difícil entendimento. Não há dúvida de que quanto maior a produção e a geração de renda, maior seria a sustentabilidade das políticas sociais.
O incentivo implícito desse modelo é devastador. Ao taxar pesadamente quem produz e remunerar quem não produz, o Estado envia uma inequívoca mensagem: trabalharnão vale a pena. E o risco não é apenas a redução da atividade econômica, mas a penalização do investimento e o estímulo à dependência.
A sinalização para 2026, ano de eleições gerais, é, portanto,alarmante. O setor produtivo, que sustenta o país apesar da hostilidade institucional, enfrentará elevados riscos em um ambiente de insegurança fiscal, asfixiante carga tributária e ausência de compromisso com a racionalização dos gastos públicos.
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A reação do poder público de Mangaratiba à recente indignação popular revelou uma importante constatação: sob pressão social, a administração municipal demonstra ser capaz de cumprir sua missão institucional e produzir benfeitorias concretas para a população que a elegeu.
A liberação da praia de Ibicuí da abusiva ocupação territorial, que, em uma espécie de concessão misericordiosa, deixava pequenos espaços para o lazer dos banhistas, é prova inequívoca de que, quando instado, é possível que o poder público aja.
Entretanto, esse avanço pontual não pode obscurecer a desordem instalada. O abandono de Ibicuí não se restringe à faixa de areia. A qualidade singular que a natureza ofereceu à localidade vem sendo progressivamente degradada pela sistemática omissão da administração municipal. A ausência de controle no acesso ao bairro, por exemplo, transformou o que deveria ser um destino de descanso e convivência em um espaço de tensão permanente para seus moradores.
O desproporcional e desordenado ingresso de veículos é um transtorno para os moradores, gera caos no estacionamento e compromete a mobilidade local. A superpopulação temporária, estimulada pela falta de ordenamento, ocorre sem a mínima estrutura de suporte. O volume de lixo produzido ultrapassa em muito a capacidade do sistema de limpeza urbana. Soma-se a isso a ampliação da demanda por serviços informais, expondo moradores e visitantes a riscos desnecessários. Em síntese, a inexistência de controle no acesso a Ibicuí não produz inclusão nem desenvolvimento: produz desordem, degradação ambiental e prejuízos sociais.
O paradoxo é evidente e perturbador. Aqueles que mais sofrem com as consequências da inépcia são justamente os habitantes de Ibicuí, cidadãos que sustentam o município com seus impostos e que conferiram legitimidade democrática à gestão pública. A falta de reciprocidade no tratamento dado a essa população revela uma lógica perversa: o poder público age apenas quando constrangido, mas se omite quando deveria prevenir e cuidar.
As necessidades de Ibicuí extrapolam ações episódicas motivadas por reclamações. Ibicuí precisa de ordenamento territorial, de controle de acesso, de compromisso com o bem comum e de respeito aos seus moradores.
Por último, mas não menos importante, Ibicuí administrada tem potencial para alavancar retorno político, social e econômico.
Ibicuí já foi sinônimo de refúgio. Um lugar onde o descanso, o convívio familiar e a relação respeitosa com a belíssima natureza definiam a identidade da praia e de seus moradores. Hoje, porém, o que se vê é a erosão silenciosa, e persistente, dessa vocação, substituída por uma desordem administrativa que cobra seu preço mais alto exatamente de quem sempre sustentou a localidade: o habitante de Ibicuí.
O sentimento predominante entre os moradores é o de abandono histórico. Décadas de negligência se materializam na precariedade dos serviços básicos: insuficiente coleta de lixo, inexistência de posto administrativo da prefeitura, quedas frequentes de energia e completa ausência do poder público no ordenamento do espaço urbano e costeiro. A praia, que é um bem público por definição constitucional, foi progressivamente privatizada por meio de loteamentos irregulares e da ocupação ilegal da faixa de areia, convertendo direito coletivo em negócio privado.
A apropriação do espaço público por cadeiras e guarda-sóis instalados ainda ao amanhecer ultrapassa o detalhe incômodo e se transforma em mecanismo de exclusão. Restringe a circulação, intimida moradores, elimina a concorrência e impõe preços artificialmente elevados, criando uma dinâmica predatória que degrada o cotidiano local e distorce a economia da praia. O resultado é a mercantilização de um espaço que deveria ser democrático, acessível e ordenado pelo interesse público.
