ENSINO PÚBLICO NÃO CABE NO CALENDÁRIO ELEITORAL
A relevância do ensino público para o desenvolvimento de um município ultrapassa, por larga margem, os limites de uma administração. Educação não é obra de governo e não se corrige em um mandato. Seus resultados são construídos ao longo de anos e, justamente por isso, precisam ser avaliados com uma perspectiva histórica, técnica e desprovida de interesses políticos, imediatos ou não.
Os números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica — IDEB de Barra do Piraí, se analisados, podem ser de extrema utilidade para o desenvolvimento municipal. Inicialmente, reconhece-se que, entre 2023 e 2025, houve avanços no desempenho da rede pública barrense. Avanços pontuais, é verdade, mas com capacidade de contribuir para uma transformação estrutural.
Entretanto, é fundamental compreender a trajetória.
Nas duas últimas décadas, o ensino público municipal barrense apresentou evolução. O IDEB municipal, considerado de maneira global, passou de aproximadamente 3,9 para 4,5. A melhora, sem dúvida, é real. Porém, é preciso reconhecer também que o município ainda permanece na periferia educacional da região e enfrenta problemas que não foram resolvidos.
Nos anos iniciais do ensino público fundamental, de responsabilidade municipal, os dados são particularmente relevantes. Entre 2005 e 2025, a taxa de aprovação do 1º ao 5º ano cresceu 17%, enquanto as notas de Matemática e Português avançaram 13%. Como o IDEB combina justamente o fluxo escolar, representado pela aprovação, com o desempenho dos estudantes nas avaliações de aprendizagem, é razoável concluir que uma parcela importante da melhora do indicador esteve associada ao avanço da aprovação, superando o crescimento da aprendizagem.
Isso pode significar problema, ao ocorrer aprovação de crianças sem que estejam efetivamente aprendendo. Avançar de série sem dominar adequadamente leitura, escrita e matemática apenas desloca o problema para a etapa seguinte, os anos finais do ensino fundamental. Nesse caso, o indicador fracassa na aferição da capacidade de ensinar.
O resultado geral dos anos iniciais foi expressivo, com o IDEB passando de 4,0, em 2005, para 5,5, em 2025, porém importa, e muito para a recuperação do ensino fundamental público barrense, entender as razões dessa evolução.
Já nos anos finais do ensino fundamental, ainda que de responsabilidade do estado, mas impactados pelo desempenho dos anos iniciais, o quadro exige especial atenção. No mesmo período de 2005 a 2025, a taxa de aprovação cresceu 24%. Entretanto, a nota de Matemática caiu 8%, enquanto a de Português cresceu apenas 1%. O resultado foi a redução do IDEB de 5,12 para 4,82.
Como explicar o expressivo crescimento da aprovação diante de desempenho tão modesto, e até negativo em Matemática, nas avaliações de aprendizagem? Esse fenômeno não é estatístico e merece séria avaliação.
Uma política educacional séria precisa distinguir se o sistema está conseguindo produzir aprendizagem ou apenas melhorar o fluxo escolar. Até porque é responsável pela preparação de uma geração para participar de uma economia cada vez mais competitiva e de uma sociedade que exige conhecimentos que não podem ser substituídos por programas assistenciais, obras públicas ou eventos.
Vale ressaltar, finalmente, que o crescimento das taxas de aprovação não é privilégio barrense, mas um fenômeno generalizado por todos os estados da federação.
Fica, por último, a reflexão de que Barra do Piraí, ao promover análise de seus desempenhos educacionais nos últimos 20 anos, tem a alternativa de não buscar culpados, mas respostas, soluções, e a possibilidade de medir o futuro.


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