REDUÇÃO DA JORNADA 6X1, UMA IDEIA RUIM QUE PODE GERAR BOM RESULTADO
A proposta de redução da jornada de trabalho conhecida como escala 6×1, surgiu impulsionada por forte necessidade eleitoreira. A narrativa simplesmente seduz o eleitor ao projetar menos dias para trabalhar e mais dias para descansar. Como não poderia deixar de ser, a ideia encontra imediata receptividade na opinião pública.
Entretanto, políticas públicas não podem ser avaliadas apenas pela popularidade de seus slogans. Precisam ser examinadas à luz de seus efeitos econômicos, sociais e produtivos. E é justamente nesse aspecto que a simples redução da jornada revela seus problemas.
É público e notório que a simples diminuição compulsória das horas trabalhadas, sem correspondente aumento da produtividade, tende a elevar custos operacionais para empresas. Em ambiente econômico já marcado por elevada carga tributária, insegurança jurídica e baixa produtividade, a medida resultará em redução de investimentos, fechamento de vagas e aumento da informalidade.
Não existe prosperidade sustentável baseada apenas na redução do tempo de trabalho.
Paradoxalmente, essa equivocada proposta acabou abrindo espaço para uma discussão muito mais relevante e transformadora. Ao receber a Proposta de Emenda Constitucional – PEC aprovada pela Câmara dos Deputados, o Senado Federal passa a discutir alternativas que representam uma verdadeira modernização das relações de trabalho.
Entre elas destaca-se a possibilidade de criação de um regime contratual mais flexível, baseado em horas efetivamente trabalhadas e na livre negociação entre empregado e empregador. Nesse modelo, o trabalhador poderia optar entre permanecer sob as regras tradicionais da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou aderir voluntariamente a um sistema mais flexível, ajustado às suas necessidades e objetivos pessoais.
A principal virtude dessa proposta é devolver ao trabalhador o protagonismo sobre sua própria jornada. Em vez de uma imposição uniforme para todos os setores, atividades e perfis profissionais, cada indivíduo poderia definir sua carga horária, seus períodos de descanso e até mesmo ampliar sua jornada quando desejasse aumentar sua renda.
Os benefícios também alcançariam os empregadores. A possibilidade de ajustar escalas conforme a demanda real do negócio reduziria desperdícios, aumentaria a produtividade e proporcionaria maior competitividade às empresas brasileiras. Em consequência, seriam naturalmente ampliadas as condições para investimentos, expansão das atividades econômicas e geração de novos postos de trabalho.
Países que alcançaram elevados níveis de desenvolvimento não o fizeram por meio do engessamento das relações produtivas, mas pela ampliação da liberdade econômica, da inovação e da capacidade de adaptação dos mercados às transformações sociais e tecnológicas.
O crescimento econômico e social não está em determinar que todos trabalhem menos, mas sim em permitir que cada trabalhador escolha como deseja trabalhar.
A aprovação da PEC alternativa, proposta pelo Senado Federal, transformará a esdrúxula ideia, aprovada pela Câmara dos Deputados, em uma excelente oportunidade de modernização econômica e valorização da autonomia do trabalhador.

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