A CRISE DOS BARES E RESTAURANTES
A nova crise dos bares e restaurantes: mudança no consumo desafia o setor
Depois de enfrentar o pior momento de sua história durante a pandemia de Covid-19, o setor de bares e restaurantes voltou a crescer. O delivery, a revisão de custos e a retomada do consumo permitiram que milhares de empresas se recuperassem financeiramente. No entanto, uma nova realidade vem impondo desafios aos empresários: a mudança nos hábitos alimentares da população, somada ao cenário econômico ainda delicado.
Dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostram que o uso cada vez mais frequente das chamadas canetas emagrecedoras, aliado à busca por uma alimentação mais saudável, já impacta diretamente o faturamento dos estabelecimentos.
Segundo levantamento da entidade, 56% dos restaurantes registraram queda nos pedidos de pratos principais, enquanto 65% observaram redução no consumo de sobremesas. As bebidas alcoólicas também perderam espaço para opções sem álcool, e 64% dos empresários identificaram aumento na procura por porções menores e pratos compartilhados.
Essa transformação favorece um modelo de negócio que há décadas faz parte da rotina dos brasileiros: os restaurantes por quilo. A possibilidade de montar a própria refeição, escolhendo apenas a quantidade desejada, atende ao perfil de consumidores que passaram a comer menos, mas com maior preocupação nutricional.
No Distrito Federal, um caso recente chamou a atenção do mercado. O tradicional American Prime Steakhouse encerrou suas atividades, ampliando a lista de bares e restaurantes que fecharam as portas nos últimos anos. O grupo que operava o Restaurante vendeu para outro grupo, em um momento em que o setor enfrenta uma combinação de fatores adversos, como o aumento dos custos operacionais, a redução do consumo em diversos segmentos e as mudanças provocadas pelos novos hábitos alimentares da população, impulsionados também pelo crescimento do uso das canetas emagrecedoras.
Enquanto isso, bares e restaurantes tradicionais enfrentam o desafio de adaptar seus cardápios a uma nova realidade. O setor ainda convive com custos elevados de alimentos, bebidas, energia e mão de obra, além das dívidas acumuladas durante a pandemia. Com um tíquete médio menor por cliente, manter a rentabilidade tornou-se uma tarefa cada vez mais complexa.
Especialistas avaliam que a transformação vai além do impacto dos medicamentos para perda de peso. O consumidor brasileiro está mais atento à qualidade da alimentação, priorizando proteínas, saladas e refeições equilibradas em detrimento de pratos excessivamente calóricos.
Assim como a pandemia acelerou a expansão do delivery, a busca por uma alimentação mais saudável tende a provocar uma nova revolução no setor de alimentação. Os estabelecimentos que conseguirem adaptar seus cardápios e oferecer opções alinhadas ao novo perfil do consumidor terão maiores chances de crescer em um mercado cada vez mais competitivo. Já aqueles que demorarem a acompanhar essa mudança poderão enfrentar dificuldades cada vez maiores em um cenário econômico que ainda inspira cautela.
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