PRODUZIR OU ENTRETER, O DILEMA BARRENSE
Existe uma profunda diferença entre os municípios que escolhem construir seu desenvolvimento econômico sobre a produção e aqueles que apostam suas fichas em uma agenda baseada predominantemente em entretenimento (festas, shows e eventos). Essa decisão estratégica, mais do que uma simples opção administrativa, determinará o futuro de sua população.
Os eventos festivos possuem características que os tornam extremamente atraentes para gestores públicos. Seus resultados imediatos, visíveis e facilmente percebidos pela população, se tornam especialmente preferidos em períodos eleitorais. Praças lotadas, artistas famosos, intensa movimentação e ampla cobertura nas redes sociais criam uma sensação instantânea de prosperidade e dinamismo. Politicamente, poucos investimentos oferecem retorno de imagem tão rápido quanto um calendário repleto de festividades.
Entretanto, por trás da visibilidade existe uma enorme limitação estrutural. Os benefícios econômicos produzidos por festas e shows são normalmente concentrados em poucos segmentos e ocorrem de forma sazonal. O aumento da atividade econômica é temporário, em dinâmica incapaz de sustentar a economia no longo prazo ou promover transformações significativas na qualificação da população. Em outras palavras, poucos se beneficiam, ainda que por espasmos.
Esse modelo, frequentemente utilizado por municípios de elevada dependência econômica, não cria cadeias produtivas permanentes, não estimula investimentos industriais e tampouco gera demanda consistente por mão de obra especializada. Na realidade, o município opta por sobreviver.
Em sentido oposto, os municípios que adotam uma estratégia baseada na produção constroem resultados menos visíveis, porém consistentes. A instalação de indústrias, centros logísticos, polos tecnológicos, empreendimentos agroindustriais ou atividades produtivas de maior valor agregado gera empregos permanentes, amplia a arrecadação e distribui renda pela sociedade.
Nesse modelo, os benefícios são distribuídos, alcançando trabalhadores, fornecedores, prestadores de serviços, comerciantes e profissionais de diversas áreas. O crescimento passa a ser compartilhado por grande parte da população, impulsionando o comércio local e criando um círculo virtuoso de desenvolvimento.
Ao demandar trabalhadores qualificados, técnicos especializados e profissionais capacitados, a atividade produtiva eleva as exigências educacionais. Como consequência, o sistema educacional é naturalmente convocado a responder às necessidades da indústria e escolas técnicas, cursos profissionalizantes e instituições de ensino superior passam a desempenhar papel estratégico na formação da mão de obra necessária para sustentar o crescimento.
Enquanto o modelo baseado em eventos produz entretenimento, o modelo baseado na produção produz oportunidades. Enquanto um gera movimento temporário, o outro constrói prosperidade. Enquanto um privilegia resultados imediatos e eleitoralmente atraentes, o outro cria ambiente de crescente valorização do conhecimento.
Adicionalmente, os resultados da estratégia produtiva são silenciosos. Não produzem manchetes diárias, nem imagens espetaculares para as redes sociais, mas aparecem nos indicadores de renda, emprego, arrecadação, escolaridade e qualidade de vida, em resultados que fortalecem a autonomia do município e ampliam as perspectivas das novas gerações.
Esse é o dilema, produzir ou entreter, a ser analisado pelo barrense para que, em futuro não tão distante quando as atuais crianças do município entrarem no mercado de trabalho, não venha a se arrepender das escolhas de hoje.

SUGESTÃO DE LEITURA: FÍGADO GORDUROSO: DOENÇA SILENCIOSA QUE PODE EVOLUIR PARA CIRROSE E CÂNCER https://revistadiaria.com.br/artigos-e-opiniao/figado-gorduroso-masld-doenca-silenciosa-que-pode-evoluir-para-cirrose-e-cancer/

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