Cerrado de Altitude: quando a vitivinicultura nasce da ciência, do bioma e da experiência no campo
Durante muito tempo, o Cerrado brasileiro foi considerado um território improvável para a produção de vinhos finos. Solo, clima e latitude pareciam desfavoráveis quando comparados às regiões vitivinícolas tradicionais do mundo. No entanto, uma leitura mais aprofundada técnica, agronômica e científica, revelou um cenário completamente diferente.
O Cerrado de Altitude apresenta condições singulares para a vitivinicultura moderna: dias secos e ensolarados, noites frias, grande amplitude térmica e a possibilidade de condução da videira por meio da dupla poda, técnica que permite a colheita no inverno, período de menor incidência de chuvas. Somam-se a isso a diversidade de tipos de solo e a capacidade de manejo preciso do regime hídrico, fatores determinantes para a obtenção de uvas com frescor, equilíbrio e identidade.
Nesse contexto, a vitivinicultura deixa de ser resultado do acaso e passa a ser fruto de decisões técnicas, planejamento e pesquisa contínua. É exatamente essa lógica que orienta o trabalho da Marchese Vinhos e Vinhedos, localizada no Cerrado de Altitude do Distrito Federal. A trajetória da vinícola está profundamente ligada à experiência acumulada ao longo de anos no cultivo de grãos, atividade que ensinou a compreender o comportamento do solo, a dinâmica da água, a fisiologia das plantas e a resposta das culturas às condições climáticas da região.
Esse conhecimento prévio do bioma foi decisivo para a implantação do vinhedo e para a construção de uma vitivinicultura baseada em dados, observação de campo e parcerias com instituições de pesquisa. Hoje, o vinhedo da Marchese também se consolida como um espaço de estudo e experimentação, com pesquisas desenvolvidas em colaboração com o Instituto Federal de Brasília e a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal, aprofundando o entendimento sobre o potencial vitícola do Cerrado.
O resultado desse trabalho aparece de forma clara na taça. Os vinhos apresentam frescor marcante, acidez equilibrada, precisão aromática e uma identidade que reflete o território onde foram produzidos. Não por acaso, os rótulos da Marchese vêm conquistando reconhecimento e premiações, consolidando o Cerrado de Altitude como uma nova fronteira vitivinícola brasileira.
Mais do que produzir vinhos, a Marchese traduz um conceito: o de que antes da taça existe um bioma, e que é a partir do respeito a esse bioma aliado à técnica, à pesquisa e ao tempo — que nascem vinhos com personalidade e autenticidade.
Marchese Vinhos e Vinhedos. Cerrado de Altitude traduzido em cada garrafa.