O caos se intensifica pela absoluta falta de controle de acesso à localidade. Em dias de calor, Ibicuí se torna refém da desorganização: garagens bloqueadas, lixo espalhado, conflitos banais e um ambiente de tensão permanente, tudo isso potencializado pelo descontrole oficial. Não se trata de rejeição ao visitante, mas da constatação de que sem gestão, planejamento e fiscalização, o turismo deixa de ser vetor de desenvolvimento e passa a ser fator de degradação social e ambiental.
Contudo, o aspecto mais grave talvez seja o esgotamento da esperança. O morador de Ibicuí já não enxerga solução, tampouco prazo para o fim da negligência. Quando o poder público se ausenta por tanto tempo, instala-se a descrença, corroendo qualquer perspectiva de futuro.
Ibicuí não é apenas mal administrada; está abandonada à própria sorte. Transformou-se, assim, em uma praia sem perspectiva, onde o passado contrasta dolorosamente com o presente e onde o futuro provavelmente continuará refém da omissão.
Diante desse crítico cenário, a necessidade de uma imediata intervenção administrativa é incontestável.
A recente divulgação, pelo IBGE, do PIB per capita dos municípios brasileiros referente a 2023, oferece não só às administrações públicas, mas também à sociedade um instrumento objetivo de avaliação dos esforços realizados e dos resultados alcançados. Trata-se de um dos indicadores mais relevantes da realidade econômica local, ao expressar a média da produção econômica por habitante, permitindo comparar desempenhos, identificar avanços e revelar fragilidades estruturais. Elevados PIB per capita sinalizam emprego, renda média, negócios e qualidade do serviço público.
Nesse contexto, Barra do Piraí apresentou um expressivo crescimento de 65% no PIB per capita entre 2019 e 2023, atingindo a marca de R$ 34.728,89. Resultado digno de registro, sobretudo quando observado no recorte da região Sul Fluminense, aqui considerada pelos municípios de Barra do Piraí, Barra Mansa, Pinheiral, Resende, Vassouras, Valença e Volta Redonda. Nesse grupo, o desempenho barrense só foi superado por Pinheiral, com crescimento de 72%, e Valença, com 70%, o que evidencia incomum esforço econômico, acima da média regional.
Esse avanço contribuiu para reduzir parte do histórico atraso econômico de Barra do Piraí em relação aos municípios vizinhos. Contudo, os números também deixam claro que o progresso foi insuficiente para retirar o município da incômoda última posição regional na produção econômica individual. As diferenças permanecem profundas e, em alguns casos, exorbitantes: cada morador de Resende, por exemplo, gera uma produção econômica 173% superior à do barrense; em Volta Redonda, essa diferença chega a cerca de 70%. São distâncias que não se extinguem apenas com crescimento percentual, pois refletem estruturas produtivas consolidadas, bases industriais distintas e capacidades fiscais desiguais.
Entende-se claramente que essas disparidades não são meramente estatísticas. Elas impactam diretamente a qualidade de vida da população.
Importante registrar que, independentemente de quem esteja à frente da gestão, os resultados econômicos dizem respeito ao município como um todo. Os números não pertencem a governos, mas à cidade. Foi o município que cresceu, ou deixou de crescer, e, em consequência, são seus habitantes que se beneficiam ou sofrem os efeitos da performance alcançada.
Esse retrato é capaz de alicerçar uma avaliação. Reconhecer o avanço é necessário, mas insuficiente. Desafios não faltam. Uma das alternativas poderia ser transformar crescimento relativo em convergência real que rompa o ciclo do atraso produtivo.
A análise do desempenho das equipes revela padrões que se repetem em organizações de diferentes portes e setores. Ao longo de nossa experiência acadêmica e empresarial, dois cenários surgem com frequência quando gestores buscam compreender a performance de seus colaboradores.
No primeiro cenário, observado em uma empresa com cerca de 900 funcionários, a distribuição de desempenho tende a ser proporcional: um terço apresenta alta performance, um terço permanece na faixa mediana e outro terço fica abaixo do nível esperado. Trata-se de uma fotografia comum, reflexo da diversidade natural de competências dentro de grandes equipes.
