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NA POLÍTICA, ATÉ O SILÊNCIO TELEFÔNICO FAZ BARULHO

Na reta final das eleições, entre promessas, acusações e versões convenientes, a verdade parece ser a primeira vítima da disputa pelo poder.

 

Por Juca da Plateia | Cronista 

A piada do dia é de fazer qualquer um rir. Alguém anuncia que vai abrir o próprio sigilo telefônico, mas, segundo dizem, nem telefone usa. Ora, se não há ligações, o que exatamente será revelado? O silêncio?

É até engraçado. São dessas curiosidades que um cronista não pode deixar passar.

Como já dissemos, na reta final de uma eleição, parece valer tudo. Acusações, promessas, provocações e até explicações que mais confundem do que esclarecem. Só não vale falar a verdade quando ela contraria o discurso de quem deseja conquistar ou permanecer no poder.

Então, vamos bocejar… Ops, vociferar!

Senão, vejamos: afinal, quem botou o ovo para a galinha nascer? Ou foi a galinha que apareceu primeiro? Na política, dependendo do candidato, até essa resposta muda conforme a conveniência.

E os programas sociais? Quem criou? Quem ampliou? Quem aperfeiçoou? Quem realmente transformou promessas em benefícios para a população? A história não pode ser reescrita conforme as conveniências eleitorais. Os fatos existem, os documentos estão disponíveis e a verdade não deveria ter dono nem partido. Mas fica a pergunta: os programas sociais realmente correm o risco de acabar ou estamos diante de mais uma narrativa eleitoral que, em vez de esclarecer, alimenta o medo e a insegurança para conquistar votos ou evitar perdê-los?

Essa discussão ganha ainda mais importância quando falamos de uma população que enfrenta, há décadas, dificuldades que atravessam gerações. No Nordeste brasileiro, especialmente nas regiões onde o sol castiga, a água é escassa e a fome ainda bate à porta de tantas famílias, ninguém precisa de lorotas, disputas pela autoria de benefícios ou promessas vazias. O que a população precisa é de respeito, dignidade, oportunidades e políticas públicas que funcionem. Afinal, mais importante do que saber quem criou ou ampliou um programa social é garantir que ele cumpra sua finalidade, transforme discursos em resultados concretos e ofereça condições para que as famílias construam um futuro melhor.

Agora, só falta anunciarem a antecipação do décimo terceiro salário para amanhã! Isso é, se não resolverem nos usurpar novamente o que já é nosso por direito. Afinal, em tempos eleitorais, até o calendário parece obedecer às conveniências de quem está no poder.

O problema é que, de tanto ouvir versões diferentes da mesma história, muita gente acaba confundindo propaganda com realidade. E há quem aposte justamente nisso: repetir uma narrativa tantas vezes até que ela pareça verdade.

Mas o povo não pode ser tratado como plateia de um espetáculo de ilusionismo.

No fim das contas, a pergunta não é quem conta a história mais bonita, quem grita mais alto ou quem promete revelar o que talvez nem exista. A pergunta é quem tem coragem de contar a verdade inteira, inclusive aquela que não lhe rende votos.

Porque, na política, a mentira pode até ganhar aplausos. Mas é o povo quem acaba pagando a conta.

 

Juca da Plateia é um personagem fictício que observa a política brasileira com ironia, bom humor e senso crítico. Sem compromisso com partidos ou governos, acompanha os acontecimentos, questiona discursos e procura compreender o que existe por trás das disputas pelo poder. Seu olhar é o do cidadão comum, que assiste ao espetáculo político, mas não esquece que é a população quem convive com as consequências das decisões.