COMEÇA A CAÇA AOS VOTOS E O BARRENSE GANHA IMPORTÂNCIA
O início oficial das campanhas eleitorais provoca uma curiosa transformação no cotidiano dos pequenos municípios do interior. De repente, pessoas que nunca cumprimentam passam a cumprimentar. Quem jamais perguntou sobre os problemas da cidade começa a demonstrar interesse. Quem nunca teve tempo para ouvir o cidadão descobre, por encanto, a importância de saber o que ele pensa. É como se, a cada dois anos, o cidadão barrense recuperasse uma importância que, na verdade, jamais deveria ter perdido.
Os candidatos aparecem, os discursos se multiplicam, as promessas se renovam e o cidadão passa, temporariamente, a ocupar o centro das atenções. Não porque os problemas tenham surgido agora, mas por conta de seu voto. E é nesse momento que o eleitor precisa compreender o tamanho do poder que possui.
Em Barra do Piraí há pouco mais de 69 mil eleitores, 54% do sexo feminino. Um expressivo contingente para um município de pequeno porte.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral – TSE ajudam a desenhar o perfil desse eleitorado. Cerca de 32% dos eleitores estão na faixa dos idosos (acima de 60 anos – Barra do Piraí é um município envelhecido), enquanto os jovens (entre 16 e 24 anos) representam somente 10%. Pela importância na capacidade analítica, chama atenção o perfil educacional. Aproximadamente cerca de 43%, quase metade do eleitorado, possuem, no máximo, o ensino fundamental completo, enquanto apenas 10% têm curso superior, completo ou incompleto. Retrato que revela uma possível dificuldade: quanto menor o acesso à educação formal, maior pode ser o desafio para comparar programas, avaliar propostas, interpretar números, identificar contradições e, principalmente, cobrar posteriormente o que foi prometido. Esse é um ponto central da disputa eleitoral do município.
Surge, ainda nesse ambiente, interesses em eleger representante barrense para as casas legislativas. Experiência recente, entretanto, demonstra que esse discurso não tem se mantido no município. A doutrina “de barrense para barrense”, vitoriosa na última eleição municipal, parece ter se enfraquecido e perdido sustentação para as emendas parlamentares. Emendas, sem dúvida, fazem parte do sistema político e representam importantes recursos para os municípios. A questão surge quando a emenda substitui o debate sobre projeto, competência, compromisso e capacidade de representação.
Contudo, uma alternativa viável para o município pode ser aquela em que Barra do Piraí não precise apenas de alguém que seja barrense ou que consiga enviar recursos públicos. Precisa, nesta hipótese, de representantes com capacidade intelectual, moral e política para defender seus interesses, compreender suas limitações, buscar investimentos e participar das decisões que definem o futuro da região.
Há, entretanto, clara percepção de que eleger representantes apenas pela proximidade pessoal, pela possibilidade de uma vantagem imediata, pela quantidade de recursos parlamentares ou pelo simples fato de ter nascido em Barra do Piraí, não tem transformado o município. Quadro que há anos se repete e que somente mudará quando a sociedade barrense mudar.


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