O segundo cenário, mais presente em organizações que possuem sistemas sólidos de avaliação, mostra um perfil mais refinado: cerca de 10% dos colaboradores atingem nível de excelência, 80% mantêm desempenho mediano e 10% permanecem abaixo das expectativas. A diferença essencial entre os dois modelos não está na proporção, mas na qualidade e rigor dos critérios adotados.
Avaliar desempenho exige muito mais do que observar resultados pontuais. É necessário considerar a natureza da atividade, o mercado em que a empresa atua e, sobretudo, sua visão estratégica de longo prazo. Sem essa leitura estruturada, torna-se impossível saber se a “tripulação” está realmente preparada para conduzir o “barco” ao destino desejado.
Mais do que um processo burocrático, avaliar, classificar e desenvolver talentos tornou-se um pilar de sustentabilidade organizacional. Empresas que dominam esse ciclo conseguem aumentar produtividade, reduzir gargalos e fortalecer sua vantagem competitiva.
No ambiente corporativo atual, não há espaço para improviso. O desempenho das pessoas é o verdadeiro motor dos resultados — e ignorar isso é abrir mão do futuro.
Hélio Mendes – Palestrante, consultor empresarial e político, autor dos livros Planejamento Estratégico Reverso e Gestão Reversa. Curso de Conselheiro pelo IBGC e ex-Secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Uberlândia/MG.
O ano de 2025 se encerra como um dos mais pesados da história recente do Brasil, tanto sob o prisma ético quanto econômico. Trata-se de uma carga que não se dissipa com a virada do calendário e que, ao contrário, projeta densas sombras sobre 2026.
O país chega ao próximo ano cansado, desconfiado e moralmente ferido, após sucessivos episódios que corroeram dramaticamente a credibilidade das instituições e agravaram a fragilidade das contas públicas. Fatos não isolados, consequentes de uma corrupção estrutural entranhada na promíscua relação entre interesses públicos e privados.
No campo ético, o choque foi profundo. A revelação de gigantescos desvios de recursos destinados a aposentados, estimados da ordem de R$ 6 bilhões, atingiu o coração do brasileiro. A suspeita de envolvimento de autoridades ligadas ao Ministério da Previdência e ao INSS, justamente órgãos incumbidos de gerir os recursos e proteger os mais vulneráveis, produziu indignação em toda a sociedade. O fato de o episódio demandar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado Federal é sintoma da gravidade do escândalo e da incapacidade prévia de os mecanismos de controle simplesmente funcionarem.
Como se isso não bastasse, o país foi sacudido pelo escabroso caso da liquidação extrajudicial do Banco Master, com suspeição de fraude da ordem de R$ 12 bilhões, cuja repercussão extrapolou o sistema financeiro e atingiu o campo institucional. A simples possibilidade de envolvimentos no Supremo Tribunal Federal e em governos estaduais representa um dano ético de incalculáveis proporções, ao lançar dúvidas sobre instâncias que deveriam ser referência de legalidade, imparcialidade e retidão. Em meio a esse contaminado ambiente, o STF optou por dificultar as regras para eventual penalização de seus próprios integrantes pelo Senado Federal, movimento que foi interpretado por amplos setores da sociedade como corporativista e desconectado do sentimento público.
Diante da incontrolável turbulência, o STF anuncia a instituição de um código de conduta para a Corte, que, embora necessário, nasce fragilizado. Sem a clara definição de um órgão fiscalizador independente e com poderes efetivos, tal código corre o risco de se tornar apenas um documento retórico, incapaz de produzir consequências. Norma sem sanção é discurso vazio.
No plano econômico, o cenário também é desalentador. A trajetória da dívida pública, projetada para alcançar 82% do PIB em 2026, após um crescimento acumulado de cerca de 10% nos últimos quatro anos, confirma a ineficácia do arcabouço fiscal. O mecanismo, vendido como âncora de previsibilidade e responsabilidade, mostrou-se incapaz de conter o ímpeto expansionista dos gastos públicos. A consequência é a deterioração da confiança, o aumento do custo de financiamento e a compressão do espaço para investimentos produtivos.
