Dormir com níveis de CO₂ acima do recomendado em quartos sem ventilação causa despertares noturnos e cansaço excessivo ao amanhecer.
- Acúmulo de CO₂: em quartos fechados com duas ou mais pessoas, os níveis de dióxido de carbono podem ultrapassar 1.300 ppm (partes por milhão), o que degrada a qualidade do ar.
- Fragmentação do sono: o excesso de gás carbônico no sangue estimula o sistema nervoso, aumentando os despertares e reduzindo o tempo de sono profundo.
- Impacto biológico: a má ventilação está ligada ao aumento do cortisol (hormônio do estresse) ao acordar e à sensação de cansaço crônico.
- Solução simples: deixar a porta entreaberta ou uma fresta na janela é suficiente para promover a troca gasosa e garantir um descanso reparador.
O perigo do ar viciado
A ciência tem olhado com lupa para o que acontece dentro de quatro paredes enquanto dormimos. Uma pesquisa da Universidade de Tecnologia de Eindhoven monitorou voluntários e constatou que, em quartos totalmente fechados, a concentração de CO₂ saltou de 717 ppm para 1.150 ppm em média. Esse “ar viciado” impede que o corpo entre nas fases mais restauradoras do descanso.
Segundo a médica Gabriela Passos Arantes, especialista em Clínica Médica, o mecanismo é fisiológico. “Quando a renovação do ar é limitada, o CO₂ que eliminamos na respiração se acumula. Isso afeta o sistema nervoso autônomo e respiratório, muitas vezes sem que a pessoa perceba conscientemente que o ar foi o culpado pelos despertares frequentes”, explica.
Embora o impacto seja sentido por todos, alguns grupos sofrem mais. “Idosos e pessoas que convivem com insônia, ansiedade ou problemas respiratórios são mais vulneráveis”, alerta Gabriela. Mesmo jovens saudáveis que dormem o número de horas adequado podem apresentar pior desempenho cognitivo e irritabilidade se o ambiente não estiver ventilado.
O médico especialista em medicina do sono, William Lu, reforça que níveis elevados de CO₂ na corrente sanguínea forçam o organismo a permanecer em estágios de sono leve. O resultado é uma noite “trabalhosa” para o corpo, em vez de relaxante.

Ventilação vs. conforto
Muitas pessoas optam por fechar a porta por questões de segurança, ruído ou temperatura. No entanto, o “equilíbrio ideal” é mais fácil de alcançar do que parece. Não é necessário dormir com a casa inteira aberta.
“O simples gesto de deixar a porta ligeiramente entreaberta já promove uma circulação suficiente para reduzir significativamente o acúmulo de CO₂”, orienta a médica.
Caso o isolamento acústico seja indispensável, a recomendação é buscar alternativas como sistemas de ventilação mecânica ou deixar uma pequena fresta na janela para garantir a troca de oxigênio.

Higiene do sono vai além do ar
A ventilação é uma peça fundamental de um quebra-cabeça maior chamado higiene do sono. Para que o cérebro desligue de forma eficiente, outros fatores ambientais devem ser controlados.
- Ventilação adequada (baixa concentração de CO₂);
- Escuridão total (para produção de melatonina);
- Silêncio;
- Temperatura agradável.
Ao ajustar a circulação de ar do quarto, o indivíduo adota uma intervenção gratuita e acessível que pode ser o diferencial entre acordar exausto ou verdadeiramente renovado.
Fonte: https://www.metropoles.com/vida-e-estilo/medica-revela-o-que-acontece-ao-dormir-com-a-porta-do-quarto-fechada | Camila Santos
SUGESTÃO DE LEITURA: DA INVISIBILIDADE À VOZ ATIVA https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/da-invisibilidade-a-voz-ativa/
