RIO: SEGURANÇA PARA EMPREENDER
Empreender sob cerco: o Rio precisa de segurança, menos impostos e menos burocracia
Por Carlos Cabral
Empreender no Rio de Janeiro não deveria ser um ato de coragem.
Abrir uma empresa, contratar trabalhadores, investir as economias de uma vida e gerar renda deveria ser uma atividade estimulada e protegida pelo poder público. Entretanto, para milhares de pequenos, médios e grandes empresários fluminenses, a realidade é muito diferente.
Hoje, quem empreende precisa enfrentar três obstáculos que, juntos, prejudicam profundamente o desenvolvimento econômico do nosso Estado: a insegurança pública, a elevada carga tributária e o excesso de burocracia.
E a segurança talvez seja o ponto mais urgente.
Não existe desenvolvimento econômico sustentável onde o cidadão tem medo de circular e o comerciante teme abrir ou fechar seu estabelecimento. Não existe liberdade econômica verdadeira quando empresários precisam incorporar aos seus custos os prejuízos provocados pela criminalidade ou quando determinados territórios sofrem a influência de organizações criminosas.
Uma pesquisa Quaest, divulgada em 27 de agosto, mostrou exatamente a dimensão dessa preocupação. Entre os eleitores do Rio de Janeiro, a retomada dos territórios dominados pelo crime organizado e o combate aos roubos de rua aparecem como as duas maiores prioridades para a próxima gestão estadual na área de segurança pública.
Essa realidade precisa ser compreendida também como um problema econômico.
Quando a segurança desaparece, o consumidor deixa de frequentar determinadas regiões, estabelecimentos fecham mais cedo, empresários deixam de investir e oportunidades de emprego desaparecem. Por isso, segurança pública também é política de desenvolvimento econômico.
Precisamos investir em inteligência, tecnologia, estrutura, equipamentos e melhores condições de trabalho para nossos profissionais de segurança. Precisamos ampliar a presença efetiva do Estado e impedir que organizações criminosas ocupem o espaço deixado pelo poder público.
Mas devolver segurança ao empreendedor é apenas parte do caminho.
A burocracia que sufoca quem produz
Existe outra forma de violência, menos visível, que ocorre diariamente dentro das empresas: a complexidade do ambiente tributário e burocrático brasileiro.
O empresário deveria gastar sua energia pensando em como melhorar seu produto, conquistar clientes, contratar trabalhadores e expandir sua empresa. Em vez disso, precisa dedicar tempo e dinheiro para interpretar regras, preencher obrigações, acompanhar mudanças legislativas e evitar penalidades decorrentes de um sistema extremamente complexo.
A própria transição da reforma tributária demonstra o tamanho do desafio.
Em 2026, as empresas já precisam adaptar sistemas e procedimentos às novas regras envolvendo IBS e CBS. Simplificar o sistema tributário é necessário, mas qualquer mudança precisa proporcionar previsibilidade, clareza e segurança jurídica para quem produz.
Não podemos simplesmente substituir uma burocracia antiga por uma burocracia nova.
O empreendedor precisa saber quanto vai pagar, quais são suas obrigações e quais regras estarão em vigor. Sem previsibilidade, o planejamento empresarial fica comprometido e novos investimentos são adiados.
Menos impostos, mais produção
Também precisamos discutir seriamente a carga tributária.
O Estado não pode enxergar o empreendedor simplesmente como uma fonte permanente de arrecadação.
Quem empreende gera empregos. Quem empreende movimenta fornecedores. Quem empreende paga salários. Quem empreende movimenta bairros inteiros e produz riqueza.
O pequeno empresário não é adversário do trabalhador. Na maioria das vezes, ele também é um trabalhador que decidiu assumir riscos, investir recursos próprios e criar seu próprio negócio.
O Rio de Janeiro precisa construir um ambiente no qual crescer seja motivo de comemoração, e não de preocupação com o próximo enquadramento tributário ou com novas exigências administrativas.
Precisamos de políticas públicas que incentivem quem deseja produzir.
Isso significa mais segurança pública, mais segurança jurídica, menos carga tributária e menos burocracia.
São pautas que não podem ser tratadas separadamente.
Quando o empreendedor desiste, todos perdem
Um empresário pode até suportar determinado imposto. Pode adaptar-se a uma obrigação burocrática. Pode enfrentar momentos de dificuldade econômica.
O problema surge quando todos esses obstáculos aparecem simultaneamente e ainda são acompanhados pelo medo da violência.
Nesse cenário, chega um momento em que investir deixa de fazer sentido.
E quando uma empresa fecha, não perde apenas o empresário. Perde o funcionário que ficou sem emprego, perde o fornecedor, perde o comércio local e perde o próprio Estado, que deixa de arrecadar.
Precisamos inverter essa lógica.
O poder público deve criar condições para que empresas nasçam, sobrevivam, cresçam e contratem cada vez mais pessoas.
O Rio de Janeiro possui localização privilegiada, infraestrutura, recursos naturais, universidades, profissionais qualificados, capacidade empresarial e enorme potencial turístico e econômico.
O que não podemos permitir é que todo esse potencial continue limitado pela violência, pelos impostos excessivos e pela burocracia.
O empreendedor não pede privilégio. Pede condições para trabalhar.
Essa deve ser uma mudança de perspectiva.
O empreendedor não está pedindo privilégios. Está pedindo condições para trabalhar.
Um Estado que protege quem trabalha, simplifica a vida de quem produz e deixa mais recursos nas mãos de quem gera riqueza cria as condições necessárias para produzir emprego, renda e prosperidade.
O Rio de Janeiro precisa voltar a ser um lugar onde empreender seja uma oportunidade, e não uma prova diária de resistência.
Segurança, menos impostos e menos burocracia não são reivindicações isoladas do setor produtivo. São condições fundamentais para que o Estado volte a crescer.
Esse deve ser um dos grandes compromissos do próximo ciclo político do Rio de Janeiro.
Carlos Cabral: Advogado, Empresário, Jornalista
Candidato a Deputado Estadual pelo Rio de Janeiro – Nº 30.276
