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SARAMPO: NOVOS CASOS NO BRASIL

Sarampo: novos casos no Brasil reforçam importância da vacinação

 

Doença altamente contagiosa pode causar complicações graves; médicos do Hospital Universitário de Brasília explicam prevenção, transmissão, sintomas e tratamento

 Em 2026, até o dia 10 de agosto, o Brasil registrou 24 casos de sarampo, sendo 23 no Estado de São Paulo e um no Rio de Janeiro. As ocorrências acenderam o alerta das autoridades sanitárias para evitar que a doença volte a registrar transmissão sustentada no país, quando o vírus passa a circular continuamente, sem estar associado apenas a casos importados.

Segundo Gilberto Nogueira, infectologista do Hospital Universitário de Brasília, da Universidade de Brasília, vinculado à HU Brasil (HUB-UnB/HU Brasil), o principal fator para o reaparecimento da doença é a existência de pessoas suscetíveis ao sarampo, principalmente em decorrência de coberturas vacinais insuficientes ou de esquemas de vacinação incompletos.

  “O sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas que existem. Quando o vírus é introduzido em uma população com um número significativo de pessoas não imunizadas, ele encontra condições para se disseminar rapidamente. Manter coberturas vacinais elevadas é a principal barreira para impedir que casos importados deem origem a novos surtos”, ressalta.

O infectologista explica que não existe tratamento contra o vírus do sarampo.

“Há a alternativa de suporte clínico, que é definido de acordo com a idade, o estado clínico e a presença ou não de complicações. Nos casos não complicados, as medidas tomadas envolvem hidratação adequada, suporte nutricional, controle da febre e dos demais sintomas, com acompanhamento clínico. Quando surgem complicações, o tratamento é direcionado a elas. Não há um medicamento antiviral específico, de uso rotineiro, capaz de eliminar o vírus do sarampo. Por isso, a principal estratégia contra a doença continua sendo a prevenção por meio da vacinação”, destaca.

Desde 1990, o Distrito Federal registrou 1.697 casos confirmados de sarampo, segundo a Secretaria de Saúde. Os últimos casos confirmados de sarampo autóctones (com transmissão direta dentro do próprio território nacional) na região são de 1999. Após esse período, houve casos importados e/ou relacionados à importação. O último caso de sarampo no DF foi registrado em 2025. Não há registro de óbitos.

Doença

O sarampo é uma doença infecciosa viral e altamente contagiosa, transmitida de pessoa para pessoa por meio de gotículas eliminadas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Antes do avanço da vacinação, a doença foi uma das principais causas de mortalidade infantil em todo o mundo. Os primeiros sintomas costumam incluir febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e mal-estar, seguidos pelo aparecimento das manchas avermelhadas características da doença.

De acordo com a pediatra do HUB-UnB/HU Brasil, Ivonne Solarte Agredo, embora muitas pessoas associem o sarampo apenas às manchas na pele, a infecção pode comprometer diversos órgãos e evoluir para formas graves.

“O sarampo pode causar complicações, hospitalização, sequelas e até óbito. Além disso, pode comprometer temporariamente a memória do sistema imunológico, deixando a pessoa mais suscetível a outras infecções. Entre as complicações mais frequentes estão otite, diarreia com desidratação e pneumonia, uma das principais causas de morte associadas à doença em crianças”, afirma.

Qualquer pessoa sem imunidade contra o sarampo pode adquirir a doença, especialmente quem não foi vacinado ou está com o esquema incompleto. O sarampo é uma das infecções mais contagiosas conhecidas, transmitida pelo ar e por secreções respiratórias, e uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 18 pessoas suscetíveis”, completa a médica.

Transmissão

Apesar dos avanços obtidos com a vacinação, o sarampo ainda representa um desafio para a saúde pública, especialmente em regiões onde a cobertura vacinal permanece abaixo dos 95% recomendados.

A transmissão pode ocorrer entre seis dias antes e quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas. Nesse período, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para cerca de 90% das pessoas suscetíveis com quem tiver contato próximo.

 “Crianças menores de um ano merecem atenção especial por ainda não terem completado o esquema vacinal. Por isso, diante do risco epidemiológico atual, foi recomendada em São Paulo e Guarulhos a dose zero para crianças de 6 a 11 meses e 29 dias. Ela não substitui as doses do calendário de rotina”, ressalta Ivonne.

Complicações podem ser graves

Embora a maioria dos pacientes se recupere, o sarampo pode evoluir para quadros graves, especialmente entre crianças menores de cinco anos, gestantes e pessoas imunossuprimidas.

Entre as principais complicações da infecção estão a pneumonia, principal causa de morte por sarampo em crianças pequenas; a otite média, frequente principalmente entre crianças e que pode resultar em perda auditiva permanente; e a encefalite, registrada em aproximadamente um a cada mil casos e capaz de provocar convulsões e sequelas neurológicas.

A doença também pode causar danos oculares graves, com risco de cegueira, comprometer o crescimento infantil e, em casos raros, desencadear a panencefalite esclerosante subaguda (PEESA), uma enfermidade cerebral degenerativa e fatal.

Certificação internacional

Após campanhas de vacinação iniciadas em 1991, o Brasil reduziu significativamente o número de casos e de óbitos por sarampo. Esse avanço levou o país a receber, pela primeira vez, o certificado de eliminação da doença, em 2016. No entanto, o país perdeu essa certificação em 2019, após o retorno da circulação do vírus, e voltou a conquistá-la em 2024.

Tipos de vacinas

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diferentes vacinas que protegem contra o sarampo. A vacina indicada varia conforme a idade, o histórico vacinal e a situação epidemiológica.

 

Tríplice viral: Protege contra sarampo, caxumba e rubéola. É a principal vacina utilizada no Calendário Nacional de Vacinação. A primeira dose é recomendada aos 12 meses de idade. A segunda dose é administrada aos 15 meses por meio da vacina tetra viral, que reforça a proteção contra sarampo, caxumba e rubéola e inclui a primeira dose contra a varicela (catapora).

Tetra viral: Protege contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora). É indicada para crianças aos 15 meses de idade que já tenham recebido a primeira dose da vacina tríplice viral.

Dupla viral: Protege contra sarampo e rubéola. Pode ser utilizada em situações específicas, como ações de bloqueio vacinal durante surtos ou campanhas definidas pelas autoridades de saúde.

 

Pessoas de 5 a 29 anos devem ter duas doses da vacina contra o sarampo, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas, caso não tenham comprovação do esquema vacinal completo. Adultos de 30 a 59 anos que não tenham comprovação de vacinação prévia devem receber uma dose da vacina. Profissionais de saúde, independentemente da idade, devem comprovar duas doses da vacina, devido ao maior risco de exposição ao vírus.

Serviço

O esquema vacinal contra o sarampo é oferecido gratuitamente pelo SUS e deve ser mantido em dia conforme o Calendário Nacional de Vacinação. Em caso de sintomas compatíveis com a doença, a orientação é procurar atendimento de saúde e evitar contato com outras pessoas até avaliação médica.

Sobre a HU Brasil

O HUB-UnB faz parte da Rede HU Brasil desde janeiro de 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

 


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