Carregando agora

ANDRÉIA SALLES DEFENDE PROTEÇÃO ÀS MULHERES, COMBATE À DEPENDÊNCIA QUÍMICA E PRESERVAÇÃO DO ALTIPLANO

Em sua segunda disputa por uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal, Andreia Salles amplia o conjunto de pautas que pretende levar ao debate eleitoral. Com 23 anos de atuação no apoio a pessoas que enfrentam a dependência química, ela afirma que a experiência acumulada nos últimos anos fez novas demandas chegarem ao seu trabalho, especialmente relacionadas à violência contra a mulher. Jornalista de formação, também incorporou à sua agenda a defesa da segurança para profissionais de imprensa e o combate ao que classifica como assédio judicial contra jornalistas. Moradora do Altiplano Leste há 25 anos, Andreia ainda aponta preocupações com os impactos da nova Ponte da Barragem sobre a mobilidade e a preservação ambiental da região.

 

Por Jorge Eduardo Antunes 

Por que você segue na política partidária aqui no Distrito Federal e por que você está colocando de novo seu nome à disposição do eleitorado?

Estou vindo pela segunda vez porque se diz muito na política que você, após a eleição, precisa avaliar se você saiu maior ou menor do que você era. E eu saí maior da última eleição, talvez não pelos números, mas pelas possibilidades de ajudar todas as organizações sociais que rodeiam a questão da dependência química, mas, depois da última eleição, também abarcou, dentro das minhas causas, a questão da mulher. Eu já lidava um bocado com as mulheres porque na questão da dependência química a família que apoia o dependente químico, seja ele quando ele ainda está muito no uso, seja ele no período de reabilitação e, depois, no período de recessão na sociedade, a família é basicamente composta por mulheres, porque quem acompanha esse dependente químico é a mãe, é a irmã, é a tia, é a avó. Tem muitas avós nessa luta. E aí essas mulheres começaram a chegar até mim com outras causas, porque viram que eu resolvi encarar a política e disseram assim, olha, a gente está com outro problema. E aí os problemas vieram como uma avalanche na minha vida. E o maior deles é a questão da violência contra a mulher, sem dúvida nenhuma. Então, quando eu digo que eu saí maior da última eleição, é por causa disso, porque as pessoas, principalmente as mulheres, os dependentes químicos já me viam dessa forma, como uma pessoa capaz de lutar por essas pessoas que estão enfrentando a saída do uso de substâncias, porque basicamente quem eu tento apoiar, porque a pessoa precisa querer sair para eu poder efetivamente ajudá-la. Então, a partir disso as mulheres vieram até mim.

O que você achou da proposição do GDF da internação involuntária dos dependentes químicos que estão em situação de rua?

Já existia essa possibilidade de internação involuntária, só que eles mexeram um pouquinho na lei. Essa mexida que eles deram na lei facilitou a internação involuntária, que precisa da Justiça, é complexo, mas facilitou. Se bem aplicada, é muito bom. O grande gargalo sempre será a aplicação da lei, porque ela precisa ser bem aplicada. Tem pouco tempo que isso aconteceu, acho que não tem nem seis meses, a gente está em ano eleitoral, então eu acho que não deu muito tempo para a gente ver se essa mudança está sendo bem aplicada. Acho que precisa esperar um pouco mais para ter certeza de que está sendo benéfico para a sociedade.

Muita gente critica esse tipo de postura, mas você acredita que o Estado está tentando com a internação involuntária limpar as ruas dos dependentes químicos?

Quando eu falei que a gente precisa ver se a aplicação dela está sendo benéfica é exatamente isso, porque não adianta você ir com essa política que é chamada de higienização, que é um horror esse tipo de coisa. São pessoas, aquelas pessoas têm família, são pais de família muitas vezes, têm filhos, também são filhos de alguém e a dependência química ela é como ser humano: não existe um igual ao outro. Tudo na dependência química tem que ser tratado de caso a caso. Você não pode chegar, tirar todo mundo e jogar por aí em outro lugar. Além de ser higienização, uma coisa horrorosa, você vai transferir o problema de um lado para o outro. E tem que resolver.

