A ESQUIZOFRENIA BRASILEIRA
O Brasil chegou a um estágio de esquizofrenia institucional em que as escolhas políticas passaram a funcionar de cabeça para baixo. Quem produz não decide. Quem tem população e mão-de-obra qualificada não elege. Quem sustenta a maior parte da arrecadação nacional não possui força política proporcional. E parcelas diminutas da população passam a exercer, dentro da estrutura federativa, um poder institucional muito superior ao seu peso demográfico e econômico.
Esse modelo de representação, concebido em populista contexto histórico, produz desequilíbrio político em um país profundamente desigual em população, produção, arrecadação e capacidade econômica.
É o caso da direção do Congresso Nacional. Não é sensato que a presidência de uma das Casas mais importantes da República esteja nas mãos de um parlamentar eleito por um estado que representa 0,4% da população brasileira e 0,2% do PIB nacional. Distorção representativa que não se limita a um simples detalhe. O presidente do Congresso Nacional comanda uma das instituições centrais da República, participa da condução da agenda legislativa, influencia a tramitação do orçamento, conduz decisões de enorme repercussão nacional e possui atribuições constitucionais relevantes, inclusive em processos de impeachment.
É uma extraordinária concentração de poder institucional em quem não tem estatura política e econômica. A distorção que se observa, concentra-se, simplesmente, na falta de proporcionalidade. Proporcionalidade a garantir que toda representação política deve guardar correspondência entre responsabilidade, população e poder de decisão. De outra forma, alimenta-se o desequilíbrio institucional.
Esse modelo, esquizofrênico por natureza, tem conduzido o Brasil à uma encruzilhada moral, minando a credibilidade das instituições. Modelo que não somente permite, como incentiva o promíscuo compartilhamento de cartões de crédito, os indecentes contratos advocatícios milionários, o nefasto conluio entre poderes e a britânica farra boêmia, entre tantas outras escabrosas burlas.
E o resultado, que se movimentava sob tapetes, mas já se enxerga a olho nu, é a ética fake, cópia mal acabada do que prevalecia em distante passado.
Os valores morais escapam entre os dedos. Uma vergonha!
