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ENEM EXPÕE A FRAGILIDADE DO ENSINO PÚBLICO BARRENSE

ENEM EXPÕE A FRAGILIDADE DO ENSINO PÚBLICO BARRENSE

A divulgação dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) pelo Ministério da Educação trouxe informações que merecem uma reflexão muito além da simples divulgação de rankings. Os números revelam realidades surpreendentes e evidenciam, sobretudo, a diferença de qualificada gestão educacional.

Entre as cinquenta instituições de melhor desempenho do país, o Nordeste aparece com 21 escolas, praticamente empatado com o Sudeste, que conta com 23 representantes. Considerando as profundas diferenças econômicas e sociais entre as duas regiões, surpreende a semelhança nos resultados. Mais surpreendente ainda é observar que, entre as cinco melhores escolas brasileiras, quatro pertencem ao Ceará e uma ao Piauí. Surpreende ainda mais, na direção oposta, a ausência completa das regiões Sul e Centro-Oeste entre as cinquenta melhores instituições classificadas. Desempenhos que exigem criteriosa avaliação.

Entretanto, se alguns resultados nacionais surpreendem, os de Barra do Piraí preocupam.

As escolas públicas do município obtiveram médias variando entre 442 e 528 pontos, enquanto as instituições privadas ultrapassaram a marca de 615 pontos. Em termos médios, a rede pública barrense apresentou desempenho aproximadamente 28% inferior ao das escolas privadas do próprio município e quase 40% abaixo da média das escolas do Estado do Rio de Janeiro.

Os números evidenciam uma realidade difícil de ser ignorada. O estudante da rede pública municipal barrense inicia sua vida acadêmica em clara desvantagem competitiva diante daqueles que frequentam escolas privadas ou instituições públicas de melhor desempenho em outras localidades.

Importa compreender que o ENEM mede o resultado final de um longo processo educacional. O desempenho do ensino médio é consequência direta da qualidade construída durante toda a educação básica, especialmente no ensino fundamental. Nesse contexto, a gestão escolar assume papel decisivo. Embora diversos fatores interfiram na aprendizagem, a capacidade administrativa da direção escolar exerce determinante influência sobre o ambiente pedagógico, o acompanhamento dos professores, o monitoramento dos indicadores e a implementação de estratégias capazes de elevar a aprendizagem dos estudantes, tornando-se responsável por mais de 50% dos resultados.

A persistência de resultados insatisfatórios exige a adoção de mecanismos efetivos de gestão por resultados. A permanência de direções escolares incapazes de promover melhorias significa, na prática, institucionalizar o fracasso. Requalificação, capacitação intensiva ou mesmo remanejamento de gestores integram política séria de responsabilização administrativa voltada exclusivamente para a competitividade do aluno.

Por outro lado, ignorar indicadores objetivos de desempenho significa aceitar que novas gerações de estudantes continuarão chegando aos exames nacionais em condições desiguais de competição, reduzindo suas oportunidades de ingresso nas melhores universidades e, futuramente, no mercado de trabalho mais qualificado.

Não há dúvida de que a prosperidade econômica de qualquer município depende diretamente da qualificação de seu capital humano. Ineficiente na educação básica e sem exigir resultados concretos de sua gestão educacional, Barra do Piraí acaba comprometendo a competitividade de seus jovens e assegurando estagnação econômica do município.

Considerando que o futuro do município será determinado, antes de tudo, pela qualidade dos cérebros que conseguir formar, há, portanto, uma clara e urgente necessidade de o poder público barrense reavaliar sua estratégia de desenvolvimento.

Luiz Bittencourt

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