Tem muita crítica com relação a clínicas e comunidades terapêuticas, mostrando que algumas são meros depósitos de ser humano. O que você acha desse quadro?

Eu tenho pouca experiência com clínicas, porque a minha forma de trabalhar o apoio ao dependente químico que quer sair é o pedido, é a voluntariedade de se tratar. Então eu não vou falar de clínica porque não tenho experiência com isso, vou falar das comunidades terapêuticas. São um grande equipamento capaz de salvar vidas, capaz de tirar pessoas das drogas, capaz de tirar pessoas do vício contumaz. Eu sou uma entusiasta do formato, mas também acredito que ele não é formato único, porque da mesma forma que o ser humano é diferente um do outro, vai ter gente que não vai se adaptar à comunidade terapêutica. E aí como é que ele vai se adaptar? De repente ele vai se adaptar no formato do CAPs, que são os Centros de Atenção Psicossocial do Governo, que tem no Distrito Federal todo. Na verdade, tem no Brasil todo. Tem gente que vai conseguir parar de usar só com a questão religiosa, ou tem gente que vai conseguir parar de usar sem a questão religiosa, sem o CAPS e sem a comunidade terapêutica, nos narcóticos anônimos, nos alcoólicos anônimos, que não têm nenhum desses formatos. Já falei com você quatro formatos, e tem as clínicas, tem gente que vai precisar de uma clínica, cinco formatos. Eu acredito que a gente precisa ter um cardápio de opções, o que o dependente químico achar que é mais adequado para ele, precisa ser oferecido.

E se for redução de danos?

Eu só lido com a questão das pessoas que querem sair do uso de drogas, então eu não avalio a redução de danos, porque não é um formato que eu tenha muita interseção, porque eu tive acesso a poucos casos de redução de danos e em todos eles as pessoas sempre me relataram, um tempo depois, que elas optaram por uma droga que não era a droga de adicção, porque o dependente químico, cria amor por aquela droga, e aí ele troca por outra, e aí depois, de um longo tempo, ele volta para a droga de adicção dele, que é a que ele realmente ama. Então eu achei que era um pouco de não chegar ao objetivo.

É desconectado da tua filosofia de tratamento da dependência química, é isso?

Eu não vou chamar de filosofia de tratamento, porque a minha experiência vem do exercício de campo. Estou há 23 anos ajudando pessoas a saírem da dependência química. Cerca de 500 pessoas por ano, mais ou menos, vem até mim e que eu ofereço a ajuda de sair do uso. E aí dentro dessa experiência, o que eu vejo, não foram muitos casos, é que no final dessa trajetória, a pessoa acabou voltando para a droga de adicção.

Bom, existe também, Andreia, uma confusão grande entre dependência química com dependente químico em situação de rua, e as pessoas que estão em situação de rua, porque estão vivendo nas calçadas da cidade. Sua política também alcança as pessoas que estão morando nas ruas, estão vivendo sob as marquises?

Efetivamente, o que vem até mim é só a pessoa que está fazendo o uso. Eu até enxergo as famílias que estão morando na rua, mas não são pessoas que vêm pedir ajuda. De vez em quando aparece alguma perguntando, principalmente estrangeiros, as nossas ruas de Brasília começaram a encher de estrangeiros, então, principalmente eles vêm até mim para perguntar sobre albergue, como é que é, onde é, como funciona, mas são públicos muito diferentes. E aí, nesse caso das pessoas que não estão fazendo uso, acho que precisa de uma política bem diferente de moradia para o DF, porque muitas precisam de moradia. Outras já deu para perceber que não precisam, porque elas estão de segunda a sexta no Distrito Federal como pedintes, e no final de semana voltam para as suas casas, o que eu, nesses anos, pude perceber que é muitas pessoas são de Santo Antônio descoberto. É uma coisa até que, para mim, quando comecei a descobrir isso, fiquei surpresa. Muitas pessoas de lá passam a semana aqui como pedintes e voltam para casa nos finais de semana. Então, acho que o DF também precisa fazer uma política ligada a essas cidades do entorno, como Santo Antônio do Descoberto, para que tenha eficácia, mas não é muito algo que eu consigo opinar.

