Dezembro de 1944. A neve caía impiedosa nas Ardenas, cobrindo a paisagem belga com um manto branco que escondia o terror que se desenrolava sob ela. A Ofensiva das Ardenas, a última cartada desesperada de Hitler, transformara a floresta gélida em um palco de fúria e desespero.
E foi nesse cenário gelado que se desenrolou uma das páginas mais sombrias da Segunda Guerra Mundial: o Massacre de Malmedy.
O Encontro na Estrada.
Era domingo, 17 de dezembro. A Companhia B do 285º Batalhão de Observação de Artilharia de Campo americano, uma unidade de apoio desarmada, dirigia-se para retaguarda, buscando realocar-se.
Seus veículos, jeeps e caminhões, lutavam contra a neve e o gelo da estrada vicinal. Os homens, exaustos e famintos, sonhavam com um pouco de comida quente e um descanso merecido. Mal sabiam eles que estavam prestes a cruzar o caminho da Kampfgruppe Peiper, uma força-tarefa da 1ª Divisão Panzer SS Leibstandarte SS Adolf Hitler, comandada pelo impiedoso Joachim Peiper. Essa unidade de elite nazista era conhecida por sua ferocidade e por não fazer prisioneiros.
Às 14h, perto do cruzamento de Baugnez, a cerca de quatro quilômetros de Malmedy, o inevitável aconteceu. A coluna americana, despreparada para o combate, foi emboscada pelos tanques e tropas SS. O fogo pesado e a superioridade numérica nazista não deixaram dúvidas: a rendição era a única opção.
Mais de uma centena de soldados americanos, em sua maioria jovens e inexperientes, ergueram as mãos, jogaram suas armas na neve e foram agrupados em um campo aberto, longe da estrada.
A Execução
O frio era cortante, e o vento chicoteava os rostos dos prisioneiros. Eles tremiam, não apenas pelo frio, mas pelo pavor que começava a se instalar. Os soldados SS, impassíveis, observavam-nos com olhares duros. Ninguém falava. A tensão era quase palpável, mais densa que a nevasca. Então, sem aviso, as metralhadoras começaram a disparar.
O som seco dos tiros rompeu o silêncio da paisagem gelada, ecoando pela floresta. Os corpos dos americanos caíam na neve branca, que rapidamente se tingia de um vermelho chocante. Muitos tentaram correr, rastejar ou fingir-se de mortos. Os SS, no entanto, caminhavam entre os corpos, disparando tiros de misericórdia (ou de remate) contra quem ainda mostrava sinais de vida. Alguns foram atingidos por baionetas. O cheiro de pólvora e sangue pairava no ar.
Os Sobreviventes
Milagrosamente, alguns conseguiram escapar. Feridos, arrastando-se pela neve, rastejaram até a floresta, buscando abrigo do massacre. Entre eles estava o soldado Kenneth Ahrens, que, apesar de baleado, conseguiu fingir-se de morto e, sob a escuridão crescente, fugir para a segurança. Outros, como Ted Paluch, esconderam-se sob os corpos dos companheiros, suportando o horror e o frio até a partida dos SS.
Os sobreviventes carregariam para sempre as cicatrizes físicas e, principalmente, as psicológicas daquele dia. As imagens da neve manchada de sangue, dos corpos de seus amigos e do olhar frio dos executores os assombrariam por toda a vida.
O Massacre de Malmedy, um crime de guerra brutal e covarde, tornou-se um símbolo da barbárie da Ofensiva das Ardenas. Mais de oitenta prisioneiros de guerra americanos foram friamente executados naquele campo nevado.
A história, contada pelos poucos que testemunharam o horror e sobreviveram para contá-la, permanece como um lembrete sombrio da crueldade que a guerra pode desencadear.
O destino do Comandante Joachim Peiper, líder da Kampfgruppe Peiper e responsável pelo Massacre de Malmedy, foi complexo e controverso. Após a guerra, Peiper e outros 72 membros de sua unidade foram julgados por um tribunal militar americano em Dachau, Alemanha.
Sentença Inicial: Em 16 de julho de 1946, Joachim Peiper foi condenado à morte por enforcamento, juntamente com outros 42 acusados, pela sua responsabilidade no Massacre de Malmedy e outras atrocidades cometidas durante a Ofensiva das Ardenas.
Comutação e Libertação: No entanto, o julgamento foi cercado por controvérsias, incluindo alegações de confissões forçadas e pressão política. Como resultado, muitas das sentenças de morte foram comutadas. A sentença de Peiper foi reduzida para prisão perpétua, e depois para 35 anos de prisão. Ele foi finalmente libertado em dezembro de 1956 da prisão de Landsberg, após cumprir cerca de 11 anos e meio.
Morte: Peiper viveu na França após sua libertação. Ele foi assassinado em 14 de julho de 1976, quando sua casa foi incendiada por ativistas antifascistas.
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