PESSOAS NÃO SÃO COISAS E ORGANIZAÇÕES TÊM PAIXÃO

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“Às vezes tratamos as pessoas como coisas e esperamos que elas se engajem como pessoas.”

A reflexão, citada por Sandro Magaldi em debates sobre liderança e gestão, expõe uma contradição ainda presente em muitas organizações. Embora o discurso corporativo sobre pessoas estejam cada vez mais sofisticado, a prática cotidiana segue, em inúmeros casos, marcada por abordagens mecanicistas e desumanizadas.

A tecnologia, quando mal compreendida ou mal aplicada, tende a agravar esse cenário. Em vez de atuar como instrumento de inclusão, desenvolvimento e ampliação de capacidades, pode reforçar uma cultura de castas: um sistema informal de estratificação no qual apenas alguns grupos têm acesso a capacitação, informação e oportunidades estratégicas. Em muitos contextos, esses investimentos seletivos não são avaliados pela lógica do custo-benefício organizacional, mas por critérios de poder, proximidade ou status.

Não existem organizações de alto desempenho nas quais as pessoas desconhecem o propósito do negócio ou não vivenciam seus valores no dia a dia. Ainda assim, na criação e na expansão de muitas empresas, os elementos culturais e humanos são tratados como aspectos periféricos do projeto estratégico. Trata-se de um erro estrutural. Cultura e crenças moldam comportamentos, orientam decisões e sustentam o engajamento no longo prazo.

Organizações não são entidades frias ou neutras. Elas expressam paixão, ambições, tensões e conquistas por meio das pessoas que as compõem. Esse “estado emocional coletivo” não é abstrato: pode ser observado, medido e gerenciado. Ambientes que cultivam confiança, clareza de propósito e coerência entre discurso e prática constroem vantagem competitiva difícil de ser replicada.

Vivemos em um mundo altamente tecnológico, mas absolutamente dependente de pessoas. Quando os planos estratégicos não são compreendidos em todos os níveis da empresa, e quando a cultura local não é respeitada, o sucesso pleno torna-se improvável. Não por falta de talento ou boa intenção, mas porque ninguém se compromete genuinamente com aquilo que não conhece, não entende ou não sente como seu.

HELIO MENDES

Hélio Mendes – Palestrante, consultor empresarial e político, autor de Planejamento Estratégico Reverso e Gestão Reversa. Curso de Conselheiro pelo IBGC e ex-Secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Uberlândia/MG.

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