Puxando para a pauta da mulher, já que ela foi derivada originalmente da pauta da dependência química, hoje a gente assiste uma situação terrível, que é o feminicídio. Feminicídio no DF ninguém consegue controlar. O que dá para fazer para tentar reduzir esse problema, que é uma chaga do DF hoje?

Quando esse problema chegou até mim, há quatro anos, acreditei que a gente tinha que trabalhar para empoderar as mulheres. De que forma, na época? A gente tinha que lutar para que essas mulheres conseguissem ter alguma atividade de trabalho, aprendessem algum ofício rápido, porque o que eu percebia é que a maioria delas estava ligada financeiramente ao agressor. Então, ela não conseguia sair do jugo do agressor, porque ela não tinha nem para onde ir. Não tinha família, não tinha casa, tinha filho pequeno. E aí, eu falei: tenho que ensinar essas mulheres a terem alguma coisa. Comecei a correr muito atrás de cursos de colocação de cílios, design de sobrancelha. No meio desse caminho, há uns dois anos mais ou menos, eu percebi um outro problema e eu tive que dar um passo atrás nisso: a mulher se empodera e aí vem o maior problema de todos. Ela não tem com quem deixar o filho para trabalhar. Ou ela tem uma atividade que ela pode levar a criança ou não vai desempenhar essa atividade. Então, o que eu descobri? Não existe empoderamento feminino sem creche e é creche em tempo integral. Então, dei um passo atrás na questão e comecei a buscar instituições que faziam essa operação de creche, local onde as crianças podem ficar durante o dia e corri atrás de verba para esses lugares. E, a partir daí, comecei a colocar nesses pontos cursos de empoderamento feminino para que essas mães também tivessem a oportunidade de fazer dinheiro para poder sair do jugo do agressor.

A gente pode intuir que tanto a pauta da dependência química quanto a pauta do empoderamento feminino e das creches vão estar no seu radar. A gente pode dizer que essas duas pautas aí vão ter uma atenção especial em termos de emenda parlamentar caso seja eleita?

Você imagina que hoje, sem emenda, já estou fazendo isso. Sempre brinco: quando eu chego nas instituições, nas creches de iniciativa de ONGs, eu chego e falo assim, ‘o que você está precisando?’ Eles ficam meio assustados. Eu falo assim: ‘fala o não eu já tenho. Eu vou sair pedindo’. E quase que 90% das vezes eu consigo, com a iniciativa privada, com empresários, a manutenção de um ano daquela creche, por exemplo. Aquela creche funciona no local em que precisa pagar uma mensalidade de R$ 800 por mês. Aí eu consigo um empresário para pagar um ano daquela creche. Ah, Andreia, e no final de um ano? Eu não vou me preocupar com isso agora. Eles também estão correndo atrás de verbas, eles correndo atrás de outras coisas. Daqui a um ano a gente volta a se falar. Eu vou achar outro empresário para pagar ou vou achar alguém que pague de outra forma ou algum instituto internacional, porque eu também fico buscando empresas internacionais para fazer isso. E é assim. Então, o dia que eu tiver a emenda, com certeza eu já sei para onde elas vão. Elas vão para instituições que conseguirão lutar junto comigo dentro das minhas causas.

Andreia, você é jornalista de formação. Todo jornalista de formação e todo jornalista que trabalha, e você ainda trabalha ligado a esse mercado, pelo que eu sei, tem preocupações com a sua atividade. Está na tua pauta o jornalista e o jornalismo?

