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O ÚLTIMO ESPETÁCULO ANTES DAS URNAS

Entre promessas, acusações, pedidos de desculpas e consultas ao Google, Lula e Flávio Bolsonaro encerraram os debates presidenciais. Agora, a palavra passa ao eleitor.

Por Juca da Plateia

Sexta-feira à noite. Pipoca pronta, televisão ligada e dois candidatos disputando o papel principal. De um lado, Lula. Do outro, Flávio Bolsonaro. No meio, César Tralli, tentando controlar o relógio e impedir que o debate virasse uma reunião de condomínio.

Começou tudo muito bem. Economia, segurança, salário mínimo, saúde e programas sociais. Mas a tranquilidade durou pouco. Afinal, debate político sem acusações é como futebol sem juiz: até pode acontecer, mas ninguém acredita.

Um apresentou números, o outro contestou. Um prometeu, o outro cobrou. O passado entrou em campo, o futuro ficou no banco de reservas e o presente, coitado, continuou esperando atendimento.

Teve provocação sobre os nove dedos, pedido de desculpas, discussão sobre milícias, Banco Master e até uísque de luxo. Faltou apenas perguntar quem pagaria a conta. Embora, nesse quesito, o contribuinte já esteja acostumado a receber a fatura.

Entre uma acusação e outra, surgiram propostas. Algumas acompanhadas de explicações; outras, esperando detalhes que talvez apareçam depois das eleições.

E o eleitor? Esse queria saber sobre emprego, comida na mesa, juros, segurança e atendimento nos hospitais. Coisas pequenas, aparentemente, diante da grandiosidade das disputas pessoais.

Amanhã, a palavra será do eleitor. O povo não precisa de mais um espetáculo. Precisa de resultados concretos.

 

Juca da Plateia é um personagem fictício que observa a política brasileira com ironia, bom humor e senso crítico. Sem compromisso com partidos ou governos, acompanha os acontecimentos, questiona discursos e procura compreender o que existe por trás das disputas pelo poder. Seu olhar é o do cidadão comum, que assiste ao espetáculo político, mas não esquece que é a população quem convive com as consequências das decisões.

 


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