SEGURANÇA PÚBLICA: FRACASSO DO ESTADO BRASILEIRO
A caracterização, pelo governo dos Estados Unidos, de organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas vem sendo interpretada, por grande parte da imprensa nacional, como tentativa de interferência externa no ambiente político e eleitoral brasileiro. Essa é uma leitura excessivamente estreita de um problema muito mais grave.
A questão central reside no colapso da segurança pública e na expansão do poder territorial do crime organizado dentro do país. O Brasil convive, há anos, com a consolidação de facções criminosas que deixaram de atuar apenas no tráfico de drogas para assumir funções típicas de um poder paralelo, substituindo o estado em inúmeras regiões urbanas e rurais.
Milhões de brasileiros vivem atualmente submetidos às regras impostas por criminosos fortemente armados. Em vastas áreas do território nacional, facções determinam horários de funcionamento do comércio, controlam a circulação de pessoas, impõem códigos de conduta e exercem domínio absoluto sobre comunidades inteiras. O cidadão se tornou refém permanente da bandidagem e da omissão do estado.
Para piorar, o crime organizado passou a explorar economicamente essas populações. Famílias, humildes ou não, são obrigadas a pagar taxas clandestinas para acessar serviços essenciais como internet, televisão, gás, transporte alternativo, água, energia elétrica e até segurança.
O cotidiano dessas regiões é marcado pelo medo. Confrontos entre grupos rivais transformam comunidades em zonas de guerra, interrompem atividades escolares, fecham postos de saúde e colocam inocentes sob risco permanente. Crianças crescem naturalizando a presença de fuzis, barricadas e execuções sumárias. O poder público, incapaz de recuperar o controle territorial, limita-se frequentemente a operações episódicas, essas sim com fins eleitoreiros.
Nesse contexto de guerra, a iniciativa do governo norte-americano representa o reconhecimento internacional de que o crime organizado brasileiro alcançou um nível de poder incompatível com a normalidade institucional de uma democracia.
Ao classificar essas organizações como terroristas, amplia-se os instrumentos jurídicos e financeiros de combate internacional, permitindo bloqueios patrimoniais, rastreamento global de recursos, cooperação policial e mecanismos mais severos de repressão econômica às facções. A insegurança pública deixou de ser problema exclusivamente brasileiro, até porque as atividades dessas organizações ultrapassam fronteiras, movimentam bilhões de dólares e alimentam redes internacionais de tráfico, armas e lavagem de dinheiro.
Sem dúvida, há uma equivocada interpretação na reação defensiva de setores políticos e de grande parte da imprensa brasileira, ao não considerar a trágica realidade vivida pela população submetida ao domínio da criminalidade.
É simples a conclusão: a medida do governo dos EUA está alicerçada no fato de que a ineficiência do estado brasileiro permitiu que o crime organizado alcançasse tamanho grau de poder, influência econômica e domínio territorial. Entretanto, essa pressão internacional faz renascer a esperança em milhões de brasileiros na reconstrução da legalidade, da segurança e da normalidade.

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