O MERCADO ESTÁ FAZENDO FALTA A BARRA DO PIRAÍ
Os indicadores econômicos de Barra do Piraí, no primeiro semestre de 2026, reforçam um cenário que se manifesta há muitos anos. O desempenho de importantes setores da economia municipal permanece aquém das expectativas e evidencia uma estrutura de crescimento pouco sustentável.
Embora o município possua um Produto Interno Bruto (PIB) em torno de R$ 3,2 bilhões, sua composição revela uma distorcida realidade. Aproximadamente um quarto dessa riqueza é gerado pela indústria e pelo agronegócio, setores tradicionalmente responsáveis pela produção, pelos investimentos e pela criação de empregos. Em contrapartida, cerca de um terço do PIB tem origem na administração pública, demonstrando uma exagerada dependência do setor governamental.
Essa configuração inverte a lógica observada nas economias dinâmicas. Em sociedades que alcançam elevados níveis de prosperidade, é o mercado que lidera a geração de riqueza, investimentos, inovação e oportunidades. O poder público exerce papel fundamental como indutor, regulador e prestador de serviços, mas não se transforma, em qualquer hipótese, no principal motor do desenvolvimento econômico.
Quando a participação do Estado cresce além da capacidade produtiva do setor privado, surgem sinais de fragilidade que acabam refletindo diretamente no ambiente de negócios.
Os resultados do primeiro semestre ilustram essa tendência. O município registrou a abertura líquida de apenas 22 empresas, número modesto para uma cidade que necessita ampliar sua capacidade de geração de renda. O mercado de trabalho também apresentou desempenho discreto, com saldo positivo de somente 46 empregos formais, posicionando Barra do Piraí na 50ª colocação entre os 92 municípios fluminenses.
A baixa capacidade de criação de empregos produz consequências que vão muito além das estatísticas.
Hoje, Barra do Piraí possui 17.448 beneficiários do Programa Bolsa Família, número superior aos 16.580 trabalhadores com carteira assinada (CLT) existentes no município. Trata-se de um indicador a merecer reflexão, pois insere a cidade no grupo de municípios brasileiros onde a população atendida por programas de transferência de renda supera o número de empregos formais.
O problema reside no fato de que a economia local não consegue gerar oportunidades suficientes para reduzir, gradativamente, a dependência da assistência social.
Quando os empregos deixam de crescer na mesma velocidade das políticas assistenciais, forma-se um círculo vicioso. A arrecadação municipal cresce lentamente, os investimentos privados diminuem, a capacidade de consumo das famílias permanece limitada e o município torna-se cada vez mais dependente das transferências de recursos provenientes de outras esferas de governo.
Nenhuma economia prospera sustentando-se sobre recursos públicos. O desenvolvimento requer empresas competitivas, ambiente favorável aos investimentos, expansão industrial, fortalecimento do comércio, modernização dos serviços e permanentes estímulos ao empreendedorismo.
Ainda que Barra do Piraí reúna condições, transformar esse potencial em prosperidade exige uma radical mudança nas atuais prioridades de promoção de eventos, atividades sazonais e dependência de recursos governamentais.
A experiência das cidades que mais cresceram nas últimas décadas demonstra que a prosperidade não nasce da expansão da máquina pública, mas da capacidade de criar um ambiente onde empresas investem, empreendedores inovam e trabalhadores encontram oportunidades para produzir riqueza.
A persistir a atual distorção, há, sem dúvida, elevado risco de aprofundamento da fragilidade econômica do município. E a história mostra que não há município capaz de resistir indefinidamente aos efeitos da estagnação produtiva.


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