Carregando agora

QUANDO A VAIDADE ENTERRA UMA ELEIÇÃO

Há um velho ensinamento na política que continua atual: ninguém vence uma eleição sozinho. Ainda assim, em uma das pré-campanhas mais disputadas do país, o que se observa é um desfile de vaidades que, muitas vezes, coloca projetos coletivos em segundo plano.

Multiplicam-se personagens que desejam mandar neste ou naquele partido, controlar esta ou aquela convenção, definir sozinhos a composição das nominatas e decidir quem pode ou não disputar uma eleição. Em vez de construir consensos, preferem impor vontades. Em vez de unir, dividem.

A vaidade, quando ultrapassa os limites, deixa de ser apenas um traço de personalidade e passa a representar um problema político. Ela afasta aliados, cria conflitos desnecessários, enfraquece partidos e compromete estratégias eleitorais que poderiam ser vitoriosas.

A política exige liderança, mas liderança não se confunde com autoritarismo. Os melhores líderes são aqueles capazes de ouvir, dialogar, construir pontes e compreender que um projeto eleitoral só ganha força quando diferentes setores se sentem representados.

Em eleições proporcionais, esse princípio é ainda mais importante. Nominatas fortes são resultado de equilíbrio, planejamento e espírito coletivo. Quando prevalecem interesses pessoais, abre-se espaço para disputas internas que beneficiam apenas os adversários.

A história política brasileira oferece inúmeros exemplos de candidaturas promissoras que fracassaram não pela falta de votos, mas pelo excesso de ego. Muitos confundiram influência momentânea com poder permanente e descobriram tarde demais que a soberba costuma cobrar um preço elevado nas urnas.

Quem acredita que um partido existe para atender apenas aos seus interesses pessoais corre o risco de transformar uma grande oportunidade em uma grande derrota. Afinal, o eleitor costuma reconhecer quando um projeto é movido por compromisso público e quando é alimentado apenas pela vaidade.

No fim das contas, eleições são vencidas por quem soma, não por quem divide. A vaidade pode até proporcionar aplausos dentro de uma sala de reuniões, mas dificilmente conquista o respeito necessário para vencer nas urnas.


Sugestão de leitura: O PODER NÃO TEM DONO

O PODER NÃO TEM DONO