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EMPRESÁRIOS, CONSULTORES E POLÍTICA: A NEUTRALIDADE QUE CUSTA CARO

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É recorrente ouvir empresários declararem – inclusive em fóruns estratégicos – que “não gostam de política”. Na prática, porém, nem sempre escolhemos apenas o que nos agrada; escolhemos o que é necessário.

A política integra o macroambiente que molda o destino de nações e organizações. Decisões políticas afetam desde o nível municipal até o equilíbrio de poder entre países. Na nova geopolítica, seu peso estratégico tornou-se exponencial: passou a influenciar diretamente custos, acesso a mercados, crédito, regulação e tecnologia. Ignorar esse vetor é abrir mão de uma variável crítica de competitividade.

Torna-se, portanto, obrigatório que empresários e lideranças dominem esse campo de análise. Consultorias estratégicas precisam incorporá-lo de forma estruturada em seus diagnósticos. Não se trata de “gostar” de política, mas de compreendê-la como fonte simultânea de risco e oportunidade.

É recorrente o erro de delegar decisões políticas como um “cheque em branco” aos eleitos. No sistema atual, emendas e arranjos institucionais deslocaram o centro de poder. Executivos públicos ampliaram sua autonomia relativa frente ao empresariado e ao eleitor. Esse contexto exige leitura refinada do ambiente institucional e capacidade de influência legítima.

O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, já alertava que delegar é instrumento estratégico, não um fim em si mesmo. Delegação sem governança produz assimetrias de poder e riscos sistêmicos. Responsabilidade estratégica não se terceiriza.

A indiferença política de parte do empresariado cobra preço elevado. O país convive com juros altos, insegurança jurídica e erosão da confiança institucional — fatores que encarecem o capital, travam investimentos e reduzem competitividade. Empresas que ignoram a política operam com um mapa incompleto do ambiente competitivo.

Estratégia exige leitura integrada de mercado, tecnologia e poder. No novo tabuleiro global, neutralidade deixou de ser virtude; tornou-se uma decisão de alto risco estratégico.

HÉLIO MENDES

Hélio Mendes é palestrante e consultor empresarial e político, autor de Planejamento Estratégico Reverso e Gestão Reversa. Curso De conselheiro pelo IBGC e ex-Secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Uberlândia (MG).

SUGESTÃO DE LEITURA: TATIANA SAMPAIO ALGÚEM FORA DA CURVA BRASILEIRA  https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/tatiana-sampaio-alguem-fora-da-curva-brasileira/

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