DEBATE NA BAND: A GUERRA PELO PODER E O POVO NA PLATÉIA
Entre acusações, pesquisas, provocações e estratégias de marketing, o debate presidencial deixa uma pergunta: onde ficam os interesses da população?
Por Juca da Plateia | Cronista
Ontem, assistimos ao debate presidencial na Rede Bandeirantes. Esperávamos ouvir propostas e soluções para o Brasil. Mas o que vimos, em diversos momentos, foi uma disputa pelo poder, com o povo reduzido à condição de plateia.
Como é feia essa briga!
Um apresenta números, outro contesta. Um acusa, outro desconversa. Entre informações questionáveis, acusações de mentiras e fake news, fica difícil distinguir fatos de narrativas. Comparam governos, ressuscitam o passado e prometem um futuro melhor. E o eleitor? Em quem acreditar?
Nos bastidores, os marqueteiros entram em cena. Distribuem colinhas, ensaiam respostas e sugerem ataques envolvendo pai, filho, amiga, família e passado. Às vezes, parecem querer ocupar a cadeira presidencial.
Enquanto isso, assessores monitoram curtidas, comentários e engajamento. Até um espirro, acompanhado de um sussurro, pode virar estratégia política. E, por falar em histórias cabeludas, há certas figuras que parecem ter perdido os cabelos, mas não a capacidade de despertar perguntas. Afinal, algumas explicações continuam fazendo falta.
Termina o debate, começa outro espetáculo. Quem aparece na frente nas pesquisas comemora. Quem fica atrás questiona. Nas redes sociais, cada torcida proclama seu vencedor.
Ora, bolas! E as propostas?
Fecham-se as cortinas. Anuncia-se a antecipação do pagamento do Bolsa Família. Quem sabe sobra para aquela prometida picanha! Enquanto isso, outro personagem, com o dedinho levantado, insiste: não, não, não! Não é assim…
Desligamos a televisão pensando: estamos escolhendo um presidente ou premiando quem melhor representa esse papel?
Debates, confrontos de ideias e estratégias de comunicação fazem parte da democracia. O problema surge quando as provocações ocupam mais espaço do que as propostas e os interesses da população.
Afinal, mais importante do que saber quem venceu o debate é identificar propostas viáveis para os desafios do país. A disputa pelo poder termina nas urnas, mas suas consequências permanecem na vida dos brasileiros.
E, diante de tantas acusações, números e promessas, resta uma pergunta que não quer calar:
Afinal, o Brasil está quebrado, corre o risco de quebrar ou estamos apenas diante de mais uma disputa de narrativas pelo poder?


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