O jornalista, a minha categoria, entrou na minha pauta esse ano. Comecei a perceber, e até sofri na pele, a perseguição que a minha categoria, a nossa categoria, está sofrendo. Eu vi jornalistas no meio da rua, sem poder fazer pergunta, porque ou era agredido pela pessoa que eles estavam fazendo a pergunta, ou por alguém em volta, algum apoiador em volta. Eu comecei a perceber um assédio judicial à categoria de jornalista, que são processos sistemáticos na justiça com o objetivo de acabar financeiramente com o jornalista, ou então destruir a carreira do jornalista. E aí, esse ano, venho com quatro pautas fortes ligadas ao jornalismo. Porque a nossa categoria, a minha categoria, precisa de ajuda.

Quais são essas pautas? Você pode enumerá-las?

A primeira é a questão da segurança. A gente precisa criar protocolos dentro da PM e da Polícia Civil, com zoneamento de segurança para jornalistas que estão fazendo cobertura de rua, em manifestações, na porta de órgãos públicos e nas calçadas. A gente precisa ter um protocolo para que as nossas forças de segurança consigam garantir a nossa atividade. Por quê? Imprensa segura é democracia viva. Se a gente não tem imprensa segura, a gente não tem democracia viva. É isso. A minha segunda proposta é mexer no Código de Ética da Câmara Legislativa do DF. Qualquer parlamentar que atacar algum jornalista ou divulgar dados pessoais do jornalista, seja na bancada, seja no microfone, seja nas redes sociais, precisa ser punido.

Mas quando você fala atacar, você está tirando um pouco do direito de livre manifestação de deputado, é isso?

Não. Ele pode se manifestar do jeito que quiser. Mas a gente conhece muito bem o que é ataque, o que é ataque sem fundamento nenhum e o que é o ataque da reclamação do que saiu.

Esse não teria influência?

De jeito nenhum. O parlamentar pode reclamar do que ele quiser. Mas ele não pode dizer que o jornalista é mentiroso sem provas. Ele não pode classificar um veículo como produtor de fake news sem provas. Até porque fake news não existe, porque news é notícia. Notícia sempre será notícia. Ela nunca será falsa. É isso. Então, a gente precisa separar o joio do trigo. Reclamação é lícita. Ataque, não. E o Código de Ética da Câmara Legislativa precisa prever esse tipo de coisa. Assim como o parlamentar divulgando a nossa família, a rede social da nossa família, para que os seguidores dele comecem a atacar a nossa família. Divulgando CPF de jornalista, divulgando endereço de jornalista com o objetivo de fazer os próprios seguidores atacarem o jornalista. É isso.

O que mais?

O assédio judicial, que eu tinha falado. A minha ideia, nesse caso, tenho uma preocupação muito grande em fazer propostas que sejam constitucionais. Então, eu quero criar o Observatório da Câmara Legislativa. E o que esse observatório vai fazer? Ele vai mapear ações judiciais que estejam tramitando na justiça e que tenham o único intuito de perseguir, deslegitimar ou destruir um jornalista. Isso se chama assédio judicial. E o primeiro foco disso é atacar financeiramente o jornalista. E a gente sabe como isso funciona. Até nem precisa ser jornalista para saber como funciona um assédio judicial. Entendeu? Então, essa é a minha terceira proposta. E a minha última proposta é a categoria ter prioridade, tanto no SUS quanto nos CAPs, nos Centros de Apoio Psicossocial, para jornalistas que estejam sendo perseguidos nas redes sociais ou que tenham sofrido violência durante cobertura na rua.

Essa prioridade é muito importante porque, de fato, o problema está muito sério. Vamos passar para o Altiplano Leste. Você é moradora do Altiplano há 25 anos. Morando lá, você deve ter passado por toda a transformação daquela região. O que você enxerga que você pode fazer pelo Altiplano e Jardim Botânico se eleita?