Agrava esse quadro a deficiente gestão das estatais. O déficit de R$ 6 bilhões registrado em 2025 até o mês de outubro, segundo dados do Banco Central, repete o resultado negativo de 2024, o pior da história. No acumulado, desde janeiro de 2023, o déficit das estatais atinge R$ 18 bilhões. Os Correios, mesmo operando em regime monopolista, tornaram-se símbolo dessa ineficiência, com prejuízos que já transbordam para as contas públicas e recaem, inevitavelmente, sobre o contribuinte.
Diante desse conjunto, predomina a sensação de ausência de horizonte. Não há resposta efetiva aos escândalos éticos, não há rigor institucional para restaurar a confiança e não se enxerga possível reorganização das finanças do Estado. O Brasil, assim, caminha para 2026 carregando não apenas números desfavoráveis, mas o déficit da credibilidade.
Constata-se, portanto, que o país seguirá sua trajetória cada vez mais cara para a sociedade, garantindo sua entrada no ano novo com o pé esquerdo.
A aprovação do Orçamento de 2026 pelo Congresso Nacional expõe uma das mais delicadas deformações institucionais do sistema político-orçamentário brasileiro: a explosão das emendas parlamentares e a consequente perda de protagonismo do Poder Executivo na condução das políticas públicas. O que deveria ser um instrumento complementar de participação do Legislativo transformou-se em um mecanismo de substancial apropriação do orçamento, comprometendo a racionalidade do planejamento estatal.
Ao obrigar o Executivo a reservar volumes crescentes de recursos para destinações definidas coletiva ou individualmente por parlamentares, o processo orçamentário perde coerência técnica e visão estratégica. O orçamento deixa de ser um instrumento de governo e passa a operar como uma colcha de retalhos, moldada por interesses paroquiais e imediatistas. Em áreas sensíveis, como a saúde, essa distorção se torna ainda mais grave: recursos que deveriam ser alocados segundo critérios técnicos e epidemiológicos acabam subordinados à lógica política, esvaziando a capacidade do ministério responsável de formular e executar políticas públicas estruturantes.
É verdade que as emendas parlamentares são constitucionais. Contudo, seu exponencial crescimento as coloca em rota de colisão com o princípio da impessoalidade do gasto público, também consagrado na Constituição. Quando o recurso perde sua natureza pública e passa a carregar identidade política, o orçamento deixa de servir ao interesse coletivo e passa a operar como moeda eleitoral. Nesse contexto, a política pública cede espaço ao marketing político, e a eficiência do gasto se torna secundária.
Os números são eloquentes. Para 2026, o orçamento aprovado prevê R$ 61 bilhões em emendas parlamentares, um salto astronômico em relação aos cerca de R$ 4 bilhões previstos em 2015. Essa escalada não representa apenas um aumento de valores, mas uma profunda alteração na correlação de forças entre os Poderes, conferindo ao Legislativo uma liderança desproporcional sobre as políticas públicas, sobretudo no âmbito municipal.
As consequências dessa desorganização orçamentária são amplas e preocupantes. O avanço das emendas eleva os riscos de corrupção, fragiliza os orçamentos municipais, frequentemente dependentes de repasses episódicos e desarticulados, e cria, para a população, a ilusão de fartura. Obras pulverizadas e ações pontuais sugerem prosperidade imediata, mas raramente vêm acompanhadas de planejamento, continuidade ou compromisso com a sustentabilidade do crescimento econômico local.
Além disso, a captura de grande parte do orçamento por emendas impõe um efeito colateral silencioso e, ao mesmo tempo, perverso: a pressão por aumento de impostos. À medida que o Executivo perde margem de manobra para organizar prioridades, financiar políticas estruturantes e cumprir metas fiscais, a alternativa recorrente passa a ser a elevação da carga tributária ou a criação de novos tributos para compensar a ineficiência estabelecida pela fragmentação do gasto público. Em outras palavras, a desordem orçamentária tende a ser paga pelo contribuinte, que arca com mais impostos sem, necessariamente, receber melhores serviços.
Em última instância, um orçamento inflado por emendas compromete o futuro em nome do presente eleitoral. Sem coordenação, sem visão de longo prazo e sem integrada responsabilidade fiscal, o país corre o risco de transformar o orçamento público em instrumento de sobrevivência política, e não de desenvolvimento. Resgatar o equilíbrio entre os Poderes e devolver ao orçamento sua natureza técnica, impessoal e planejada não é apenas uma necessidade administrativa, é uma exigência fiscal.