O AVANÇO DO ENSINO PÚBLICO FUNDAMENTAL DO DISTRITO FEDERAL
A divulgação dos resultados de 2025 do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica — IDEB trouxe uma constatação que merece ser observada para além da frieza dos números. A educação pública do Distrito Federal está avançando. Houve melhora não apenas nas notas de Português e Matemática, mas também na taxa de aprovação dos estudantes. É um resultado que, sobretudo, permite algum otimismo quando se pensa no futuro de Brasília.
É possível que exista na capital da República uma espécie de acordo subliminar em torno da educação pública. Um pacto silencioso que mantém as escolas, os professores e o desempenho dos alunos relativamente afastados das disputas políticas que costumam transformar praticamente tudo em instrumento de confronto. Enquanto a política brasiliense se agita em torno de sucessões, grupos, partidos e projetos de poder, a educação parece ter encontrado um espaço próprio, menos sujeito à turbulência eleitoral.
É provável que seja justamente isso que esteja fazendo diferença.
A evolução do IDEB geral do Distrito Federal é significativa. O índice, que era de apenas 3,2 em 2005, chegou a 4,6 em 2023 e alcançou 4,7 em 2025. O resultado ainda não corresponde à meta estabelecida, mas a trajetória é inequívoca. Em duas décadas, Brasília melhorou seu desempenho e ocupa atualmente a 13ª posição no ranking nacional. É ainda mais importante perceber que a rede pública tem participação decisiva nessa evolução.
Nos anos iniciais do ensino público fundamental, do 1º ao 5º ano, a taxa de aprovação cresceu 14% nas duas últimas décadas, chegando a 95,8% em 2025, contra 95,1% em 2023. No mesmo período, as notas de Matemática avançaram 15%, enquanto Português apresentou crescimento de 14%.
São números que não permitem o pessimismo que frequentemente domina o debate sobre a escola pública. Há real progresso. E progresso educacional não acontece por decreto, nem cai do céu. É resultado acumulado de políticas, professores, gestores, famílias e, sobretudo, de uma cultura de valorização da aprendizagem.
Já os anos finais do ensino fundamental, entretanto, exigem uma leitura mais cuidadosa.
Entre o 6º e o 9º ano do ensino público fundamental, a taxa de aprovação cresceu expressivos 37% no período analisado. As notas de Português avançaram 9%, mas o desempenho em Matemática permaneceu praticamente estável, combinação que merece uma atenta avaliação. Esse é um dos pontos que não podem ser simplesmente ignorados. Se a taxa de aprovação cresce em velocidade muito superior à evolução das competências medidas pelas avaliações, existe uma pergunta inevitável: estamos conseguindo ensinar mais ou simplesmente reprovar menos? E a resposta precisa ser essencialmente técnica.
O resultado do Distrito Federal, portanto, deve ser recebido com satisfação e responsabilidade. Ainda que incomode a 13ª posição no ranking nacional, o ensino público do Distrito Federal está avançando. E esse avanço talvez seja ainda mais relevante porque parece ocorrer sem que a educação tenha sido transformada em permanente trincheira política.
A educação precisa de avaliação, cobrança, planejamento e correção de rumos. Precisa de políticas que sobrevivam aos governos e de gestores que compreendam que uma criança que aprende hoje representa um cidadão mais preparado amanhã. E os números de 2025 sugerem que Brasília está caminhando nessa direção.