Foi muito legal a minha primeira panfletagem no Altiplano porque as pessoas se assustaram. Quando eu falava 25 anos de Altiplano, as pessoas falavam nossa, então você chegou aqui e não tinha nada. Aí eu falei assim, é só tinha mato. É isso. O Altiplano é uma região rural. Quando eu cheguei lá, só tinha mato. Só que agora, na virada do ano, foi assinada a obra da Ponte da Barragem. E, se você der uma olhada no mapa da ponte, ela acaba dentro do Altiplano, uma zona rural. Não tem duas faixas indo e duas faixas vindo. É só mão dupla, ou seja, mão e contramão. Enfim, o que acontece? O Altiplano não está preparado para receber esse fluxo, que vai passar na nossa porta. Hoje, no Altiplano, se você tentar sair dele 17h, já vai pegar um engarrafamentozinho da Barragem do Paranoá, que não pode ter caminhão com mais de dois eixos. Que recebe um ou outro ônibus de turismo que está passando por fora de Brasília para ir para Fortaleza e outros lugares. Aí você imagina, com a ponte da Barragem, isso já não vai precisar mais. A gente vai poder ter lá, nessa ponte, caminhão de 12 eixos. E aí vai passar na porta do Altiplano. Aí você imagina. Vai ter o engarrafamento, que já existe hoje. Só que com caminhões, com ônibus de turismo que estão fazendo Rodoanel, na porta do Altiplano. Um local que tem uma faixa de mão e contramão. Sem nenhuma previsão de duplicação. Porque se você olhar o projeto da ponte da barragem, não inclui nada dentro do Altiplano. A gente vai ficar igual acontece em Águas Claras. O engarrafamento começa dentro da garagem do prédio. A gente vai ficar parado dentro do Altiplano, para conseguir sair de dentro do Altiplano.

E você não acha que duplicando as vias, fazendo algum projeto nesse sentido, não conseguiria resolver essa questão?

O Altiplano não é tão simples. Ele ainda é uma zona rural. Então, não é simplesmente você duplicar com asfalto. Primeiro, tem áreas do Altiplano que não podem ter asfalto. É obrigatório bloquete. Porque a água precisa infiltrar para a terra, para poder tudo isso servir de abastecimento também. E a gente está em cima de um lençol freático importantíssimo para o DF. Ele é tão importante, que eu não sei se você se lembra, começaram a furar muito poço em São Sebastião, que era ali do lado. Tremeu tudo, Jardim Botânico, Altiplano, tremeu tudo. A gente tem que tomar cuidado com a água da nossa região. Porque ela abastece todo mundo. O projeto de expansão do Altiplano é delicadíssimo. A gente tem hoje uma outra preocupação, porque eu sei que três grandes nomes do DF compraram grandes terrenos no Altiplano. Não compraram para se mudar.

Você tem medo de aumento de gabarito?

Eu tenho medo de aumento de gabarito para se colocar prédio no Altiplano, por exemplo. Isso é uma coisa inadmissível para o Altiplano. Nós somos uma região rural. E a gente precisa tomar conta do que ainda é nosso ali.

Todos os candidatos que chegam aqui falam muito dos três temas clássicos: saúde, educação, segurança. Mas tem crescido também a questão da mobilidade urbana. E a gente sabe que a mobilidade do Altiplano tem algumas restrições, algumas dificuldades. O que você pensa nessa área de mobilidade?

