A RODOVIÁRIA NA MOBILIDADE URBANA BARRENSE
O início da operação do novo complexo viário de Barra do Piraí representa, sem dúvida, um marco relevante para o município. É uma intervenção aguardada há anos, capaz de alterar de forma concreta a dinâmica urbana local, com a expectativa de redução em até 40% no fluxo de veículos no centro da cidade. É, ainda, um indicativo de melhoria na qualidade de vida, na fluidez do trânsito e na própria organização do espaço urbano.
Esse novo cenário significa um centro menos congestionado, mais acessível e potencialmente mais atrativo para o comércio, para a convivência social, reduzindo o desgaste da infraestrutura urbana, melhorando a segurança viária e impactando positivamente aspectos ambientais. Resumindo, o complexo viário reposiciona Barra do Piraí em termos de mobilidade urbana.
No entanto, há no município uma contradição difícil de ignorar. Não se compreende por que Barra do Piraí não aproveitou o momento da inauguração para avançar na medida complementar e estratégica de retirada do terminal rodoviário do centro da cidade.
A permanência da rodoviária na área central conflita com os benefícios esperados do novo complexo viário. Enquanto se projeta uma significativa redução no fluxo de veículos, mantém-se, por decisão política, um dos principais polos geradores de tráfego no centro da cidade. Ônibus intermunicipais, transporte de apoio, táxis e veículos particulares continuam a convergir para uma região que deveria estar sendo progressivamente descomprimida. E, portanto, a decisão municipal reduz, deliberadamente, os benéficos efeitos do complexo viário.
Adicionalmente, a presença do terminal rodoviário contribui para a degradação do espaço central, limita a reorganização urbana, impede a valorização imobiliária e restringe a qualificação do solo urbano.
Entretanto, essa insistência na manutenção do terminal rodoviário não parece ser oriunda da falta de recursos. A recente dinâmica do município, marcada por uma intensa agenda de eventos, festividades e shows, evidencia que há abundância de recursos públicos. A questão, mais uma vez, não reside na escassez, mas na escolha e se percebe, claramente, uma inversão de prioridades.
Portanto, Barra do Piraí comemora, com razão, o importante passo proporcionado pelo complexo viário, mas a consolidação desse avanço depende muito da coerência na gestão.

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