INELEGIBILIDADE DE ARRUDA FORÇA REPOSICIONAMENTO DO PSD-DF
Algumas decisões são arriscadas. Outras, arriscadas em excesso.
A decisão do PSD Nacional de lançar José Roberto Arruda ao Governo do Distrito Federal parece ter pertencido à segunda categoria.
Ainda que com inegável força eleitoral, história política, memória administrativa e, sobretudo, tendo recuperado parte de seu capital eleitoral, o elevado risco era conhecido desde o primeiro dia. Mesmo assim, o PSD Nacional fez a escolha.
Na época, o presidente do PSD no Distrito Federal, o empresário Paulo Octávio, tentou convencê-lo a concorrer a deputado federal e, assim, retomar sua vida pública por um caminho eleitoral menos arriscado. Arruda, porém, recusou.
Obviamente, houve desconforto na direção regional do partido. Mas a legenda fez o que se espera de uma organização partidária: seguiu em frente, absorveu a determinação, colocou sua estrutura em campo e trabalhou. E trabalhou bem.
A candidatura ganhou musculatura, mobilizou lideranças e chegou a apresentar competitividade suficiente para alimentar a possibilidade de alcançar o segundo turno. Mas o risco, até então hipotético, deixou de ser hipótese.
O registro da candidatura de Arruda foi indeferido pelo TRE e, posteriormente, a decisão foi confirmada pelo TSE, encerrando o jogo às vésperas da eleição. Mas não encerrou seus efeitos políticos.
Ao lançar Arruda, o PSD-DF não trouxe apenas o candidato. Abraçou também o seu grupo político que, agora, com a alteração do cenário provocada pela retirada de sua candidatura, saiu em busca de outro caminho eleitoral.
E, nesse processo, o grupo acabou se dividindo entre duas outras candidaturas.
Parte se articula em torno da candidatura de Paula Belmonte, do PSDB. Outra parcela busca espaço junto à candidatura de Kiko Caputo, do Novo. Essa movimentação não representa uma crise partidária, mas é a consequência natural de uma decisão que acabou por dispersar o grupo político de Arruda.
É uma consequência previsível de uma escolha que se mostra, inclusive para parte de seu eleitorado, distante da coerência inicialmente pretendida.
A pesquisa IGAPE divulgada neste domingo mostra que parte do eleitorado de Arruda acabou migrando para Celina, que alcançou 43,9% das intenções de voto.
A grande repercussão da saída de Arruda, entretanto, foi o crescimento do número de indecisos, que chegou a 18,8%, indicando que nenhum dos demais concorrentes, até aqui, conseguiu capturar integralmente esse eleitorado.
Nesse novo cenário, Leandro Grass (PT) aparece com 17,3%. Paula Belmonte (PSDB) pontua com 5,9%; Cappelli (PSB), com 4,3%; e Kiko Caputo (Novo) aparece com 3,2%.
Arruda, ao invés de liderar o processo de transição para uma nova alternativa, preferiu se recolher, certamente impactado pela própria exclusão.
Fica, ainda, uma questão política que permanece sem resposta: por que os advogados que defendem Arruda nas ações de improbidade permitiram que, justamente em pleno ano eleitoral, fossem julgados processos — um no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e outros dois em instâncias superiores — com impacto direto sobre o registro de sua candidatura?
Agora, o PSD-DF, que possui uma estrutura anterior à decisão nacional e à chegada de Arruda, com história, direção, lideranças e identidade política próprias, sob a liderança de Paulo Octávio, reorganiza seu ambiente interno e retorna à sua realidade.
