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BARRA DO PIRAÍ, O SUL FLUMINENSE E A BR-393

A região Sul Fluminense sempre ocupou posição estratégica na economia do estado do Rio de Janeiro. Avaliação elaborada pela Firjan e divulgada nessa última semana mostra a região com cerca de 1,2 milhão de habitantes, PIB estimado em R$ 77,3 bilhões e mais de 312 mil empregos formais, dos quais aproximadamente 25% na indústria, constatando a economia Sul Fluminense estruturada sobre uma base industrial, que a representa em cerca de 41%. Esse perfil diferencia a região de grande parte do interior fluminense e explica por que, mesmo reunindo apenas 9% dos estabelecimentos industriais do estado, continua sustentando um papel relevante na geração de empregos e riqueza, detendo relevante vitalidade industrial.

Essa densidade industrial se materializa em alguns municípios que construíram protagonismo regional ao longo de décadas, por terem compreendido a importância da infraestrutura logística, da atração de investimentos e da integração com cadeias produtivas industriais mais complexas. Em contraste, outros municípios perderam intensidade econômica, caso de Barra do Piraí, cuja participação de 8% da população regional não se traduz proporcionalmente em geração de riqueza (4% do PIB regional), nem em empregos formais (5% dos empregos formais da região).

Indicadores que revelam desequilíbrio estrutural ao representar menor produção de riqueza por habitante e menor densidade de empregos de maior valor agregado. Sinal clássico de perda de protagonismo econômico relativo, normalmente associado à ausência de políticas consistentes de desenvolvimento que, por sua vez, são rotineiramente substituídas por agendas de curto prazo voltadas à lógica eleitoral, sob a governança de padrinhos políticos.

Entretanto, o diagnóstico de precariedade não deve ser confundido com ausência de oportunidades. A situação da rodovia BR-393, de extrema importância por ser a única diretamente acessada por Barra do Piraí, é um exemplo evidente. A rodovia apresenta sérios problemas de conservação e segurança que impactam diretamente a logística regional, com recentes registros de acidentes, trazendo prejuízos aos usuários e ao transporte de cargas, encarecendo o frete e afastando investimentos. Porém, está prevista para 14 de abril próximo uma audiência pública na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados para discutir soluções para o trecho, abrindo uma efetiva janela para apresentação de demandas regionais.

Nesses momentos, passa a ser estratégica a participação ativa de municípios, como Barra do Piraí, convidados para a mencionada audiência pública. Projetos logísticos, propostas de requalificação urbana associadas à mobilidade regional e iniciativas de atração industrial podem ser inseridos na apresentação e contribuir para o reposicionamento do município no cenário econômico do Sul Fluminense. Há, portanto, oportunidades em aberto, não significando, porém, que permanecerão indefinidamente disponíveis.

Para terminar, fica claro que o desafio não está na falta de soluções, mas nas escolhas, até porque não é difícil perceber que entre calendários eleitorais e calendários de desenvolvimento, apenas um deles produz prosperidade duradoura.

 

Luiz Bittencourt

 

SUGESTÃO DE LEITURA: BARRA DO PIRAÍ MERECE ALGUMAS REFLEXÕES https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/barra-do-pirai-merece-algumas-reflexoes/