CASAS BAHIA: UM ALERTA PARA QUEM EMPREENDE NO BRASIL
Uma das empresas mais conhecidas do varejo nacional entrou com pedido de recuperação judicial e anunciou o fechamento de 298 lojas, dentro de um amplo processo de reorganização de suas operações. O grupo busca reestruturar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas.
Por Carlos Cabral*
O momento vivido pelas Casas Bahia precisa servir de alerta para o Brasil. Uma das empresas mais conhecidas do varejo nacional entrou com pedido de recuperação judicial e anunciou o fechamento de 298 lojas, dentro de um processo de reorganização de suas operações. O grupo busca reestruturar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas.
Quando uma empresa desse tamanho fecha centenas de unidades, a consequência não fica restrita aos seus acionistas. Estamos falando de trabalhadores, fornecedores, transportadoras, prestadores de serviços, proprietários de imóveis comerciais e milhares de pequenos negócios que sobrevivem da atividade econômica gerada no entorno dessas lojas. É uma cadeia inteira que sente os efeitos.
É importante reconhecer que seria simplista atribuir a situação das Casas Bahia exclusivamente aos impostos. A própria trajetória recente da companhia envolve endividamento, decisões empresariais, investimentos, mudanças no comportamento dos consumidores, crescimento do comércio eletrônico, pandemia, inadimplência e aumento dos juros. O varejo brasileiro como um todo atravessa um período difícil.
Mas justamente por isso precisamos discutir uma questão fundamental: quanto mais difícil o ambiente econômico, menos sentido faz o Estado aumentar ainda mais o peso carregado por quem produz, emprega e investe.
O empreendedor brasileiro já enfrenta uma realidade extremamente complexa. Não basta vender. É necessário administrar tributos, obrigações acessórias, regras trabalhistas, licenças, fiscalizações, custos financeiros e uma burocracia que consome dinheiro e, principalmente, tempo. Para uma grande empresa, isso representa milhões. Para o pequeno empreendedor, muitas vezes representa a diferença entre continuar funcionando ou fechar as portas.
O caso das Casas Bahia também demonstra que tamanho não significa imunidade. Em maio de 2026, o grupo ainda informava possuir mais de mil lojas. Poucos meses depois, anunciou o encerramento de 298 unidades consideradas menos rentáveis.
Se uma organização com décadas de história, marca nacionalmente conhecida, estrutura logística gigantesca e acesso ao mercado financeiro enfrenta dificuldades dessa dimensão, precisamos imaginar o desafio diário enfrentado pelo dono da rspadaria, da oficina, da pequena loja, do escritório, do restaurante ou da empresa familiar.
Empreendedor não pode ser tratado apenas como fonte de arrecadação.
Precisamos construir um ambiente no qual seja mais fácil abrir uma empresa, contratar um trabalhador, investir, produzir e crescer. Isso passa por simplificação tributária, redução da burocracia, segurança jurídica, acesso ao crédito, responsabilidade fiscal e políticas públicas capazes de estimular a atividade econômica.
Também precisamos compreender que incentivo ao empreendedorismo não significa necessariamente entregar dinheiro público ou conceder privilégios. Muitas vezes, o melhor incentivo que o Estado pode oferecer é simplesmente deixar quem trabalha trabalhar: reduzir obstáculos, simplificar procedimentos, estabelecer regras claras e proporcionar segurança para quem pretende investir.
Quando uma loja fecha, não desaparece somente uma inscrição empresarial naquele endereço. Empregos podem desaparecer. O comércio ao redor perde movimento. Fornecedores perdem clientes. Imóveis ficam vazios. Municípios deixam de movimentar renda. Famílias perdem poder de compra.
O Brasil precisa abandonar a ideia de que o empresário é um adversário da sociedade. Quem empreende assume riscos, movimenta a economia e gera oportunidades. Isso vale para uma grande rede varejista e, principalmente, para os milhões de pequenos e médios empreendedores espalhados pelo país.
A crise das Casas Bahia possui causas próprias e complexas, mas ocorre dentro de um ambiente econômico que exige reflexão. Juros elevados, endividamento das famílias, mudanças profundas no varejo e dificuldades financeiras vêm pressionando diversas empresas do setor. Entre 2023 e 2026, grandes varejistas brasileiros tiveram de reestruturar dezenas de bilhões de reais em dívidas.
Precisamos escolher que país queremos construir.
Um país que dificulta a vida de quem produz continuará assistindo ao fechamento de empresas e à eliminação de empregos. Um país que oferece segurança jurídica, responsabilidade fiscal, tributação racional e menos burocracia cria condições para que o empreendedor faça aquilo que sabe fazer: investir, produzir, inovar e gerar empregos.
Defender o empreendedor não é defender apenas o empresário. É defender o trabalhador que precisa do emprego, o consumidor que precisa de concorrência e preços melhores e as famílias que dependem de uma economia forte.
Menos burocracia, uma carga tributária mais racional, mais segurança jurídica e um ambiente verdadeiramente favorável ao empreendedorismo não são privilégios. São condições necessárias para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.


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