NO QUE PENSAS, LAÇADOR?
No que pensas, laçador?
No topo desta coxilha, olhando longe, em vigília, tal qual fosse um “bombeador”, sei que escutas o clamor, do teu povo que padece, e grita em forma de prece, num desespero, profundo, pedindo socorro ao mundo, que em descompasso, estremece.
Tento imaginar a ânsia, que tu deve estar sentindo, vendo as águas destruindo, sonhos e apegos de infância, sei que ao olhar na distância, cuidando o curso do vento, ressente, neste momento, mágoas, que pra trás ficaram, dos que te aprisionaram, neste bloco de cimento.
No que pensas, Laçador? Capataz, da capital, Quando deste pedestal,
Pode sentir o pavor, Dos que te pedem, o favor, De apertar barbela e cincha, Pondo na testa uma vincha, Pra sair em campereada, Pois muitos, nesta invernada, Estão sem chão e sem quincha.
Se eu pudesse, companheiro, Te arrancava deste asfalto, Pra que tu, num sobressalto, Alçasse a perna ligeiro, Mostrando o tino campeiro, Floreando o pingo num upa, Contra o que mais te preocupa, Nestas horas de urgências, Quando um filho da querência, Tira um irmão na garupa.
No que pensas, Laçador? Quando o teu olhar se expande, Sobre o teu velho Rio Grande, Que sempre foi promissor, E agora carrega a dor, Angustiante, insistente, Que eu garanto que tu sente, Suporta, mas não compreende, Se o teu laço não se estende, Ao alcance da tua gente.