O DILEMA BRASILEIRO NAS ELEIÇÕES DE 2026
O Brasil chega às eleições de 2026 mergulhado em um ambiente econômico pouco convencional. Há sinais de desaceleração, com tendência à recessão, revelados por endividamentos, inadimplências, recuperações judiciais, crise no varejo e uma indústria cada vez mais fragilizada, que desenham um quadro não mais possível de ser disfarçado por estatísticas isoladas.
É a economia brasileira carregando uma âncora nos pés.
Quem sobrará para pagar a conta desse modelo com a chegada da reforma tributária? Provavelmente será paga por empresas, profissionais liberais, médicos, dentistas, clínicas, prestadores de serviços e pequenos empreendedores. A criticada “classe média privilegiada”, aquela que trabalha, investe, contrata e assume o risco de produzir.
Há, claramente, uma crise do modelo atual que coloca o país no fio da navalha com a arrecadação no topo da curva de Laffer para diversos segmentos, quando o aumento da carga tributária não produz aumento proporcional na arrecadação e acaba por destruir a base. Mas, ainda assim, insiste-se em expandir os impostos com o objetivo de financiar o Estado perdulário.
E, enquanto a sociedade produtiva é espremida, a maior parte dos recursos públicos está comprometida com despesas rígidas, especialmente juros da dívida e previdência, perdendo o espaço para investimentos, infraestrutura, educação de qualidade e políticas capazes de elevar a produtividade. Sem dúvida a equação está se tornando perversa, ao mesmo tempo em que o contingente de brasileiros dependentes de programas assistenciais supera o de brasileiros produzindo. Isso não é desenvolvimento social. É administração da pobreza.
Percebe-se um evidente nivelamento por baixo, mas a matemática não tem preferências eleitorais. A dívida pública cresce. Os juros cobram seu preço. A previdência avança sobre o orçamento. A carga tributária alcança níveis insuportáveis, com uma das piores relações entre volume de impostos e retorno de serviços de qualidade. Empresas reduzem investimentos. O crédito fica mais caro. A produtividade permanece baixa. E o país continua esperando que alguma fórmula mágica, que não existe, produza riqueza sem enfrentar os obstáculos que impedem sua criação.
A correção desse quadro sugere um modelo que equacione trabalho, produção e liberdade, capaz de criar uma onda alicerçada na geração de riqueza, na segurança pública, na segurança jurídica, na produtividade e na competitividade. Um modelo que compreenda a riqueza nascendo da capacidade de produzir mais, melhor e com valor agregado. E que recupere a ideia de que trabalhar vale a pena.
Nessa eleição de 2026, o dilema brasileiro não compara candidatos, mas modelos. E está posto nas mãos do eleitor. Ou nivela por cima, gerando riqueza para dividir, ou nivela por baixo distribuindo pobreza.


Você precisa fazer login para comentar.