DIREITA VOLVER!
O Brasil deu um cavalo de pau político. Não havia alternativa para o país que chegou às urnas neste 4 de outubro. Um país economicamente exaurido, institucionalmente desacreditado, fiscalmente desorganizado e submetido, há anos, a uma perigosa promiscuidade entre os três Poderes não poderia esperar indefinidamente que o eleitor continuasse aceitando a mesma receita.
O resultado foi avassalador.
Das 81 cadeiras do Senado Federal, a direita brasileira conquistou 49 (60% da Casa). Para alcançar dois terços do Senado, quórum exigido para decisões de maioria qualificada em matérias relevantes, como impeachment por exemplo, faltam apenas cinco votos. Na Câmara dos Deputados, das 513 cadeiras, a direita elegeu 283 Deputados Federais, 55% da casa.
E a mensagem mais contundente veio da eleição presidencial. Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno na liderança, com 47% dos votos no primeiro turno.
O aspecto mais extraordinário desse recado está na demonstração da força do capital político do ex-Presidente Jair Bolsonaro. Impossibilitado de fazer declarações públicas ou de deixar sua residência, submetido a uma sucessão de restrições e ataques institucionais, o ex-presidente conseguiu, sem se manifestar, eleger sua esposa e um de seus filhos para o Senado, eleger outro filho para a Câmara dos Deputados e ainda conduzir um terceiro filho ao segundo turno da eleição presidencial. Impossível ignorar sua capacidade de transferência de votos e sua influência sobre expressiva parcela do eleitorado brasileiro.
A imprensa ficou atônita. O eleitorado, não, até porque há uma fundamental diferença entre o Brasil divulgado pela imprensa e o Brasil real.
O brasileiro sente no bolso, enxerga o crescimento da dívida pública, convive com o endividamento das famílias, com a inadimplência, com o aumento das recuperações judiciais, com a pressão tributária, com a expansão da máquina pública e com a perda de qualidade de serviços essenciais. Como se isso não bastasse, vê também uma educação não entregando resultados, uma burocracia cada vez mais pesada e um crescente ambiente de insegurança jurídica que desestimula quem produz, investe e emprega.
E para fechar com a indesejada “chave de ouro”, há a percepção de que a corrupção se transformou em componente estrutural do sistema político brasileiro.
O governo tentou reagir a esse quadro, que ele mesmo construiu, com medidas de forte apelo eleitoral. Mudanças no Imposto de Renda, redução da jornada 6×1, proibição das chamadas Bets e outras iniciativas foram apresentadas como respostas aos problemas sociais e econômicos. Mas, até a engenharia eleitoral tem limites. E o eleitor percebe.
Sul, Sudeste e Centro-Oeste, regiões que concentram a maior parcela da população, da produção, da renda, da indústria, do agronegócio e da arrecadação nacional, lideraram o movimento de rejeição ao atual modelo. Agravando o quadro, essas regiões produtivas que sustentam o país possuem, no máximo, 10% de suas populações sendo beneficiárias do Programa Bolsa Família, enquanto no Nordeste o mínimo é 20%.
O movimento sinalizou um basta à sensação de que o Estado pode continuar crescendo enquanto quem trabalha paga a conta. Um basta à ideia de que responsabilidade fiscal é detalhe. Um basta à insegurança jurídica. Um basta à utilização permanente da máquina pública como instrumento eleitoral. Um basta à tentativa de substituir resultados por narrativas.
Portanto, o resultado não foi por acaso. Foi correção de rota, a ser complementada com o segundo turno.
O Brasil não ficou subitamente rico. Não resolveu sua dívida. Não eliminou a corrupção. Não recuperou automaticamente suas instituições. Mas indicou nova direção em seu destino e no “Flávio Day”, primeiro dia após o primeiro turno das eleições, o Ibovespa bateu recorde histórico em pontos, o dólar caiu e as taxas do Tesouro Direto tiveram a segunda maior queda em um único dia da série histórica do Tesouro Nacional.


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