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2026: A ESPERANÇA CONTINUA

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Chegamos a 2026 sob
a égide das promessas e das emoções, combinação recorrente em anos eleitorais, mas que agora se apresenta potencializada por uma sucessão de fatos de elevada gravidade institucional.

Episódios como a liquidação do Banco Master e o desvio bilionário de recursos do INSS, envolvendo instituições que deveriam representar solidez, previsibilidade e confiança, expõem profundas fragilidades do Estado brasileiro. Não se trata apenas do lesivo impacto financeiro, mas do efeito corrosivo sobre a credibilidade do sistema e sobre o envolvimento de autoridades (até agora protegidas por sigilo imposto pelo STF), capaz de gerar legítima e desesperadora insônia nos três Poderes da República.

Nesse cenário já conturbado, o país avança para um ano pródigo em feriados: 16 nacionais, além dos estaduais e municipais, ampliados pela Copa do Mundo de Futebol, que tradicionalmente multiplica pontos facultativos e paralisações informais. A conta fica para o empreendedor.

O problema, contudo, não está no calendário em si. Em vez de se priorizar a geração de emprego, a qualidade do ensino, o aumento da produtividade e o fortalecimento do setor produtivo, consolida-se a narrativa de que a solução para desigualdades estruturais reside na expansão contínua da remuneração do não trabalho, como se a riqueza pudesse ser distribuída indefinidamente antes de ser criada.

As eleições gerais completam esse quadro de incertezas. Longe de se apresentarem como oportunidade de um debate sobre desenvolvimento econômico, responsabilidade fiscal e eficiência do Estado, tendem a se concentrar na preservação do poder e na sobrevivência política. O resultado previsível é a intensificação dos desvios de função da máquina pública, o uso eleitoral de programas sociais cada vez mais caros e insustentáveis, e a exaustiva repetição de genéricos discursos em defesa da democracia.

Enquanto isso, realidades duras se impõem ao cotidiano do brasileiro: aceleração da dívida pública, crônico desequilíbrio fiscal, persistente e crescente corrupção, e a inaceitável leniência com o crime, seja ele organizado ou não. Esse conjunto de fatores forma um caldo perigoso, capaz de transformar 2026 em mais um ano perdido, no qual o setor produtivocorre o risco de se limitar a administrar a estagnação, como forma de se defender de um ambiente imprevisível, além de hostil.

Ainda assim, por mais paradoxal que possa parecer, há espaço para esperança. Ela não nasce de soluções mágicas, mas da crescente consciência de parcelas da sociedade sobre os limites e as fragilidades do modelo atual. A pressão por responsabilidade fiscal, transparência, efetivo combate à corrupção e valorização de quem produz começa a ganhar densidade. Se essa consciência se converter em cobrança permanente, participação cívica e escolhas racionais, 2026 poderá, apesar de tudo, representar não apenas um ano de tensões e promessas, mas o início de uma inflexão necessária para que o país volte a considerar trabalho, educação, produtividade e desenvolvimento como pilares de um futuro sustentável.

 

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