Eu penso na área de mobilidade, primeiro de tudo, o transporte para quem trabalha lá. Porque hoje, a maior dificuldade de quem trabalha lá é a frequência do transporte e a ausência do transporte. Porque não tem frequência garantida e, às vezes, nem aparece. Então, a gente precisa que tenha um compromisso de transporte público. Porque o que falta ali é compromisso de transporte público. Eu não estou falando simplesmente de moradores, não. Estou falando principalmente da força de trabalho, que vem de duas regiões específicas: o Paranoá e São Sebastião. Hoje, o ônibus de São Sebastião para quem trabalha ali para a quilômetros de distância da entrada do Altiplano. Então, o que a maioria das pessoas faz? O trabalhador desce e precisa se virar daquele trecho até o trabalho dele. se chova ou faça sol. Então, a primeira questão de mobilidade é para o trabalhador. Ele precisa de ajuda.

O então candidato José Roberto Arruda, quando entrevistado aqui, disse que aquela ponte, deveria já contemplar um projeto para nela estarem embutidos trilhos para levar metrô para aquela região de São Sebastião e do Paranoá. O que você acha dessa ideia?

Olha, para mim, colocava trilho no DF inteiro. É caro, mas é a solução para o Brasil. A gente tem tamanho continental. Trilho é a solução para tudo no Brasil. Sou uma entusiasta do trilho. Uma pessoa que entra em um trem para ir para qualquer lugar se sente tranquila para fazer a viagem e protegida, porque não está em um ônibus que pode bater de frente com um poste, com um caminhão. E ela chega rápida, sem engarrafamento. Para mim, trilho é a solução para o Brasil.

E saúde, educação e segurança?

Na área da saúde eu posso falar da saúde mental. Hoje, finalmente, o Brasil começou a dar atenção à saúde mental. Sem saúde mental a pessoa não faz nada na vida dela. Não bate um bolo para comer. Para mim, antes de qualquer consulta precisava ser avaliada a saúde mental de qualquer paciente que chega. Existe um protocolo hoje, na saúde pública, que é muito interessante e vou usar como exemplo, que é o da colonoscopia. A pessoa, a partir de 45, 50 anos, não importa o médico, ele pergunta se a pessoa já fez uma colonoscopia, porque os índices de câncer no intestino cresceram demais no Brasil e sobrecarregaram a saúde pública de um jeito que todos os médicos estão falando sobre isso. Você vai se consultar por conta de uma doença de pele e recebe a pergunta se fez a colonoscopia. Eu estou vendo todo mundo fazendo essa pergunta. Para mim, a questão da saúde mental tinha que ser abordada da mesma forma. Porque, às vezes, a pessoa chega lá com um problema e descobre-se, lá na frente, que a pessoa estava com um problema de saúde mental. Ou descobre-se que a pessoa desenvolveu uma úlcera, que é uma doença gravíssima, por causa da questão mental. Para mim, a maior alegria é que a saúde mental fosse tratada como porta de entrada em qualquer consulta.

Na educação, eu acredito que a creche pública é sua maior bandeira…

Integral. Não adianta a creche de quatro horas. Porque, aí, você está relegando a mulher ao subemprego. E você vai ter que trabalhar perto ou arrumar alguém para ficar com seu filho. Então é creche, perto de casa e em tempo integral.

Hoje, uma questão muito comum, não só no Plano Piloto, é a proximidade com os dependentes químicos e do aumento da criminalidade. Como a polícia deve agir diante deste problema?

Eu não encaro dependência química como problema de segurança pública. Para mim, é um problema de saúde mental. No dia que a gente tratar o dependente químico, a demanda por drogas acaba. O que eu acredito que seja o mais importante hoje é o policial se capacitar para identificar a diferença entre um traficante e um usuário. Se ele conseguir fazer esta diferença, na hora que o juiz for julgar, não vai errar. Porque ele vai ler o relatório do policial, vai ver se foi preso com grande quantidade de notas de pequeno valor, se tinha uma grande quantidade de pequenas porções de drogas… o que eu sempre peço aos policiais é que se capacitem para conseguirem ter o olhar identificador que diferencie o usuário do traficante, porque isso será fundamental no julgamento.

 

CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA

 

Fonte: https://gpsbrasilia.com.br/andreia-mulheres-combate-dependencia-altiplano/