Planejar é assumir riscos. E, acima de tudo, responsabilidades.
A atividade mais crítica de qualquer organização é a elaboração ou a revisão do seu Planejamento Estratégico. Paradoxalmente, é também uma das mais negligenciadas. Em muitas empresas, o planejamento ainda é tratado como uma reunião ampliada da rotina operacional um equívoco recorrente, silencioso e extremamente caro.
Na prática, a maioria dos participantes chega a um seminário de planejamento sem a preparação intelectual e emocional necessária. A postura exigida nesse momento não é a de um executivo focado na operação diária, mas a de um verdadeiro dono do negócio, disposto a colocar seus ativos em risco, ou a de um general que lidera em um ambiente de incerteza extrema. As disputas contemporâneas assim como as guerras modernas são vencidas menos pela força e mais pela estratégia, pela inteligência e pela capacidade de antecipação.
A primeira pergunta, e também a mais difícil, é inevitável: qual é, de fato, o negócio da empresa? A resposta nunca é trivial. Ela pode conduzir à retração estratégica, à sobrevivência defensiva, ao crescimento acelerado, a apostas relevantes ou, em alguns casos, à mudança completa de setor. Um planejamento sério quase sempre exige decisões duras, inclusive aquelas que implicam “cortar na própria carne”.
Metodologias que ignoram a preparação dos decisores já não são suficientes para lidar com a complexidade do cenário atual. Um planejamento conduzido de forma superficial cria a ilusão de controle, mas frequentemente empurra a organização para o declínio. Quando bem executado, ao contrário, torna-se um instrumento poderoso de alinhamento, foco e crescimento exponencial.
Há um sinal claro para avaliar a qualidade de um Planejamento Estratégico: se, ao final do processo, não existir a sensação inequívoca de que uma nova empresa está começando com novas prioridades, novos riscos e novas responsabilidades algo foi feito de forma equivocada.
Planejar não é preservar o passado.
Planejar é aceitar que a empresa de ontem deixou de existir.
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Hélio Mendes – Palestrante, consultor empresarial e político, autor de Planejamento Estratégico Reverso e Gestão Reversa. Curso de Conselheiro pelo IBGC e ex-Secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Uberlândia/MG.
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